APARTAMENTO

O texto de Jeff Ares sobre o livro "Cadernos de Viagem" publicado na revista RG de maio.

Viagem ao redor do meu quarto.
Para marcar territories conquistados o fotógrafo J.R.Duran lança um diário de viagens ilustrado por… desenhos.
“Numa viagem, o apartamento do hotel é um mundo à parte, situado a meio caminho entre o lugar visitado e a casa deixada para trás em outro país, outra cidade. De certa maneira, o quarto passa a ser o centro gravitacional dos dias passados em lugares desconhecidos. Como se fosse uma esfera de proteção que acaba se tornando um segundo lar”. A ode ao quarto de hotel é a tônica do prefácio e do inteiro livro ‘Cadernos de Viagem’, de J.R.Duran. Aqui, o tremendo fotógrafo prescinde de seu mais famoso dote e se divide em outras tarefas com igual brilhantismo. Seu diário de viajante usa o desenho para fazer um compêndio ilustrado dos quartos de hotel em que se hospedou, de Iquique a Courchevel, passando por Utrera a Asmará (sim, trata-se também de uma aula de geografia) em uma volta ao mundo entremeada por ótimas histórias, pequenas reflexões filosóficas, um ou outro gossip de trabalho (ele desanca esta RG – em outra gestão! – no capítulo dedicado ao hotel Mama Ruisa). À primeira vista, a ilustração de um fotógrafo ganha o posto de vedete da obra, mas uma boa lida revela o quão bom de texto ele é. Isto porque tem repertório matador e sinapses irônicas que rendem bem humorados conjuntos de palavras. Tipo: “O xampu que eu trouxe no meu nécessaire estourou dentro da mala e se espalhou pela roupa toda. Enquanto tentava tirá-lo das minhas camisas, contemplo na televisão uma imagem fixa avisando que um tufão da categoria 3 estava para chegar a Macau.”
Uma última curiosidade, para atiçar a sua: em seu escritório, Duran mantém uma pilha de cartas, escritas em papéis timbrados e envelopes destes hotéis pelos quais passou. Cartas para si, com impressões sobre os quartos, os lugares, os acontecidos, relatos próximos aos que estão no livro. “Cansei de mandar cartas e não receber respostas”. As cartas nunca foram abertas. Até agora.

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POLAROID

A coluna deste més da revista Trip.

Tive de correr da polícia uma única vez. Foi na primavera de 1968, na praça que existe bem em frente à Universidade de Barcelona. De um lado, estavam os estudantes, se manifestando contra a ditadura e a favor da liberdade de expressão e todas as outras coisas que uma democracia carrega junto. Do outro, “els grisos”, ou os cinzas, como era chamada a Polícia Armada, o braço repressor mais evidente do governo franquista. Os uniformes deles eram cinza e, talvez por isso, estivessem sempre dispostos a descer o porrete em quem discordasse de qualquer coisa.
Nesse dia, grande parte dos grisos estava montada a cavalo. Uma das maneiras básicas para evitar manifestações era – e ainda é – não deixar grupos grandes se formarem na rua. Nós, estudantes, caminhávamos então de três em três, no máximo quatro, até o momento em que a quantidade de pessoas fosse o equivalente ao espaço disponível para circular na praça. Era um jogo marcado e, nesse momento, quando cada pessoa dispunha de seu metro quadrado, é que as primeiras bombas de efeito moral começavam a rasgar o ar por cima das cabeças dos estudantes. Era o momento, também, em que a polícia montada carregava, a galope e em formação cerrada, contra os manifestantes. Até o mais bobo, ou mais corajoso, sabia que era então a hora de correr.
Foi o que fiz, mas antes presenciei uma cena que me deixou arrepiado. Alguém, não muito longe de mim, jogou sobre o asfalto um punhado de bolas de gude que levava nos bolsos do casaco e das calças. O efeito das bolinhas nos cavalos da polícia foi dantesco. A cena que vi, quando olhei de novo para trás e sem fôlego, depois de dar um sprint de alguns metros, parecia a reprodução de alguma tela épica de Delacroix: cavalos de pernas para o ar, policiais despencando, capacetes rolando pelo chão, volutas de gás lacrimogêneo e gente apanhando de mais policiais, à paisana. Sangue e gritos.
Eu não estudava na faculdade, nem sequer morava em Barcelona nessa época. Nesse dia tinha matado aula para assistir a um filme de arte. No metrô fiquei sabendo da manifestação. Decidi trocar o escuro do cinema pela chance de poder reclamar, em voz alta, uma liberdade que ainda demoraria anos para chegar. E como fiquei sabendo que iria acontecer uma manifestação? Não sei, não me lembro. O certo é que não existia internet, celular e os jornais estavam censurados. Mesmo assim, todos sabíamos onde e como as coisas iriam acontecer. Como? Muito simples. As pessoas se comunicavam umas com as outras da maneira como sempre foi feito: falando, interagindo. De vez em quando um panfleto mimeografado colado em alguma parede, na mão de um conhecido ou na sarjeta de uma rua dava a dica.
A internet, não se enganem, pode agilizar as comunicações entre quem se revolta – seja na primavera ou em qualquer outra estação do ano –, mas o mundo digital também está do lado de quem o controla. Os movimentos de hoje, como os de sempre, obedecem todos ao mesmo impulso: o fim de um ciclo que a necessidade de renovação – que não quer ser percebida por quem detém o poder absoluto – torna inevitável. Não há batalhões de "grisos" que segurem a multidão nas ruas. Com ou sem rede social.



DOCTOR JEKYLL & MR. HYDE

Texto de Tom Cardoso sobre "Santos", "Lisboa", "Rev.Nacional" e "Cadernos de Viagem" na Revista da Cultura #69.

Duran X Duran
Balançado entre o amor pela literatura, desenvolvido desde cedo, e a fotografia, paixão mais do que declarada, J. R. Duran se autodenomina ‘o fotógrafo que escreve’: em nossas palavras, aquele que sabe lidar muito bem com seus conflitos internos e não é dono de apenas um talento
Há dois J.R.Duran convivendo na mesma persona, em permanente conflito, alimentando um ao outro. Um, o fotógrafo, é visível, bem-sucedido, de predicados conhecidos, associado – mesmo que essa seja apenas uma faceta de seu trabalho – à beleza e à nudez da mulher brasileira, invejado, portanto, por marmanjos de todas as gerações. O outro, o escritor, é praticamente desconhecido do grande público, apesar dos dois romances publicados, um autor que escreve para si mesmo, cada vez mais minimalista e criterioso, ainda vitimado pela timidez. “Coloca aí: ‘Sou um fotógrafo que escreve’”, diz, sentado frente ao repórter, em uma das salas de seu amplo estúdio na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Acima da mesa, no centro da parede branca, um imenso retrato de uma modelo nua, esparramada em um sofá vermelho – é o peso e a leveza de ser J.R.Duran.
Aos 60 anos, Duran lida bem com seus conflitos internos. Não, ele não é o fotógrafo-personalidade que, entediado com o sucesso, decidiu provar para si mesmo – e para os outros – não ser dono de um talento só e que, a partir daí, passou a escrever compulsivamente. O caso de amor com a literatura é antigo, desde que devorou, aos 13 anos, O vermelho e o negro, de Stendhal, e passou a despir a biblioteca de 6 mil livros do pai, industrial do ramo da metalurgia – uma espécie de versão catalã de José Mindlin. As discussões na casa da família na vila de Mataró, a 33 quilômetros de Barcelona, acabavam sempre em acalorados debates políticos. Eram tempos duros, de ditadura franquista, e o jovem Duran desbravou o mundo por meio dos livros. “Eu morava numa cidade pequena, onde as relações eram muito básicas, provincianas. Com os livros, comecei a entender que o mundo tinha suas nuances”, diz.
O escritor J.R. Duran foi morto logo cedo – até sua ressurreição, promovida por ele mesmo, durante um feriado prolongado em Nova York. Ironicamente, por quem jamais deveria sepultá-lo: seu professor de redação em Mataró. Cada aluno tinha que fazer um texto com o seguinte tema: “A chegada da chuva” e Duran, com pelo menos 20 clássicos na bagagem, caprichou. No dia seguinte, o professor entregou as redações corrigidas, com suas respectivas notas. A de Duran foi um rotundo zero. “Questionei o professor e não acreditei no que ouvi: ‘O zero foi merecido. Você copiou o texto de algum escritor’”. Uma leitura mais calma do episódio, liberta de ódio, podia chegar à conclusão que se tratava, no fundo, de um grande elogio do mestre, mas o adolescente, enfurecido, decidiu nunca mais escrever. O escritor, adormecido, porém, jamais matou o leitor.
Duran chegou ao Brasil em 1970, aos 20 anos, onde começou a cursar a Faculdade de Comunicação Anhembi ao mesmo tempo que trabalhava como assistente do fotógrafo catalão Marcel Giro. A trajetória é conhecida: os primeiros cliques para as revistas Pop e Manequim, passando pelos inspirados e ousados nus feitos para a Playboy, até o reconhecimento internacional como fotógrafo de moda, assinando ensaios na Elle e na Vogue. Não que tudo tenha sido fácil e rápido. “Concorro com os meus limites todos os dias”, diz. E com a timidez também. A mesma que o levou a adiar o surgimento do escritor J.R.Duran é responsável pelo sucesso como fotógrafo. “Virei fotógrafo para me aproximar das pessoas”, diz. E o fotógrafo, ironicamente, contribuiu para que o escritor, enfim, desabrochasse.
Ele morava em Nova York quando foi contratado para um trabalho que duraria dez dias em uma pequena cidade dos EUA. Na última hora, o contratante cancelou o serviço e o fotógrafo brasileiro se viu diante de um feriado prolongado sem nenhum compromisso. Do tédio à criação. "Lisboa", um policial noir, com influência de Raymond Chandler, foi escrito de uma tacada só, mas Duran, ainda atormentado pela sombra do professor catalão, decidiu engavetá-lo. Ele nega, porém, que tenha adiado tanto sua volta à escrita por causa da traumática experiência vivida na infância. “Sabia que conseguiria escrever um livro quando quisesse, mas estava focado em outras coisas”, garante. Lisboa foi publicado quase dez anos depois, por uma, na época, recém-fundada editora, comandada por Sonia Nolasco, viúva do jornalista Paulo Francis.
O livro de estreia passou despercebido, talvez pelo esforço do autor de deixar claro que essa era a obra de um escritor estreante, e não de um fotógrafo tarimbado, o que explica a capa sem nenhuma imagem. O segundo romance, "Santos", publicado seis anos depois, também seguiu o script do primeiro, com o próprio autor não fazendo muito esforço para divulgá-lo. O tom autodepreciativo dominou as entrevistas do escritor-fotógrafo. “O que mais me intriga é notar que tem gente que quer publicar os meus livros.” Para a crítica, Duran havia amadurecido do primeiro para o segundo romance. Raul, o personagem principal da trama, era um escritor fracassado que fazia anotações à margem das centenas de livros que lia. Um quase alterego.
No meio do fotógrafo de sucesso e do escritor inseguro e instável, surgiu o editor/jornalista, este sim com uma demanda enorme, sem tempo para lamúrias. Desde o lançamento de Lisboa, J.R.Duran virou colunista da revista Trip, cronista do caderno de cultura (já extinto) do jornal Brasil Econômico, repórter da revista GQ e publisher da "Rev.Nacional", uma super-revista com dois quilos e um número por ano, que vale o quanto pesa: jornalismo literário de primeira linha, acompanhado de belas fotos assinadas pelo próprio. No início, a ideia era distribuir a publicação entre os seus seguidores do Twitter, mas o fotógrafo não contava com a proliferação em massa de seus fãs internautas, que hoje passam dos cem mil, nem com o sucesso instantâneo da publicação – quem estiver interessado em comprar um exemplar da "Rev.Nacional" tem que desembolsar R$348.
Já era tempo: o sucesso como jornalista encorajou o escritor. Foi lançado recentemente o título "Cadernos de viagem", diários de suas viagens de 2008 a 2011, o qual apresenta páginas ilustradas com aquarelas pintadas pelo próprio fotógrafo. “Soube, pelos editores, que o livro está vendendo muito bem”, diz Duran, orgulhoso. E vem aí o seu terceiro romance, outro policial, já entregue à editora e que será publicado ainda neste ano. O escritor teria, finalmente, peitado o fotógrafo? “Nom”, revela (os 40 anos de Brasil não conseguiram apagar o sotaque catalão), para repetir, de novo, sua palavra de ordem: “Sou um fotógrafo que escreve”. Sei.

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PINCEL

Arthur Nogueira escreve sobre "Cadernos de Viagem" para a revista Leal Moreira #36.

Solidão sem Melancolia
Avesso a qualquer rótulo que possa cercear a arte ou a própria vida, J.R.Duran é um homem inquieto. Apesar de ser um dos fotógrafos mais requisitados do país, ele sempre fez questão, durante toda a carreira, de não limitar a sua expressão à fotografia. Ela é preservada como um dos caminhos possíveis, dentre tantos trilhados pelo olhar particular que ele lança sobre o mundo.
Conhecido no Brasil por ensaios de moda e retratos de beldades para revistas masculinas, Duran nasceu em Barcelona, em 1952. Veio para cá na década de 1970, aos 18 anos, por motivos familiares. Àquela altura, devido à tensão do momento político que a Espanha atravessava, o Brasil representava para o jovem catalão a mesma coisa que, segundo ele, depois de tantos anos, representa ainda hoje: “um lugar de muito sol, de muito calor, de gente muito bonita.”
Em São Paulo, onde fixou residência, Duran estudou Comunicação na Faculdade Anhembi e deu os primeiros passos profissionais como assistente do fotógrafo Marcel Giró. O estúdio próprio só foi montado no final da década de 1970, quando ele passou a trabalhar com moda e publicidade - ramos que o tornaram nacionalmente conhecido. Em mais de trinta anos de carreira, o estrangeiro foi agraciado com dezenas de prêmios de fotografia e concebeu ensaios sensuais de celebridades como Xuxa, Cláudia Raia, Maitê Proença e Adriane Galisteu para a revista ‘Playboy’.
Ao ser questionado sobre a sua trajetória profissional, J.R.Duran opta por celebrar o presente: “gostaria mesmo de falar do meu último livro.” Mas, admite: “trilhei os caminhos que eu achava que tinha que trilhar para chegar aonde queria. Não foi fácil, mas percebo que também não foi tão complicado assim.”
O referido “último livro” tem o título ‘Cadernos de Viagem’ e foi publicado em 2012 pela Editora Benvirá. Ao contrário do que se espera do trabalho de um retratista de sucesso, a publicação não inclui nenhuma fotografia. Consiste em um diário de viagem ilustrado por aquarelas, que registra a passagem de J. R. Duran por 54 quartos de hotéis em 35 países.
Faceta pouco conhecida do fotógrafo catalão, pintar é uma atividade antiga, na qual ele investiu em aperfeiçoamento ao longo dos anos. “Não é que eu seja um pintor, mas um ilustrador, talvez. Quando fazia as minhas aquarelas, os meus diários, eu não pensava que esse material poderia um dia ser publicado”, confessa. O conteúdo do livro foi produzido no período de três anos, mais precisamente, de janeiro de 2008 a janeiro de 2011, em cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Itu, Pequim e Johannesburgo.
Sobre o sentimento de solidão, o “estou a zero” que uma noite de hotel, como diz a canção de Caetano Veloso, pode despertar, Duran considera um aspecto positivo desse trabalho. Longe de qualquer melancolia, ele reconhece a sua estada nesses lugares e os experimentos que resultaram no livro como uma busca solitária por compreender melhor o universo ao seu redor. “Em viagens, existem aqueles momentos mortos. Por exemplo, eu acordo às seis horas da manhã, mas o meu compromisso é às nove, então, em vez de ir ver televisão, transformo a espera em literatura e pinto o que eu não posso capturar com a câmera”, explica.
Para esse artista multifacetado, é clara a distinção entre as formas de expressão artística com as quais trabalha. “A fotografia diz muita coisa, mas é uma obra em aberto. A escrita tem um desdobramento mais profundo. Enquanto a fotografia é mais direta, mais impactante, o texto conduz a labirintos que escondem muitas coisas”, garante.
Ainda assim, apesar das diferenças, as experiências se entrecruzam. Afinal, as viagens que provocaram a produção literária e as aquarelas só foram possíveis graças à fotografia, isto é, surgiram devido aos trabalhos fotográficos que Duran precisou realizar naqueles lugares. Este, segundo ele, foi mais um ponto a favor, porque “quando você viaja a trabalho, a imersão no lugar é mais profunda.”
Em texto disponível no site oficial de J.R.Duran - jrduran.com.br, o jornalista Thales Guaracy, editor do ‘Caderno de Viagens’, descreve a publicação como “um livro impecável, único, de um talento brasileiro”. A respeito disso, Duran admite que, depois de tanto tempo vivendo no Brasil, foi impossível não ser absorvido pela força e personalidade da cultura do país. “Hoje, quando eu volto para a minha terra, eu sou um estrangeiro em Barcelona. Acho que eu devo ser mais brasileiro do que qualquer outra coisa. Não tem como não ser”, reconhece.
Fora do âmbito pessoal, ao medir a influência do Brasil em sua trajetória profissional, Duran cita o exemplo de um paraense, o fotógrafo Luiz Braga. “Certa vez, eu fui a Belém e, quando comecei a fotografar, percebi que todas as fotos pareciam ser dele, porque a luz é única em Belém. Você começa a sentir como se estivesse pisando em um território que pertence ao Luiz Braga, o que é verdade. Todo mundo absorve impressões do lugar onde mora.”
Quando está às voltas com a concepção de um novo trabalho, seja na fotografia ou na literatura, J.R.Duran procura deixar de lado todas as influências externas, de modo a perseguir, dentro de si, um estilo próprio e livre. “Nessa fase, tento ler somente escritores neutros, que não tenham um estilo bem marcado. Leio biografias, por exemplo”, conta. Tudo para não ser, segundo as suas próprias palavras, “contaminado”.
Quando não está trabalhando, porém, ele se considera um dedicado apreciador de arte. “As influências que eu tenho se misturam, entre fotógrafos, cineastas e pintores. Por exemplo, os pintores do século XIX, os cineastas franceses da Nouvelle Vague e muitos fotógrafos. Se você der uma olhada em minha estante de livros, tem de tudo”, observa. “Eu não posso dizer um nome, dois nomes, porque eu vou absorvendo pedacinhos de cada um”, continua ele, que se diz interessado não só na produção, mas na história de vida dos artistas que admira. “No ano passado, eu estava lendo sobre Caravaggio e cheguei a fazer uma viagem para Malta só para contemplar ao vivo uma de suas telas, a ‘A Decapitação de São João Batista’. Mesmo assim, se você procurar a luz de Caravaggio nas minhas fotos, não vai encontrar”, pondera.
Já o fascínio pela literatura, J.R.Duran atribui, em grande parte, a dois autores franceses, Michel de Montaigne e Marcel Proust. “Os ensaios de Montaigne têm tudo a ver com fotografia, com a busca da melhor forma de enxergar as coisas, de trazer o mundo para dentro dos olhos”, poetiza. “No ano passado, eu fui ao Castelo de Montaigne e até deitei na cama dele, quando ninguém estava olhando!”, conta, bem-humorado, em mais uma referência ao inquieto viajante que abriga dentro de si.
Aliás, a respeito da influência de Proust, quando declara que existem coisas que a câmera não é capaz de capturar, Duran poderia citar o seguinte trecho de ‘Du côté de chez Swann’, em tradução de Mário Sérgio Conti: “quando nada subsiste de um passado antigo, depois da morte dos seres, depois da destruição das coisas, solitários, mais frágeis mas mais vivos, mais imateriais, mais persistentes, mais fiéis, o odor e o sabor restam ainda por muito tempo, como almas, a recordar, a aguardar, a esperar, sobre a ruína de todo o resto, a carregar sem vergar, sobre a sua gotinha quase impalpável, o edifício imenso da lembrança.”
Ainda que muitos intelectuais reconheçam não ser possível determinar a função principal da arte ou o motivo principal do trabalho do artista, em J.R.Duran o motor parece ser a celebração do mundo e de todas as possibilidades que estão disponíveis, a todo momento, para ele. Eis de onde vem, por exemplo, o interesse por Montaigne e Proust. “São as duas melhores leituras para compreender o mundo”, sentencia, com seu português carregado de sotaque catalão.

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RED

Bruna Marquezini para a revista RG.

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GUITARRA

Renata Kuerten para a revista GQ.

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