VERMELHO

Barbara Beluco para La Rouge.

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MY WAY

A coluna para a revista da Audi deste mês.

Many ways.

Sou dos 175 mil que estiveram no Maracanã, em 26 de janeiro de 1980, para ver Frank Sinatra cantar ao vivo. E apesar de estar sentado na geral, e ver o cantor do tamanho de uma mosca mesmo com binóculos, senti um arrepio na hora em que Sinatra começou a cantar “regrets I have a few...” as primeiras palavras de “My Way”.
“My Way” é uma música curiosa. Originalmente se chamava “Comme d’habitude” e foi composta e cantada por Claude François, um francês que estava sempre acompanhado por dançarinas (as Claudettes) espetaculares. Por rentrâncias e saliências da vida Paul Anka traduziu a letra para inglês (na verdade mudou tudo e deixou apenas a melodia) e a musica se tornou um dos grandes sucessos da musical popular mundial. Tenho um podcast com varias versões da “May Way” e, em momentos especiais, me divirto ouvindo todas elas na sequencia. Além da versão de Claude François, e a de Frank Sinatra, a lista inclui os seguintes cantores:
- Paul Anka, acompanhado por alguém tocando um violão espanhol, fazendo dueto com Sinatra (só que no vídeo Sinatra não aparece, apenas sua voz).
- Elvis Presley. Prefiro a versão ao vivo, a que esta na gravação de 1973 “Aloha from Hawai”.
- Marcelo Nova. Eu estava no Caiçara Music Hall, em 1986, quando foi gravado o CD do Camisa de Venus ao vivo. Palavrões garantidos.
- Gipsy Kings, em versão rumba e repetindo “a mi manera”.
- Os Três Tenores, que vem a ser Luciano Pavaroti, Placido Domingo e José Carreras, cantam ela ao vivo no Dodge Stadium. Um pouco empolada.
- Sid Vicious canta ela no “The Great Rock’n’Roll Swindle”. Uma das melhores verões.
- Gary Oldman, o antor que interpreta Sid Vicious no filme “Sid & Nancy” também canta sua versão. Parece ele mesmo copiando Sid.
- Nina Simone. Um ritmo apresado e curioso.
- Nina Hagen. Típico Nina Hagen, tudo o que ela canta parece o mesmo.
- Robbie Williams. Pobre.
- Julio Iglesias, em seu estilo de cantar sonambulo. Faz dormir.
- Shirley Bassey. No vídeo ela se exibe com um vestido feito em homenagem ao chocolate Sonho de Valsa. Canta com uma intensidade que ultrapassa os limites do possível e imaginável.
- Celine Dion. Pasteurizada, desidratada e asséptica.
- Hibari Misora, uma especie de Celine Dion japonesa, chora cantando. Ou ao contrário.
- Chitãozinho e Xororó, com smoking, chapéu e orquestra filarmônica em 2011. Tem outra versão em que cantam juntos com Cesar Menotti e Fabiano.
- Herman Brood, holandês, musico, poeta, ator, canta com a voz enterrada e recortada pelo excesso de alcool e drogas
- Andre Rieu e seu violino açucarado derramam sacarina a cada nota. Não recomendado para diabéticos.

- Demonios da Garoa, que soa como uma espécie de Gipsy Kings em prozac.
- Raphel, Rocio Jurado, Cauby Peixoto e Agnaldo Rayol.
- Engelbert Humperdinck. Cantor “cougar” inglês, no video aparece com a camisa suada e aberta no peito e tremendas costeletas no rosto.
- William Shatner cantando uma versão diferente, em uma entrega de prêmios, para George Lucas.
- Dois momentos diferentes: em um deles seu Henrique, personagem do filme “Edificio Master” de Eduardo Coutinho, mostra como canta – uma vez por semana –“My Way”. Outro é uma versão feita com palavras pronunciadas por Walter White de “Breaking Bad”. Parece chamada de aeroporto mas o resultado, funciona em vídeo, é um prazer visual para quem gosta do seriado e não se importa muito com a musica.
- Horia Brenciu, ator, apresentador de televisão e filantropista romeno também se permite sua versão. No vídeo aparecem, inexplicavelmente, os rostos de Tony Bennet, Nat King Cole e Dean Martin. Inexplicavelmente porque nenhum deles nunca gravou “My Way”.
- Psy. Esta versão ninguém merece ouvir.

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JOKER

Marcelo Tass, apresentador do CQC.

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1994

O texto publicado no caderno Ilustríssima do domingo que passou, no jornal Folha de São Paulo.

O mini Jorge Amado sorriu para mim.

“O Bóris não? quer morrer, Zélia.”
A voz era do Jorge Amado, e o comentário em voz alta tinha sido dirigido para Zélia Gattai. Cada um estava em uma sala dentro da casa, escrevendo, enquanto eu esperava do lado de fora, sentado na varanda, a hora certa para fotografar o escritor.
Estávamos em 1994. A casa era a da rua Alagoinhas, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador, casa que ele tinha construído com a venda para o cinema dos direitos de “Gabriela, Cravo e Canela”.
Na época eu morava em Nova York e fui contratado pela Standard Ogilvy, uma agência no Brasil, com a missão de fotografar Jorge Amado para uma campanha publicitária do cartão de crédito American Express.
A tarefa não era simples; normalmente as fotos publicitárias para o cartão eram feitas por Annie Leibovitz, uma das feras —e um dos meus ídolos— da fotografia mundial. Por reentrâncias e saliências da vida (questão de agenda, se falou), ela não poderia fazer esse trabalho. Eu teria de entrar no seu lugar e, claro, mimetizar seu estilo.
Era uma tarefa bastante inglória, tanto quanto seria a de um reserva do Barcelona ter que entrar no lugar do Lionel Messi e fazer dois gols nos últimos 15 minutos de um jogo de futebol.
No dia do trabalho, chegamos antes da hora combinada e nos pediram, gentilmente, para esperar um pouco. Foi aí, tomando um cafezinho, que ouvi a frase.
“O Bóris não quer morrer, Zélia.” “Que safado”, respondeu ela.
Demorei alguns minutos para entender que Jorge Amado comentava alguma coisa que estava escrevendo, e que eu tinha o privilégio de presenciar esse fenômeno criativo em que os personagens começam a ter vida própria e vão traçando eles mesmos seu destino. Os escritores costumam dizer que, nesse momento, a magia do ato de escrever atinge seu ápice.
Só anos mais tarde me dei conta de que naquele instante ele deveria estar lidando com o protagonista de um livro que nunca seria concluído: “Bóris, o Vermelho”.
Na hora certa, Jorge Amado se submeteu a todas as solicitações. Foi simpático, gentil e educado, mesmo com os constantes pedidos que eu fazia ao tentar achar a imagem que, imaginava, passaria à história da fotografia publicitária dos cartões de crédito.
Aproveito sempre, quando tenho a oportunidade de fotografar alguma celebridade, para fazer alguns registros para um livro que, desconfio, nunca será publicado.
Dessa vez, além de Jorge sozinho e ao lado de Zélia, pedi autorização para fazer algumas fotos retratando o escritor em seu lugar de trabalho. Com paciência, ele aceitou. Uma forte luz iluminava as folhas de texto colocadas sobre uma mesa, que me surpreendeu pelo seu tamanho reduzido.
Em certo momento, o que me pareceu o sinal para que o deixasse em paz, ele me deu um exemplar de “Navegação de Cabotagem” autografado com um generoso “Para J.R. Duran, mestre da fotografia, um obra de Jorge Amado. 1994”.
O tempo passou e voltei à Bahia para um outro trabalho. Fiz uma série de fotos de moda para uma revista italiana. A editora, uma moça divertida e culta, quis conhecer o Pelourinho e, como não, entramos no casarão da Fundação Casa de Jorge Amado.
Uma prateleira, encostada em uma parede, alinhava bonecos de todos os tamanhos reproduzindo a imagem do escritor. Para minha surpresa, uma das fotos que tínhamos feito para o American Express —a de Jorge Amado sentado numa rede laranja, vestindo shorts azuis, com uma camisa florida, chapéu de palha e chinelos brancos com listras azuis, segurando um bastão de madeira— tinha se convertido em um boneco de barro, daqueles feitos pelo Mestre Vitalino. O escritor, com não mais do que dez centímetros de altura, estava lá sorrindo para mim.
Sem querer querendo, tinha entrado na vida de Jorge Amado.

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