VERÃO

Daniela Oliveira para a revista Cidade Jardim.

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EGO

O texto que escrivi para o caderno Aliás do O Estado de São Paulo deste domingo.

Selfie
Vinda de 'self-portrait', ou autorretrato, eis a palavra do ano - um tipo de onanismo visual

Então é assim. Ao final do Grande Prêmio de Monza deste ano, na Itália, do alto de seu segundo lugar no pódio o piloto Fernando Alonso levantou o braço esquerdo e segurando um aparelho celular tirou uma foto dele mesmo. Clique e pronto. Precisar se fotografar, Alonso não precisava. Ainda mais se consideramos que um batalhão dos melhores fotógrafos esportivos do mundo inteiro estava a seus pés para registrar o momento que, diga-se de passagem, se tornou uma constante este ano: tomar vários segundos de diferença de Sebastian Vettel. Talvez para espantar o tédio, ou a frustração, é que ele praticou esse ato de onanismo visual que, acreditem se quiserem, tem uma denominação clara como uma imagem de 41 pixels. É o selfie. É assim que se denomina o exato momento em que alguém se fotografa com um smartphone com o propósito de postar a imagem nas redes sociais.
Na década de 1990 existiu, nos Estados Unidos, um programa de televisão para crianças chamado Pee-Wee’s Playhouse. Na casa de Pee-wee cadeiras falavam, humanos se misturavam com bonecos e robôs, ficção e realidade, tudo em um mundo lúdico e colorido que entretinha crianças e, frequentemente, adultos também. Em um certo momento do programa uma palavra qualquer era escolhida como "a palavra do dia", e a cada vez que ela era pronunciada as luzes se acendiam, as portas do cenário se abriam e fechavam e todo mundo batia palmas.
Para alegria e farra geral o Oxford Dictionary Online (e atenção, não é a mesma coisa que Oxford English Dictionary) decidiu que a palavra do ano é… selfie! E batemos palmas, como crianças de Pee-wee Herman, toda vez que alguém segura o celular com o braço estendido, levemente arqueado, com a lente apontada diretamente para si mesmo, espiando o coração de algum ego no ato de praticar quiromania fotográfica. A cada segundo nasce mais um perfeito selfie.
Em um momento não muito distante as pessoas viajavam e se fotografavam ao lado de monumentos famosos com a clara intenção de provar, na volta para casa, que tinham estado lá (e atire o primeiro celular quem nunca esteve em Pisa e fez uma foto empurrando - ou escorando - a torre). Hoje em dia não é preciso chegar ate a locação - a foto dentro do avião já é um selfie perfeito. A internet está repleta de imagens de pessoas que se fotografam em qualquer lugar, seja no banheiro, no restaurante, chapados na balada, com o bicho de estimação no colo, grávidas, dormindo, ou no reflexo de alguma superfície espelhada, a qualquer momento e sem nenhuma razão. Sempre fazendo cara de pato na tentativa de sugar as bochechas e parecer mais magro.
Os narcisos do smartphone precisam desesperadamente da polinização fotográfica nas redes sociais para que isso possibilite uma autofecundação digital de pixels emocionais. Uma legião de Zeligs desesperados padece da compulsão de se inserir em qualquer realidade para poder existir. Apenas porque se convencionou que se você tem um celular na mão e não está inserido em algum lugar você não existe. O que conta no fim do dia é a historia oficial espalhada na internet, como se a pessoa tivesse de ver sua imagem refletida na rede para ter certeza da própria existência. Nesse sentido os smartphones são o equivalente multiuso do canivete suíço, a perfeita síntese da portabilidade, neste caso repleta de imagens e emoções acumuladas em camadas e mais camadas de aplicativos.
É através dessa atividade de formiga digital que se pode escrever, verdadeiro mosaico de pequenas fotos, uma biografia visual que não requer edição nem leitura para ser entendida, basta apenas ser percebida. E sai dessa percepção a perfeita biografia imaginária. Surreal. Pode ser que as imagens não mintam, mas não se pode esquecer que a câmera sempre pode ser manipulada por um mentiroso de primeira categoria.
É curioso que essa superexposição da privacidade acontece em um momento em que se discute se as biografias devem ser, ou não, autorizadas. Como se sabe, é difícil apagar o passado na internet e o gesto de Fernando Alonso deixa o recado de que, apesar do testemunho de todas as objetivas ali apontadas para o campeão, apenas a imagem dele seria a mais verdadeira de todas. Porque nela Alonso se mostrou como queria, ou imaginava ser visto.
O personagem de Pee-wee Herman era interpretado por um ator chamado Paul Rubens. O programa dele terminou no auge do sucesso quando, ironia do destino, Paul foi pego pela polícia praticando o autoerotismo em um cinema para adultos, na Flórida. De acordo com as leis da cidade de Sarasota, o lugar podia ser restrito, mas isso não significava que ele pudesse chegar às vias de fato. O escândalo nos jornais foi tão grande que o show acabou.
Já, nas redes sociais, a autossatisfação digital do ego não causa espanto. Ela é digna, apenas, de um simples hashtag: #selfie.
E vamos aguardar a palavra do próximo ano.



QI

O texto de Nirlando Beirão sobre a Rev.Nacional #4, publicado na revista Carta Capital #775.

Choque de Brasil
Na Rev.Nacional, os textos ilustram e fotos contam histórias.
O catalão J.R.Duran, aquele garoto que ele ainda transparece até hoje, aos 61 anos, chegou ao Brasil no dia 3 de janeiro de 1970. Aportou no Rio, vindo de Barcelona, a bordo do SS Cabo São Roque. “Como todo imigrante, viajei de navio.” Não se deixem enganar: Duran veio de primeira classe.
Em terra firme, a vida reiteraria sua condição de passageiro de primeira. Por mérito dele. Duran de cara se destacou como aquele fotógrafo que conseguia fazer dos ensaios para revistas masculinas uma rara aragem de requinte (é de antologia aquela Adriane Galisteu, para a Playboy, em que um aparelho de barba virou protagonista da foto). Estendeu para a moda um descortínio que ia além das aparências bobinhas. Passou a exercitar, a seu jeito, um registro da realidade que vai muito além da crueza apressada do fotojornalismo. Virou um mestre dos portraits surpreendentes. Seu talento extrapolou o esmero da imagem: Duran acaba de lancer seu terceiro romance, Cidade Sem Sombras, que tem Macau como cenário (os outros se passam em Lisboa e Santos).
Uma vez por ano, Duran lança sua Rev.Nacional – com o desafio de fazer do Brasil, e só do Brasil, o personagem de seus cliques. Ele, que já teve oito passaportes, testemunhas de sua vocação de globetrotter e de profissional do planeta, decidiu arriscar-se a “captar o que todo mundo já viu com um olhar novo, de um jeito diferente”. Daí a ousadia de fotografar, in loco (“numa favela do Rio hoje pacificada”, é tudo que revela), os meninos do tráfico. Sobre o tema escreve o antropólogo Luiz Eduardo Soares. “Os textos não são legendas para as fotos, as fotos não ilustram os textos”, ensina Duran.
A Rev.Nacional chega à quarta edição (tiragem de mil exemplares à venda, por 384 reais, apenas na Loja do Bispo, em São Paulo, editoradobispo.com.br).

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CASSINO

Marina Dociatti para a revista Vogue.

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A coluna Polaroid, publicada na revista Trip.

Algumas notas de rodapé que podem, ou não, envolver a solidão.
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Nas redes sociais (Twitter, por exemplo), quando o número de posts de uma pessoa é muito maior do que o número de seguidores, o que fica é a certeza de que a pessoa está precisando, desesperadamente, chamar a atenção. Isso se chama solidão virtual.
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“Aprendi que é suficiente estar com aqueles de quem gosto”, disse Walt Whitman, o homem que escreveu Folhas da relva.
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Fazer compras, seja o que for, é um momento de interação. Mesmo que seja só com o vendedor. Comprar qualquer coisa no free shop, dentro de um avião, me parece ser um dos momentos mais solitários que alguém pode experimentar.
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Por outro lado, se você esta aí, registrando tudo o que faz, o que come e o que vê e coloca na rede esperando a aprovação dos outros (os inevitáveis likes e tal), acha que o número de seguidores aumentando faz de você uma pessoa popular e amada, saiba que o que você tem é ouro de tolo, areia que escorre nas mãos. Não pense que está acompanhada, está apenas sendo seguida. Ter muitos seguidores nas redes sociais é a mesma coisa que ter muito dinheiro jogando Banco Imobiliário.
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Não se engane, a solidão é um estado de espírito, e não existe momento pior do que se sentir só quando rodeado de gente. Não é à toa que é nas grandes cidades que o sentimento de solidão e fracasso é muito maior.
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Quem tem livros em volta está sempre em boa companhia. Pelo menos se tiver escolhido os livros certos. Assim como na vida exterior, é preciso saber escolher a companhia. Me diz com quem você anda e eu direi quem você é. Me diz o que você lê e eu direi quem é.
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“Perambulei solitário igual a uma nuvem” (I wandered lonely as a cloud) é como começa um dos poemas de William Wordsworth, um dos maiores poetas românticos ingleses. Ele se sentia feliz nesse estado.
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Lembro-me perfeitamente de três momentos em que estava só e, mesmo em condições de pouca segurança física, me senti extremamente feliz:
- Quando pus os pés pela primeira vez nas areia do deserto do Saara. A sensação de não ser nada, de não existir mesmo estando vivo, respirando e de olhos bem abertos era perturbadora.
- Quando encalhei o carro no meio de um rio na Etiópia, bem na trilha dos elefantes que, em poucas horas, voltariam para beber água.
- Quando tive de ficar sentado em um banquinho uma tarde inteira. Foi num check-point na Eritreia, rodeado de rapazes segurando AK-47 e esperando meu guia voltar com o salvo-conduto que tinha esquecido embaixo de uma pedra na porta de um mosteiro que tínhamos visitado horas antes.
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Ainda da série de frases feitas pela sabedoria popular e sempre esquecidas na hora do aperto: “É muito melhor estar só do que mal acompanhado”.



VERMELHO & BRANCO

Nathalia Dill para a revista Estilo.

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AFRICA

Vinte Massais.

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O texto de Daniela Falcão sobre o livro "Cidade sem sombras" (Benvirá, 2013), publicado na revista Vogue deste més.

Pouca gente sabe, mas J.R.Duran é escritor de romances policiais. Ele também edita uma revista (a Nacional) e tem uma coluna na Trip. Mas é quando descreve as andanças desastradas por Macau de André Ferraz (ou Fabrizio), o narrador de Cidade sem Sombras, seu terceiro romance, que ele mostra que é (quase) tão bom martelando o teclado do computador quanto acionando o disparador da câmera. Com olhos de fotógrafo, Duran sabe descrever bem os muquifos por onde perambula seu protagonista desencantado, sempre com a visão meio turva pela ressaca. Sem reinventar o gênero, consegue prender a atenção pelas 173 páginas do romance. E mostra que suas andanças pelo mundo rendam mais que belas fotos

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