DE VERDADE

Tais Araujo para a revista Trip.

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Texto de Sergio Xavier para a edição de Agosto da revista Playboy.

Anatomia de um ensaio.
Chove lá fora. Só isso explica o fato de o badalado café em Higienópolis estar as moscas em um Sábado. Ana Lucia espera nervosa a chegada do fotografo. Não é um fotógrafo qualquer, não é um fotografo qualquer. A ruiva talvez seja a cara (e o corpo, claro) da Playboy brasileira.
Desde 2006 é a coelhinha oficial da revista. Nada mais natural que Ana Lúcia Fernandes seja a estrela de edição de aniversário. Nada mais natural que J.R.Duran seja o homem a clicar o ensaio principal dos 40 anos. Ninguém fotografou mais do que ele. Foram 130 ensaios na história de Playboy. Dos 40 ensaios fundamentais dos 40 anos, Duran assinou 16 deles. É Duran que Ana Lúcia espera no café. Está tensa, sabe que o catalão é exigente, tem uma personalidade forte.
Duran chega minutos depois com uma capa de chuva que parece mais indicada para alguma navegação ártica. A conversa se desenvolve entrecortada. Duran bombardeia Ana com perguntas. O que ela faz, o que gosta... Aos poucos, ele vai propondo um tom mais sacana. Pede para ver fotos no celular dela, provoca, atiça. Ana está quase envergonhada.
Os primeiros detalhes do ensaio que acontecerá semanas depois em um hotel na Zona Sul de São Paulo vão sendo acertados, A conversa no café tinha essa função e mais uma muito importante: “Não existe um bom ensaio sem intimidade. Ela precisa confiar em mim, precisa acreditar que aquilo que ela não está vendo ficará bom.”
Faz um dia lindo lá fora. A suíte do hotelzão paulistano é de cinema. Duran fez força para que a locação fosse mesmo naquele lugar que conheceu em um outro trabalho. Fazia sentindo.
O quarto era lindo, tinha cama, sofá, sofisticação e um terraço com vista para uma São Paulo com jeito de Nova York. Mas a razão principal da escolha da suíte é a luz. Duran vive da luz. É um naturalista, foge feito morcego da luz artificial. Nenhum flash, rebatedor, nada. Apenas a luz natural entre Ana Lúcia e a Hasselblad H2, sua maquina predileta.
O dia ainda estava escuro quando a pequena equipe de produção abriu os trabalhos. Era uma foto, um trabalho artístico, mas lembrava mais o mundo coorporativo pelo processo meticuloso.Cada um sabia exatamente o que fazer. Duran tinha desenhado cada cena, e cada um desses desenhos tinha um código que era compartilhado com a stylist, com a maquiadora, com o assistente. Cada look era um projeto específico que seria executado da melhor forma e no menor tempo possível. Ter todo o básico planificado abre espaço para o improviso. Como em uma banda de jazz, o improviso só acontece com o andamento da música bem ensaiado.
Nas primeiras fotos, o planejamento é meticulosamente executado. O que foi pensado e desenhado vira imagem de 40 mega. A câmera de formato médio é pesada, quadrada, nasceu para ser apoiada em um tripé. Em algumas cenas Duran até a utiliza na mão, como um repórter fotográfico em busca do ângulo perfeito. Mas é no tripé que dirige melhor a cena. Ele ajusta a luz, o foco, o enquadramento e fica ao lado do tripé com a mão no disparador.
A impressão é de que não vai ter foto, não há ninguém atrás da câmera. E Duran conversa com a modelo, provoca, pede gestos. Conversa e clica. Parece estar um segundo a frente do tempo de reação de Ana. Ou atrás. O fato é que o clique não vem no momento em que se espera. Um interessante jogo de gato e rato. Ou seria de rato e gata?
Enquanto o figurino é trocado para a foto seguinte, o assistente de Duran descarrega o cartão da Hassel em um Macintosh. A primeira edição do ensaio e feita nesse intervalo de tempo. O clima vai esquentando. A intimidade buscada no Sábado chuvoso do café está surgindo. Agora Ana sugere posições, simulações. O controle ainda é de Duran, mas o fotógrafo tem a melhor das assistentes. Duran faz cara de espanto com algumas propostas. Jogo de cena, claro. De repente, metade de Ana Lúcia se joga para fora da cama. A outra metade permanece, de bruços...A foto é linda, mas falta algo. Duran pega o travesseiro, Ana apoio nele os cotovelos. Um pouco depois, já no computador olhando a foto, teoriza sobre uma palavra inventada pelo escritor Francês Roland Barthes. O “punctum” é o elemento da foto que não é principal, mas que, de alguma forma, traz significado a imagem. O travesseiro é o “punctum”. É ele que torna a cena real. Real e deliciosa.

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