RIOS INVISíVEIS

A coluna deste mês na revista Trip.

Parece que um rio venceu a cidade. Na verdade não é um rio, é um córrego, se chama Córrego Verde e fica em São Paulo, na região da Vila Madalena. Na esquina da rua Cipriano Jucá (poeta e nome de uma comenda da Academia Maceioense de Letras) com a rua Medeiros de Albuquerque (jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo e ensaísta brasileiro), os buracos provocados pela corrente de água do córrego, que tinha sido canalizado e destinado a escorrer por baixo do asfalto, sempre foram uma constante na vida do bairro.
Praticamente uma vez por mês a prefeitura tinha de mandar caminhões, máquinas e homens para preencher um espaço aberto no meio da rua que nunca conseguia ficar tampado por muito tempo. A próxima chuva forte se encarregava de abri-lo de novo. Consequência dos feitos que Pascal e Pauli já descobriram e anunciaram, mas que (talvez por isso ter acontecido há muito tempo) os habitantes pensantes da cidade se esforçam em ignorar. A teoria de Blaise Pascal (1623-1662) diz que “a pressão produzida num fluido em equilíbrio transmite-se integralmente a todos os pontos do líquido e às paredes do recipiente”. A de Wolfgang Ernst Pauli (1900-1958) diz que “dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço”.
Se você der um “cipriano jucá” no Google Imagens, vai conseguir contemplar, sem necessidade de ter estudado física, o significado da expressão popular “água mole em pedra dura tanto bate até que fura” quando transportada para a selva de pedra. O buraco muda de tamanho – até um carro já afundou nele –, mas está sempre no mesmo lugar. A lógica da cidade era encher de terra e concreto cada abertura provocada pela erosão das águas. Uma lógica que era derrubada pelas primeiras chuvas com a mesma facilidade com que uma onda do mar derruba o castelo de areia de uma criança.
Confesso que não sou ecologista. Nem de carteirinha nem de nada. Tenho apenas credenciais de bom senso e os olhos bem abertos. Acontece que passo pela rua Cipriano Jucá praticamente um dia sim e outro também, já faz muitos anos. Ela forma parte de uma rede de vielas e outras ruas estreitas que, em dias de chuva forte, ficam entupidas de carros empilhados que as águas carregam, para surpresa de quem os deixou estacionados no lugar errado.
Nesta altura dos acontecimentos, leio nos jornais que se decidiu, então, respeitar o curso do rio e fazer com que as ruas por onde ele passa se transformem em um parque. Será o Parque do Córrego Verde. Mais de 65 mil metros quadrados em forma de parque linear. Isso quer dizer que o contorno do espaço vai seguir o trajeto do córrego. Não é muito, mas em uma cidade como São Paulo, em que córregos são sepultados e enterrados vivos e rios são encaixotados (Prestes Maia, prefeito de 1938 a 1945 e de 1961 a 1965, aprisionou e redesenhou o trajeto de todos os rios que recortavam a capital paulista: Tietê, Pinheiros e Tamanduateí), essa é uma atitude quase revolucionária. Eu diria até que, em se tratando dessas questões, é muito mais revolucionária do que o descobrimento da pólvora.



VENTILADOR

Juliana Paes para a revista Nova.

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EASTER

Texto sobre a Ilha de Páscua publicado na revista Private Brokers.

“...in the middle of the Great Ocean”, in a region where no ever passes, there is a mysterious and isolated island.; there is no land in the vicinity and, for more than eight hundred leagues in all directions, empty and moving vastness surrounds it. It is planted with tal, montruous statues, the word of some now-vanished race, and is past remains an enigma...”
Pierre Lotti “L’ille de Paques” (1872).

- Posso dar um abraço no moai?-
Fiz a pergunta sem pensar. Se tivesse antecipado a cara que o Ranger do Parque Nacional de Ilha de Páscoa fez ao ouvir meu pedido, talvez teria ficado quieto. Mas, confesso, estava emocionado. Emocionado e a poucos centímetros de um monte de pedra esculpida em forma de rosto humano e que se tornou uma das minhas obsessões com o passar dos anos. Mais precisamente desde uma tarde chuvosa em que tive de fazer um trabalho na escola sobre Pierre Lotti, o escritor e marinheiro francês que cruzou o mundo á bordo de um navio carregado de sonhos, e deixou na minha alma a necessidade em conhecer lugares distantes.

Não existe lugar mais afastado da civilização do que a Ilha de Páscoa, ancorada no meio do Oceano Pacífico, a 1.600 quilômetros de distância de Pitcarin - a ilha em que os marinheiros do “The Bounty” decidiram chamar de sua depois de se amotinarem - e 3.700 do Chile. O voo diário de Santiago ao aeroporto de Mataveri dura cinco horas e meia, provoca rebuliço ao descer no impecável asfalto da pista, capaz da suportar a aterrissagem de emergência dos space shuttle vôo da Nasa, mas logo em seguida a ilha volta ao seu ritmo cotidiano. Ou melhor, á sua falta de ritmo; em Rapanui nada tem hora para acontecer.
Trilhas e os caminhos formam uma teia de aranha que leva até aos pés de todos os moais. Em um dia de sol nuvens compactas, carregadas de chuva dos Andes, pronta para ser descarregada na Polinésia, navegam a baixa altura e alta velocidade fazendo com que as sombras cubram rapidamente os moais. A sensação é de estar em uma plataforma privilegiada, a meio caminho entre o mar e o céu. A visão das ladeiras cobertas de mato verde balançando ao vento, com os monumentos de pedra despontando por todos os lugares, transporta a imaginação para um tempo, para umas culturas, de quem todos contam historias, muitos tem certezas e poucos conseguem provar. Porque em Rapa Nui, nome original da ilha, o passado nunca desapareceu. Os imponentes rostos com o olhar perdido no infinito, blocos de pedra vulcânica originários de um único ponto da ilha, estão por todos lugar para lembrar que as civilizações podem desaparecer sem deixar rastro.
As historias são muitas, todas e parecem tiradas de um filme de aventuras; uma ilha densamente coberta de vegetação e a chegada dos primeiros habitantes, vindos de ilhas da Polinésia. As velas dos primeiros navegantes europeus chegam em 1772, precisamente um domingo de Páscoa, sob o comando do almirante holandês Jacob Roggeveen e encontram o lugar sem nenhuma árvore. Nativos escravizados para trabalharem nas minas de guano da Bolívia e os conflitos com os criadores de ovelhas ingleses que se instalaram em Rapa Nui reduzem a população original para 111 pessoas.
A vida, na ilha do mistério e da fantasia, nunca foi fácil.

Hanga Rôa, ao lado do aeroporto, é a única vila da ilha. Três ou quatro ruas arborizadas sobre o chão vulcânico dividem entre si as lojas de comercio, as pousadas, um par de igrejas, um centro de artesanato e um posto de correio. Todos eles abertos para a principal fonte de renda da ilha; os turistas. Descendo do lado direito da rua Te Pito O Te Henua, a que vai da Igreja até o campo de futebol, na entrada de uma pousada um cartaz anuncia a exibição, três vezes por semana do filme “Rapa Nui”. A filmagem foi um ponto alto e curioso da economia local. Quem produziu o filme, em 1994, foi o ator Kevin Costner, aquele que dançava com os lobos. A equipe de filmagem desembarcou no meio do Pacifico com a intenção de ilustrar para o mundo os mistérios da Ilha de Pascoa. Todos os habitantes foram recrutados para colaborar o que significou uma transfusão de dinheiro considerável e repentina na economia de ilha. Em questão de meses todos ficaram, para padrões locais, ricos. Quem soube economizar continuou tranquilo, quem gastou tudo ajudou - de maneira inconsciente - a reconstruir uma pirâmide social que milhares de anos atrás foi responsável pela decadência da ilha. Por sorte, em quanto os turistas continuarem desembarcando na ilha uma situação como esta ainda é remota.

Apenas uma estrada bem asfaltada, rodeada por uma paisagem com cavalos pastando soltos, cruza a ilha. Por ela se chega, saindo de Hanga Rôa, ate a praia de Anakena. É uma das poucas de Rapanui em que se pode acessar o mar sem ter que andar se equilibrando sobre as rochas de lava escura. Deitado na areia fina, ou mergulhando em suas aguas transparentes protegidas das correntes marinhas é impossível deixar de sentir a presença do ahu de Anakena, com uma fileira de seis moais alinhados solenemente. Se consideramos que um moai mede, em média, 20 metros de altura e pode pesar até 50 toneladas o peso da historia a ser contada é, literalmente, consistente. Aqui em Anakena se levantam alguns dos poucos moais com chapéu, os pukáo. Mesmo que eles estejam de costas para o mar – todos na ilha estão de costas para o mar – a presença do monumento modifica a energia do lugar. As estatuas transmitem uma sensação de calma e paz. De proteção.
Existem, na ilha, 2.553 moais identificados, deles 887 estão em pé, com os olhos esculpidos de maneira que olhem para o horizonte, por isso a ilha também é chamada de Mata Ki Te Rangi; “olhos que contemplam o céu”. Mesmo com esta aparente esnobação ao ser humano é grande a sensação de tranquilidade e paz que eles produzem. Poucos deles estão sobre as plataformas originais, a grande maioria esta espalhada pela ilha. Um dos mistérios era o de saber como era possível que estes colossos de pedra pudessem ser transportados através de longas distancias. De acordo o livro The Statues that Walked (2011), de Terry Hunt e Carl Lipo a resposta para o engenheiro checo Pavel Pavel é relativamente simples. Os nativos transportavam os moai em pé, balançando eles sobre pedaços de madeira. Da mesma forma que hoje em dia alguém faz quando quer mexer com a geladeira da cozinha de um lado a outro. Ele comprovou na prática, com a ajuda de uma replica e de alguns voluntários, que com a ajuda de 16 pessoas se podia fazer este trabalho.
Diz a lenda que a civilização que construiu os moais e habitava a ilha era dividida em duas tribos; os orelhas longas e os orelhas curtas. Os primeiros mandavam nos outros até o dia em que os oprimidos se revoltaram. A briga foi feia. Quando o capitão inglês Cook e depois o francês Laperousse visitaram Rapa Nui, no século 18, todas as estátuas estavam derrubadas.

- Quer comprar um moai? –
Estamos em Orongo, espremido entre o precipício que desce ate o mar e a cratera do vulcão Rano Kau, e quem faz a piada é um homem de ombros largos, cabelo comprido e camisa florida. Ele aponta para as pequenas peças de artesanato reproduzindo as estatuas da ilha que estão esparramadas sobre uma mesinha. São de todos os tamanhos, iguais ás que são vendidas em todos os lugares por aqui. O meu guia fala com ele, são primos me explica. Acredito, de acordo com o ultimo censo a ilha tem 3.791 habitantes espalhados em volta dos três vulcões adormecidos. A barraca esta estrategicamente situada ao lado do caminho que leva até o pico de Mata Nagara’u. É de lá, bem em frente á pedra do Make Make, com o Motu Nui ao fundo, que a lenda do Homem Pássaro esta esculpida nas rochas. Fala de um tempo, depois do debacle e da derrubada dos moais, em que novos ocupantes da ilha decidiram que a cada ano guerreiros das diferentes tribos competiriam entre si para ver quem seria o chefe. Quem conseguisse descer o precipício, nadar no mar aberto ate os rochedos e voltasse, com o primeiro ovo deixado entre as pedras por Manu Tara (uma andorinha negra), seria o escolhido. A competição era feroz.
O vento do Pacífico faz o corpo balançar a cada rajada, o mar esta revoltado e o azul ficou mais intenso. No céu um ponto escuro se torna cada vez maior, e mais um avião repleto de turistas que prepara para descer na Ilha de Pascoa.

Fui embora de Rapa Nui sem ter conseguido abraçar um moai. A multa é pesada.

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BACK STAGE

Viviane Orth para a revista Cidade Jardim.

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NUDEZ

Texto sobre Carine Roitfeld e a nudez na moda, publicado na revista Playboy em 09/10/2010

A nudez esta na moda.
Em fevereiro de 2007, quem folheou distraidamente a Vogue Paris, a mais deslumbrante revista do mundo da moda, foi sacudido por um pequeno terremoto. O epicentro se encontrava precisamente em uma matéria chamada Sex Fort, pautada, de acordo com a chamada, pela “lei do desejo” e pelo “vinil afrodisíaco”. Eram seis páginas com uma modelo loira. O nome dela: Lara Stone (nome de heroína de história em quadrinhos). O do fotógrafo: Mario Testino. Em duas imagens Lara deixava aparecer a calcinha branca com estampa da Margarida, a namorada do Pato Donald. Na última imagem, ela estava sem calcinha, exibindo, desinteressadamente, os pelos pubianos – e tudo mais – para os leitores. A editora responsável por essa reportagem era Carine Roitfeld. Fotos de modelos nuas já foram mais freqüentes nas revistas de moda. Especialmente nas francesas. França não rima apenas com croissants, St. Tropez, vinho incomparável ou Gauloises sem filtro. É o lugar onde as mulheres mais seguras de si desafiam as convenções sociais. Especialmente em Paris, que, além de tudo, é a capital da moda mundial. Não à toa a Vogue francesa leva no logotipo a palavra Paris. Vogue Paris. Uma sutileza que poucos percebem, mas que é fundamental.
Durante os anos 1970, a Vogue Paris teve como colaboradores duas das maiores lendas da fotografia de moda: Guy Bourdin e Helmut Newton. Bourdin colocava sua imaginação em um universo anárquico, provocador. Newton, mais cerebral, envolvia suas matérias em um ambien te de sexo e luxuosa decadência. Os dois publicaram inumeráveis ensaios de moda em que, frequentemente, suas modelos apareciam quase nuas. Ou totalmente nuas. Foi no estúdio da revista, na Place du Palais Bourbon, que Newton fez um de seus clássicos: o autorretrato com uma modelo nua refletindo em um espelho o fotógrafo, vestido com uma capa de chuva (um trench, no mundo da moda), enquanto, a seu lado, sua mulher, June, o contempla. Pela janela se podem ver a praça e Paris ao entardecer. Puro Velásquez.
Em 1981, por exemplo, a Vogue Paris publicou uma série de fotos de Newton na matéria Beaute Silhouette 82. Em uma página, um grupo de modelos aparecia vestido com as roupas da ocasião, enquanto que, na página oposta, elas estavam na mesma posição, mas nuas. Da cabeça aos pés. Não provocaram grande comoção, mas a série acabou sendo exposta em vários museus e no famoso – e volumoso – livro Sumo.
A moda vive sempre em um processo de gangorra no qual aquilo que um dia era “cool” depois de um tempo deixa de sê-lo. A partir dos anos 1990, o politicamente correto começou a se infiltrar nos conceitos criativos das redações e a sexualidade nas fotos, de certa maneira, foi deixada para um segundo plano (a descoberta do vírus HIV ajudou, também, a frear o frenesi tanto na vida real como na imaginária). Carine Roitfeld foi redatora da Elle francesa por algum tempo e depois se interessou por produção de moda. Um dia, em uma sessão de fotografia para crianças – sua filha era uma das modelos –, conheceu o fotógrafo Mario Testino. Surgia ali uma dupla que revolucionaria o marasmo em que a fotografia de moda havia estacionado. Eles produziram campanhas memoráveis para clientes como Gucci, Calvin Klein e Versace. De alguma forma, em algum lugar das corporações sempre tem alguém que detecta quando é preciso mudar. Em 2001, Carine Roitfeld foi convidada para ser editora da Vogue Paris. O ponto de partida dela era criar uma publicação descaradamente desencanada em fazer a moda acessível para seus leitores. Uma revista em que Juliette Greco se misturasse com Ziggy Stardust1. E foi o que fez. Isso a colocou fora do alcance da neura de ter de agradar a todo mundo, a verdadeira kryptonita2 de qualquer publicação. O resultado? Aumento de 60% de publicidade durante sua gestão, o melhor desempenho desde os anos 1980. Criatividade e ousadia compensam. Isso a colocou, também, na posição de poder utilizar as páginas da revista como um terreno
fértil para suas criações. E de decidir que a nudez não seria castigada.
“Gosto dela [Lara] porque é diferente das outras modelos, mais redonda, fica com vergonha…”, disse Carine na ocasião3. As modelos passaram a confiar nela e se entregar aos fotógrafos para ser transformadas em deusas. Na edição de dezembro de 2007, a revista publicou um calendário com 13 imagens da modelo Karen Elson vestindo algumas peças do megaestilista John Galliano. E amarrada por cordas. Glamour Bondage era o título da matéria. Em qualquer outra publicação isso seria uma provocação. Na Vogue Paris, não. O efeito era absolutamente chique. Não adiantaram muito os poucos telefonemas de leitores ultrajados (sempre existe o leitor ultrajado, essa figura que, em vez de não comprar mais a revista que o incomoda, faz questão de ligar para a redação e perder seu tempo e o dos outros dizendo que não vai mais comprar a revista; o resultado é o mesmo). Carine continuou firme no cargo. Já na Mikael Jansson foi para a Ilha de Antígua e de lá voltou com fotos de uma mergulhadora com todas as garrafas de oxigênio a que se tem direito, nua – da cintura para cima, é verdade – e vestindo apenas um relógio. A matéria era de… relógios, claro.
A nudez não pertence a nenhuma revista, e a moda é feita de muitos espelhos. Logo outras publicações começaram a mostrar modelos nuas em suas páginas. Um seio aqui. Um outro ali. O corpo todo. A relativamente nova Love (“Fashion & Fame” está escrito em pequenas letras abaixo do logotipo), em sua terceira edição, desembarcou nas bancas de Londres com oito capas – entre elas, Amber Valletta, Christen McMenamy, Naomi Campbell, Daria Werbowy, Natalia Vodianova e Kate Moss. Todas na mesma pose e nuas. Dentro – envoltas pelo manto do título The Fashion Icons –, elas se expõem por inteiro e em preto e branco por páginas e mais páginas de fundo branco. Antes, em seu primeiro número, a Love (bianual) tinha deixado claro ao que vinha: na capa e em uma longa matéria, a opulenta cantora Beth Ditto se apresentava nua em um ensaio de moda minimalista.
Kate Moss, aliás, é um caso à parte na pequena constelação das supermodelos. Nunca antes na história da moda uma profissional apareceu o mesmo número de vezes tanto vestida quanto nua em tantas publicações. Sua nudez nunca afetou os volumosos contratos que fez para ser o rosto de inúmeras marcas, e sua última aparição nua foi na mais recente edição da Vogue Homme International, uma revista de moda masculina bianual cuja editora é ninguém menos que Carine Roitfeld, que acumula a função com seu cargo na Vogue Paris. Em 1976, quando a revista se chamava apenas Vogue Homme, Helmut Newton (sempre ele) publicara o que mais tarde se tornaria uma das imagens clássicas da fotografia de moda: uma modelo nas ruas de Paris – iluminada pela luz que Brassai já havia registrado – vestindo um terno Saint-Laurent. A seu lado, uma outra modelo totalmente nua. Hoje, sob o comando de Carine, a maior parte da redação é composta por mulheres. A teoria dela é que ninguém melhor do que uma mulher para saber o que é bom para um homem. Na última edição de verão, dez páginas mostram a esplendorosa Kate Moss fotografada pelo ex-namorado Mario Sorrenti, tão ao natural quanto as intocáveis praias do Caribe que servem de cenário para a matéria.
O efeito Roitfeld tem se espalhado com rapidez por outras revistas de moda. A francesa Numero, a inglesa Pop 4 e a edição japonesa da Vogue mostram com frequência modelos nuas. Uma prova de que a nudez nas páginas de revista não será mais castigada. E que as modelos – famosas ou não – não têm problema em tirar a roupa se for para publicações femininas e misturadas à elegância das grifes mais caras do planeta. O luxo, nesse caso, compensa.

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SPRING TIME

Flávia Luccini para a revista Cidade Jardim.

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VAI ENCARAR?

Carolina Ferraz para a revista RG

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