ROOM SERVICE

Texto de Alana Della Nina sobre "Cadernos de Viagem" publicado na revista Gol de dezembro.

Num quarto de hotel
Novo livro do de J.R.Duran revela um talento do fotógrafo que poucos conhecem: o de desenhista
Quando se fala em J.R.Duran, a referencia imediata que se faz é com a fotografia. Justa, porem não exclusiva.
Além da maestria com as lentes e de sua habilidade em escrever – Duran é autor de dois livros policiais, Lisboa e Santos -, o fotógrafo catalão revela agora outra faceta sua: a de desenhista. Sua nova obra, Cadernos de Viagem, trás, alem de anotações pessoais, diversas aquarelas que retratam os quartos por onde passou durante suas inúmeras viagens a trabalho.
De Pequim a Paraty, Duran fala em um texto bem pessoal e sem firulas sobre 54 hoteis em que se hospedou de 2008 a 2011, incluindo histórias dos bastidores do seu nem sempre glamoroso trabalho de fotógrafo e peculiaridades de quem se importa com detalhes. Tudo servido, claro, com os seus belos desenhos.
Segunda Casa.
Aqui Duran fala sobre desenhos e camas.
-Como surgiu a idéia do livro?
Thales Guaracy, o editor do livro, já conhecia há anos meus desenhos e notas. Um dia ele me sugeriu que lançasse um livro com esse material. Topei na hora.
- Por que você fez anotações e desenhos sobre os seus quartos de hotel?
Desde sempre faço desenhos e escrevo em meus cadernos de viagem. O que eu decidi foi retratar todas as cama fora da minha casa. As cidades, as pessoas e lugares eu já fotografo. O quarto do hotel é diferente, um ponto de equilíbrio, torna-se uma segunda casa, um lugar seguro dentro do desconhecido.
- Por que colocar apenas as iniciais dos nomes das pessoas citadas?
Eu queria fazer um livro em que o que aconteceu fosse mais importante do que com quem aconteceu, em que os personagens não mudassem o sentido das coisas, das histórias. Mas é fácil adivinhar quem esta lá.

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GOOD TRIP

Texto de Fernando Paiva, sobre o livro "Cadernos de Viagem", publicado na revista The President.

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A Melhor de todas as viagens
J.R.Duran, tem duas manias quando viaja: Fotografar(e desenhar) quartos de hotel onde se hospeda e enviar cartas para si mesmo. As cartas, que já encheram algumas caixas de sapatos em seu estúdio paulistano na Vila Madalena, ele jura que só abrirá quando estiver bem velhinho. As ilustrações – belas e poéticas aquarelas lançadas sobre as folhas de um caderno de esboços Moleskine – fazem parte do recém - lançado Cadernos de Viagem (Ed. Benvirá). Vale a pena investir algumas deliciosas horas para se ilustrar, literalmente viajando nesse diário de bordo cheio de notas de pé de pagina. E, de quebra, ainda se divertir tentando identificar os personagens ocultos nesse roman à chef. A expressão francesa, cuja tradução aproximada é “ romance com chave” designa a forma narrativa na qual o autor trata as pessoas reais por meio de personagens fictícios. Aqui Duran optou pelas siglas para identificá-los. Essa opção se deu principalmente pela necessidade de o fotógrafo compartilhar, com algum nível de discrição, informações privilegiadas sobre bastidores, vida íntima ou escândalos de seus companheiros de viagem. Tudo tratada com a delicada combinação de elegância e ironia.
Em virtude de seu trabalho, como se dizia antigamente em Portugal, Duran andou por ceca e Meca e olivais de Santarém. De Pequim a Búzios, de Belo Horizonte a Jaípur, as bem editadas paginas desse volume laranja retratam a melhor das jornadas – aquela para dentro de nós mesmos pequeno clássico inspirado naquele outro, Viagem em volta do meu quarto, de Xavier de Maistre – escrito pelo oficial francês em 1790 durante 42 dias em que ficou detido em prisão domiciliar por causa de um duelo em Turim.



BEAUTIFUL

Campanha da AlmapBBDO para O Boticario.

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POLÍTICA

Entrevista para Bruno Hoffmman da revista Campaings & Elections Brasil.

O fotógrafo por trás das lentes
Era uma tarde de verão daquelas em que o ar de São Paulo parece se solidificar numa combinação de poluição e mormaço.
Felizmente, dentro do estúdio de J. R. Duran o ar-condicionado no máximo garantia o clima ameno, como amena foi a conversa com um dos mais celebrados fotógrafos do País. acompanhado de outro profissional menos conhecido do público, Tarcísio Dantas, um grande diretor de arte e antigo parceiro de Duran numa vertente pouco conhecida do seu trabalho: a fotografia de candidatos para campanha eleitoral. Ambos se tratam mutuamente por “maestro”, numa indicação de que a relação pessoal transcende a profissional. O resultado desta parceria entre ambos — as fotos de muitas campanhas das quais jamais saberemos a autoria, pois eles não revelam para quem trabalham — pode até ter menos apelo que as fotos glamorosas de beldades em poses sensuais pelas quais Duran acabou se consagrado, mas a conversa que se segue, não: foi um bate-papo hilário entre dois grandes mestres da sua arte, com direito a uma espécie de faixa-bônus. “Mas eu que vou ser o entrevistado?”, perguntou Duran. De início arredio, ao final da entrevista Duran arrancou o gravador das mãos do repórter e começou um diálogo de bate-pronto com seu antigo parceiro Tarcísio. O resultado está abaixo:
- O que diferencia fazer uma foto de um político de uma foto de uma mulher nua?
Negócio é o seguinte. É muito simples: as fotos são boas ou são ruins. Não tem meio termo. O que é uma boa foto? É uma foto que tem impacto, que atrai que você retém na mente. Tem vários propósitos para a fotografia. Uma foto publicitária deve ter certos requisitos. Uma foto jornalística tem outro tipo de informação. Uma foto de propaganda política, vamos chamar assim, é um retrato. O retrato, de todas as vertentes da fotografia, é quase que um embate. É você e o fotografado. Não é uma luta de boxe, uma tourada, mas é um momento de tensão entre duas pessoas... Eu uso a palavra retratar porque quero reproduzir essa pessoa como ela é. O que eu tenho de fazer é mostrar essa pessoa de uma maneira diferente sem que ela deixe de ser quem é. Digo diferente não querendo dizer melhorá-la ou emagrecê- la ou mude fisicamente. Tenho que fazer a pessoa da maneira como ela é. E os políticos não têm prática de ficar na frente da câmera. Então essas pessoas não têm saco de ficar muito
tempo ali. Uma modelo sabe, mas um político, por mais que ache, não tem a noção necessária. Ou então fica na zona de conforto dele e produz o que ele acha que é bom. É um exercício sutil, em que cada um deixa um pedaço: eu deixo um pedaço meu, ele deixa um pedaço dele e a gente constrói uma imagem. Não é uma máscara, um disfarce. Estou só ressaltando o que essa pessoa é. Isso numa arena mínima, porque você não conta com tantos outros recursos. Mas isso é que é genial! Mas de qualquer maneira os requisitos são diferentes. Se faço uma revista de moda é outra coisa. A expectativa é outra. No caso da foto eleitoral eu tenho uma pessoa de cotovelo para cima, mas a gravata tem que estar bem amarrada, o nó tem que estar bem dado.
- Tem que ter gravata?
Pode ter, pode não ter. Isso o Tarcísio que vai decidir. Se tem, o nó tem que estar bem dado, o colarinho tem que ser certo. Tudo é uma questão de proporção. As pessoas têm o pescoço mais largo, mais curto, bochecha, nariz. Ao se vestir as pessoas esquecem por que existem diferentes colarinhos, maneiras de dar nó etc. É para favorecer a sua imagem. O que é preciso na foto é adequar para que elas se sintam à vontade. É quase que fazer uma coisa sob medida, como um alfaiate.
- Digamos que a estratégia da campanha identifique que o candidato deva aparecer mais simpático. Esta informação é passada para você na hora da foto?
Eu não sei da estratégia da campanha e não quero nem saber. E para mim é muito óbvio que a pessoa tem que ser simpática. Ninguém nunca veio aqui dizendo que queria ficar menos simpático [risos] A única coisa que não sou é fotojornalista. Os meus padrões estéticos são diferentes. Eu otimizo as pessoas. Mas isso vale para homens, mulheres, moda, publicidade.. É parte da minha maneira de ver as coisas. Isso não quer dizer que eu tenha que fazer operações plásticas. Não sou cirurgião para fazer essas pessoas mudarem. Se o cara tem barriga, bochecha, ele vai aparecer assim. Não adianta você transformá-lo em outra pessoa. Senão quando ele subir no palanque vai parecer um palhaço. É muito mais sutil do que parece, assim como é muito mais sutil do que se imagina fazer esse trabalho. De cinco, seis, sete paletós azuis que tem aqui nenhum é igual: o tom, o corte, pode servir para alguém do mesmo manequim, mas para outro não serve.
- Você tem um processo antes de fotografar o candidato? Conversa antes, explica, descontrai?
Tudo depende do dia. Aqui estamos para atender as pessoas. Atendo todo mundo. Agora reajo ou ajo de acordo com cada um. A primeira coisa que pergunto é: “Quanto tempo você tem disponível?”. Uns têm meia hora, outros dizem: “Estou aqui o tempo que for necessário, porque sei que isso é importante para mim”. Mas não fico aqui jogando conversa fora, mesmo porque tem muitos profissionais envolvidos, tem todo um processo hierárquico. Estamos aqui para trabalhar, não é festa.
- Você tem algum ritual teu...
Porra, não sou macumbeiro, caralho! [risos] Não, não tenho porque nem sempre conheço as pessoas, conheço pela imprensa. Às vezes são pessoas que retornam ao estúdio. Quer dizer, sei quem são, mas... Às vezes o cara chega aqui, é o telefone que toca, um pepino que estoura... O processo de eleição tem uma dinâmica paralela que é muito imediatista. Eu reajo de acordo com o cara. Pelo meu baú de experiência, sei como fazer com cada um. Tem uma história engraçada: fiz a capa da Época desta semana (29 de fevereiro), com o Gianechini, o editor da revista, Marcos Marques, conta no blogue da redação uma coisa que eu não lembrava. Ele lembra que uma vez nós fizemos uma candidata à prefeitura para a capa da revista. A pessoa chegou aqui e, por algum motivo – estas coisas acontecem - não estava contente. Aí o Marcos falou: “Assim não vai dar, a capa é positiva, precisávamos de um sorriso”. E aí estou contando o que ele falou que eu fiz: cheguei perto da candidata e falei alguma coisa. Voltei a fotografar e ela começou a sorrir. E saiu a capa! Quando ela foi embora ele perguntou o que eu tinha falado para ela. “Falei que foto com sorriso dá mais voto.” De todas as nossas histórias juntos só teve uma vez o cara que se recusou a sorrir. Ele disse: “Eu nunca sorrio e não vou sorrir aqui”. OK. E eu comecei a discutir com o Tarcísio, que queria que ele sorrisse. Até que o candidato lá de pé reclamou: “Porra, vocês vão ficar discutindo aí ou vão fazer a foto?” [risos] Aí ele esboçou um sorriso e as fotos ficaram ótimas.
- Qual o equipamento que você usa?
Uso qualquer equipamento. Que seja bom, claro. Não tem diferença nenhuma entre eles.
- Usa película ainda?
Não, o Tarcísio não me deixa mais. [risos] Nem existe mais. Quer dizer, existe, mas não tem mais como usar. A gente já termina de fazer a foto e o diretor de
arte já quer ela em alta. A quantidade de vezes que ele já perdeu CDs com as fotos, se fosse película nós estávamos ferrados... [risos] O quê? Uma vez só? Uma vez por mês... [mais risos]
- Como você vê essa banalização da imagem com câmaras digitais, celulares, aplicativos na mão de todo mundo? Isso afeta seu trabalho de alguma maneira com tanta gente fazendo tanta foto?
Nunca se fez tanta foto de merda como hoje. Acho genial. As pessoas percebem que fazer uma boa foto é mais difícil, valoriza meu trabalho. Quanto mais merda fizerem por aí, melhor. [risos]
- Alguma dica para os fotógrafos? Nessa parte de iluminação, alguma coisa técnica?
Posso dar meu telefone e as pessoas vêm para cá. [risos] Então dá também a tabela para elas saberem quanto você cobra. Faço um trabalho personalizado, minha tabela é de acordo com as necessidades específicas de cada candidato.
- O equipamento de qualidade todo mundo pode ter. Qual é o diferencial que faz com que você arranque do candidato a expressão exata que faça daquela foto “a” foto?
Esse é o talento. Esse é o segredo. Mas não sei. Faço isso naturalmente. Não é racional. Não tenho que pensar. O cara faz o que quer. E agora? Aí eu falo pra ele o que acho que tem que ser. O fotografado não é um escravo. Eu é que sou o escravo dele. Tenho que fazer que ele se goste. Depois: que a mulher dele goste. Porque o grande eleitor do candidato é a mulher. Se a mulher dele gostou, está bom. O Tarcísio está fodido, porque vai ter que ser aquela foto ali. [risos] Em qualquer lugar do mundo. Mesmo na publicidade. O cara leva a foto para casa e se a mulher, a família, os amigos bombarem, não vai ser aquilo ali.
Esse olhar dos mais próximos é fundamental. Eu não tenho noção dos problemas que o candidato enfrenta numa eleição. Só sei que ele tem que agradar. Não uso nunca a palavra sedução. O fotógrafo não é um sedutor. Não existe isso. Para mim, é uma outra relação. Sedução só quando se tem vinte anos. Depois, vai seduzir como? Comprando a última câmera? São coisas que são complementares ou desnecessárias. Você precisa só que o fotografado confie em você e diga quanto tempo tem disponível. Esse é o parâmetro. Quando ele sente que não precisa se preocupar a foto sai. É só se encaixar. Tem pessoas que têm ideias pré-concebidas sobre o trabalho. Mas como eu não tenho, e como posso garantir que qualquer coisa que ele fizer errada não vai ser usada, as coisas começam a ficar
mais fáceis.
- Então a melhor foto acaba ficando mais para o final?
Não, pode ser que seja a primeira também. Não tem uma regra. Às vezes no fim o cara está cansado, acaba dormindo em cima do set. Em inglês, fotografar é shooting. Disparar. É uma caçada. Você está caçando. Às vezes resolve em dez minutos. O Tarcísio acha que não, precisa ficar mais...
- Quando é que você acha que acertou o alvo nessa caçada. Tem um momento?
É instintivo. Em determinado momento já sei que tenho a imagem. Não precisa nem ver a foto. O detalhe mais importante são os olhos. O que resolve tudo é o olhar. Pelo olhar você sabe se o cara está ali na foto ou não. E ele se reconhece. E aí o Tarcísio começa a chorar lágrimas de emoção. As pessoas batem palmas, é uma catarse, uma epifania... [risos] O problema é que não tem segredo. É como não tem segredo, qualquer coisa é possível. E isso quer dizer que é tudo muito complicado.
- Existe uma favorita que você tenha feito?
É o mesmo que perguntar: você tem um filho favorito?
- Existe um jeito brasileiro de fotografar?
Não sei. Nunca me preocupei com isso.
- Você sempre viveu de foto?
Isso é bom. “Viveu de foto”. Comi foto... [risos] Quer uma sopinha de foto? Não, sempre fui fotografo. Sempre lidei com imagens. Fiz faculdade de comunicação, um monte de coisas. Na verdade, na minha família tem grandes fotógrafos, Oriol Maspons, que casou com minha prima é um dos grandes nomes na história da fotografia espanhola. Mas eu comecei a fotografar mesmo aqui no Brasil.
- Você é nascido em Barcelona. Tem alguma consciência de que aquela cidade influenciou teu sentido estético?
Não me influenciam os lugares, mas as pessoas. Pessoas de lá me influenciaram, dos Estados Unidos, do Brasil. Meu GPS mental é diferente do físico. Quando estou num lugar eu o vejo como uma superposição de camadas, de referências e informações que não correspondem geograficamente àquilo. Tudo depende de onde você tira as informações, e elas não tem de ser reconhecíveis. E se essas camadas forem finas todo mundo vai saber de onde veio a inspiração.

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BELLA

Isabella Fiorentino para a revista Estilo.

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6X6

Câmera de respeito. A Rolleiflex comprada em 1961, em Saigon, ainda funciona perfeitamente.

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AFTERNOON

Monica Bellucci para Vogue.

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ZOOM

O texto de Ronaldo Bressane sobre a Rev.Nacional e o livro "Cadernos de Viagem", na coluna Cultura Inc. da revista Poder.

It´s Showtime! Quando o catalão-paulistano Josep Ruaix Duran tuíta essa frase para seus 100 mil seguidores devem ser 6,7, às vezes 5 da matina. É que o fotógrafo a despeito dos seus sessentinha, segue com a fome de bola e já está na estrada em busca de imagens. Ou melhor, de histórias. Porque as duas coisas são indissociáveis no trabalho abnegado e obsessivo desse sujeito sempre disposto a encara o próximo frila como o último. Seu trabalho o interessa na medida em que extrai dele não só imagens inesquecíveis – mesmo que algumas passem pelo filtro do comercial, como no caso dos trabalhos publicitários – como memórias saborosa. “Você tem uma história para contar ou só uma câmera digital cheia de fotos de lugares exóticos?”, provoca um personagem beatnik em recente peça de Mario Bortolotto, “Inferno em mim”.
Apesar de trabalhar com uma Nikon digital, ele abomina o aplicativo Instagram e é louco por papel – “ Do papel viemos e a ele voltaremos”, costuma dizer. O papel é o veículo para suas histórias, tanto que buscou materiais especiais para sua Rev.Nacional – um projeto ambicioso de produzir um panorama do Brasil totalmente fotografado por ele. Em sua terceira edição, a caprichada revista – que produzida pela Burti, vai para um mailing de poucos ou custa R$348,00 na loja do Bispo - traz um perfil de Pelé, texto sobre mulheres-fruta e cavaleiros medievais contemporâneos, uma entrevista com o advogado Kakay e uma pauta variada que vai do luxo ao lixo.
Já Cadernos de Viagem, não trás nenhuma foto. Trata-se do registro de Duran por lugares exóticos por meio de deliciosas (às vezes venenosas) crônicas.
Todas as imagens reproduzem quartos de hotel onde ele descansava ou se preparava para uma sessão de fotos – os rascunhos mais tarde seriam transformados em aquarelas. Como não poderia deixar de ser, é um excelente guia de viagens e de interiores hoteleiros – mas, acima de tudo, um retrato fiel dos interiores do próprio fotógrafo.




BRASILEIROS

O texto de Marcelo Pinheiro sobre a s/n° e Rev.Nacional para a revista Brasileiros de dezembro de 2012

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Impressões particulares
Dois dos mais importantes fotógrafos do País lançam novas edições de seus projetos pessoais, a revista s/nº, de Bob Wolfenson, e a Rev.Nacional, de J.R.Duran
Nomes de ponta do fotojornalismo Brasileiro – e também célebres por ensaios de moda e de revistas masculinas – Bob Wolfenson e J.R.Duran vêm, nos últimos anos, driblando a intensa agenda de trabalhos para publicar projetos de forte acento autoral. Neste dezembro, chega as bancas as 18º edição da revista s/nº (projeto semestral de Wolfenson, criado em 2010) e, para um exclusivo mailing de mil pessoas, a quarta edição da Rev.Nacional (veiculo com periodicidade anual lançado por Duran em 2000, previsto para ser publicado durante uma década).
Pé na estrada
Conceitual desde o primeiro número, a nova edição da s/nº traz o tema “estradas” como inspiração. No belo ensaio Quilometragem, o fotógrafo Daniel Klajmic flagrou profissionais que ganham a vida no asfalto – motoristas e caminhoneiros. Além dos retratos, os breves perfis dos personagens trazem um dado inusitado: a quilometragem rodada por eles, no decorrer de suas trajetórias profissionais, como a do caminhoneiro José Roberto da Silva que há 44 anos ganha a vida em rodovias do país e estima ter acumulado mais de três milhões de quilômetros rodados.
Outro destaque da S/Nº é a nova seção encontros. Como sugere o nome, personalidades com afinidades eletivas e criativas fotografadas e entrevistadas na seção. Nela os artistas plásticos Daniel Senise e Beatriz Milharez discutem as heranças estéticas chamada gerção 80 e os cineastas Walter Salles, e Jorge Bodanzky falam da paixão road movies, como recente On the Road, de Salles, e o pioneiro Iracema, uma transa Amazônica, de Bodanzky. Wolfeson destaca um encontro especial: “Entrevistamos os dois e publicamos uma série de fotos do Ney Matogrosso, feita pela Marisa Alvarez Lima, uma importante fotógrafa nos anos de 1970, que flagrou o “desbunde” e o pessoal da Tropicália”. Dizendo ter escancarado um “nepotismo absoluto”, bem humorado, Wolfenson revelou também que a edição traz a estréia de uma “nova” colaboradora, sua filha, Helena Wolfenson, jornalista e também fotógrafa, que assina os retratos do arquiteto japonês Shoei Shigematsu para a (Também nova) secção Avante, que integrará ao projeto S/Nº colaboradores globais. Outra novidade é celebração, espaço dedicado a nomes divisores para a evolução da linguagem fotográfica no País, como Otto Stupakoff, considerado o “pai” da fotografia de moda no Brasil. A revista traz em sua capa a top model Aline Weber e e tem tiragem de 5 mil exemplares.
Primor em cores
Lançada em 2010 com uma ousada proposta, tanto no formato (37cm de altura e 30 cm de largura), quando no conteúdo editorial (que propõe um equilíbrio milimétrico ente imagens e textos) a Rev.Nacional se tornou uma obsessão para o espanhol, radicado no Brasil desde 1970, J.R.Duran. Desde a primeira edição, a revista é impressa na Editora Gráficos Burti, dos irmãos Luis Carlos, Leandro e Leonardo Burti,à qual Duran atribui um papel imprescindível: “Sem um ‘mecenas’ não conseguiria fazer a revista com o padrão que eu desejava. No meu caso, esse mecenas é a Burti, que comprou a idéia e faz um trabalho primoroso”
Diferentemente da s/nº - que apesar de trazer conteúdo produzido por Wolfenson, é feita por diversos colaboradores – a Rev.Nacional é um empreendimento solitário de Duran, que esmiúça arquivos pessoais, possíveis temas e propõe a si mesmo desafios que o mercado jamais ofertaria a ele: “ Um dos motivos pelos quais me tornei fotógrafo é a possibilidade de ver a vida dos outros de perto e existem pautas na Rev.Nacional que as pessoas jamais me dariam, como ir fotografar vaqueiros no nordeste “Duran refere-se ao impactante ensaio que ganhou texto do escritor Ronaldo Correia de Brito e é capa da edição.
O terceiro volume da Revista Nacional trás um conteúdo diverso: longo depoimento do Padre Marcelo Rossi, Fagner e o deputado federal Tiririca, ensaios com modelos, com ao panicat Babi; uma entrevista com Zé do Caixão feita pelo próprio Duran, com o texto introdutório de André Barcinski, entre outros assuntos. Para quem acompanha a publicação, uma novidade salta aos olhos desde a capa, a intervenção da estilista e ilustradora Rita Wainer no logo da revista que ganhou cores – como o ensaio fotográfico sobre a feira de São Joaquim em Salvador, na Bahia. A edição ainda traz um questionário com o jornalista Silvio Luiz, que reproduz o retrato feito por Duran para a edição de Janeiro de 2009 da Brasileiros. Colaborador mensal da casa, que assina nossa coluna Kappo Cuisine, o chef Tsuyoshi Murakami também é destaque, em um perfil assinado pela modelo Michi Provensi




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