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IRON MAN

As fotos e a entrevista de Andres Sanchez para a revista GQ.
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A conversa com Andrés Sanchez aconteceu dois dias antes de ele deixar a presidência do Corinthians. O escritório em que despacha, no Parque São Jorge [Zona Leste de São Paulo], é imenso e nele se pode, tranquilamente, estacionar um porta-aviões. O movimento de pessoas é contínuo. No universo rarefeito do futebol, em que todos precisam ser jogadores e nem sempre se dedicam a fazer isso com a força das pernas, Andrés – que a partir de janeiro é o novo diretor de seleções da CBF – sabe mexer as fichas dispostas sobre a mesa das negociações esportivas com a habilidade de um croupier. Dá a impressão de enfrentar qualquer parada com a certeza de que já topou com coisas piores. Até agora, tem se saído melhor do que nunca. O estádio de futebol que costurou, e cimentou, para o Corinthians, o vulgo Itaquerão, é a prova palpável desse destemor. Sentado do outro lado da mesa em que assina os contratos mais volumosos do futebol brasileiro – isso, sim, com a cadeira mais alta do que o resto da sala – e movido a doses industriais de cafeína (três cafés servidos em xícara com o escudo do time em uma hora) e nicotina (um cigarro atrás do outro, apenas com o intervalo de um suspiro), Andrés não foge de nenhuma provocação. Ao contrário, seus olhos brilham a cada pergunta mais incisiva, dando a certeza de que, para cada resposta, ele tem guardada, em algum lugar, a carta do baralho que decidirá mais um jogo.


ANDRÉS SANCHEZ Você quer um café? Um chá? Uma água?
J.R.DURAN Sim. Não. Na verdade, vou pedir uma coisa feia.

ANDRÉS SANCHEZ Uísque não tem!
J.R.DURAN Quero um cigarro.

ANDRÉS SANCHEZ Pode pegar. Aqui falta dinheiro, falta mulher. Só não falta cigarro. [Ele pede à sua secretária]: “Dois cafés com leite e mais um maço”.

JR DURAN Como assim “aqui falta dinheiro e mulher”?
ANDRÉS SANCHEZ Corrigindo: não pode faltar mulher.

Você gostaria de encontrar alguma em especial?
Uma das que mais gosto e não conheço é a... Não vou dizer. Vai dar polêmica.

Escreve neste papel para mim, então. Fiquei curioso.
A verdade é que nem me lembro do nome dela direito. Aquela que foi casada com o cara do circo. Você já fotografou, é a loira que está na novela.

A Carolina Dieckmann?
Ela é uma das que mais me chamam a atenção. Nunca a vi pessoalmente, só na televisão e de longe em alguns eventos.

Por ela você larga dinheiro, carreira...
Não sei se largaria tudo isso, não.

Tirando a Carolina, já teve todas as mulheres que quis?
Muito pelo contrário. Talvez mais do que merecesse ou sonhasse, só que menos do que gostaria.

O que achou do fato do Josep Gardiola [técnico] ter liberado as esposas dos jogadores para dormir na concentração do Barcelona?
Sou um cara anticoncentração, antirreclusão, vamos dizer assim. Só que, infelizmente, o atleta brasileiro não tem preparo para viver desse jeito. Seria bem justo, mas não temos essa cultura. Já nos acostumamos com bons salários, boa mídia, mas nessas coisas ainda somos um pouco amadores.

Por falar em amador e profissional, me contaram que você é bom de pôquer. É isso mesmo?
Jogo pôquer, mas não sou bom, não.

Na concentração, você costuma jogar com alguém do time?
É muito raro ter pôquer lá, viu? Essa é só mais uma das lendas que contam sobre a concentração.

Não existe?
Não é que não exista. É difícil ter jogo de pôquer ou jogo de baralho, hoje em dia, nas concentrações. Hoje tem a Bíblia, tem os evangélicos, tem os católicos, tem os que jogam videogame. Mas essa história veio porque nós – um grupo de jogadores, amigos e pessoas que não eram nem do Corinthians – fazíamos uma reunião quinzenal na casa de um. A gente costumava pedir pizza e jogar pôquer a mil reais. Quem perdesse mais perdia mil reais.

Quem era o melhor?
O melhor jogador no pôquer é o Ronaldo. Ele dá sorte.

Só vai homem nessa noitada?
Esposa de jogador e namorada também. Tem de tudo.

Um bom jogador precisa blefar. Qual foi seu maior blefe como dirigente?
Um blefe meu foi quando teve um projeto de estádio e falei que não podia ser aquele porque existia um melhor. E não tinha nenhum outro, mas tive de convencer o Conselho a esperar. Esse foi o maior risco que corri. Ter um estádio na mão, não interessando se era caro ou barato, e negá-lo.

Sabia que apostei em você e ganhei 10 mil reais? Queria te agradecer, inclusive. Há quase um ano, em uma entrevista com o Tiago Leifert para a GQ, perguntei a ele: “E o Andrés Sanchez, vai ou não para a CBF [Confederação Brasileira de Futebol]”? Acreditei que você iria e apostamos. Ainda não cobrei dele.
Não podia recusar um convite do Ricardo Teixeira e muito menos virar as costas para a nação brasileira, até pelo momento que passa hoje a CBF, o futebol, a Copa do Mundo, essas coisas todas. Tenho 47 anos, sou empreendedor, arrisco bastante e posso contribuir muito com o futebol brasileiro e com a CBF.

Esse era seu caminho mais lógico.
Assumo riscos, né? Quem traria o Ronaldo, por exemplo, que estava há quatro meses no Flamengo? Ele veio, todo mundo desceu o pau, mas tinham medo de criticar porque o cara se reergueu várias vezes. E ele resgatou a torcida. Tem um Corinthians antes e um depois do Ronaldo. Trouxe ainda o Adriano, aí nego meteu menos o pau. Mas hoje ele não tem mais jeito. Investi, mas deu errado. O que vale é o resultado. Você pode fazer uma bela administração. Se não ganha o título, é um incompetente. Você pode roubar, fazer tudo errado, só cagada, mas, se for campeão, vira herói.

Quem levou a melhor? O Corinthians ou o Ronaldo?
No business, os dois ganharam muito. O Corinthians se saiu melhor porque continuou; o Ronaldo parou. Com ele, estivemos em todos os jornais, revistas e blogs do mundo. Os dois juntos se tornaram uma marca imbatível.

Você ficou rico com o futebol?
Fiquei pobre. Perdi muito. Dirigente ou rouba ou fica na pior ganhando menos dinheiro. Pus 30 milhões de patrimônio aqui. Porque tudo o que o Corinthians vai pegar emprestado, a diretoria assina como fiadora. Nenhum banco dá dinheiro para um clube.

Tem de por o seu na reta?
O meu, o do diretor, o do vice-presidente. Essa é a vida do dirigente.

Fico pensando: “O presidente do Corinthians ganha um salário?”
Não ganho nada.

Como funciona isso?
Durante minha campanha, como tenho uma empresa familiar [de embalagens plásticas para frutas], juntei meus primos e tios e falei: “Olha, se ganhar a eleição, vou ter de me afastar, no mínimo, por três ou quatro anos para me dedicar só ao time. Não quero ser mais um, quero ser ‘o’ presidente. E, pelo momento que o clube passa, vou precisar ter meus rendimentos como se estivesse trabalhando”. Minha família aceitou essa proposta e eu vivo desse dinheiro. Porque presidente não tira nada daqui. Tentei mudar isso no estatuto. Não tem cabimento um cara dedicar 20 horas por dia a um clube de futebol – que também é uma empresa – sem remuneração.

E hoje você é um ídolo para a torcida.
É duro. Não fiz universidade, não falo português correto, não sou doutor.

Este é um país em que se reconhecem os homens vitoriosos, não?
Poucas pessoas reconhecem. Se o Lula que é o Lula lida com preconceito, imagine eu. Aqui ou você é viado ou é ladrão. É complicado. A intelectualidade deste país é complicada.

Do que você prefere ser chamado?
De ladrão. Sem preconceitos.

Na sua função, que é a de fazer política, você tem reações nada políticas e bastante espontâneas como essas.
A maioria aprendeu a me respeitar, a me conhecer. Talvez eu seja o presidente de clube que mais fale. Só que tenho o meu jeito, apesar de já ter desistido de falar de coisas da minha vida que sempre são malvistas. Continuo no meu pagode, no meu boteco, não ando com seguranças.

O cara que sequestrar o presidente do Corinthians está ferrado.
Sequestrar não, mas como envolve paixão, rivalidade, o pessoal tem medo de agressões. Graças a Deus nunca tive problemas com torcedor, a não ser com dois corintianos. Foi coisa mandada.

Dois corintianos?
Uma vez estava no Pacaembu assistindo a um jogo na arquibancada numerada e um cara veio me dar bronca no intervalo porque estava cansado de ser roubado, o ingresso era caro, não sei o quê. Tudo isso gritando. Falei: “Meu amigo, fala baixo, não precisa gritar comigo! Alguém obrigou o senhor a vir neste jogo? Então não venha mais! O senhor vem por quê?” Não passou três minutos e essa discussão já estava na internet. E a outra vez foi em 2008 na Série B. Se o Corinthians ganhasse o jogo ia ser campeão. Tinha ido em todas as partidas. E naquele dia era aniversário da minha filha, almoçamos na Vila Madalena [em São Paulo]. Estávamos lá com as amigas dela, deu três e meia, me levantei e fui pegar o carro no estacionamento. Um cara saiu da mesa e veio na minha direção: “Pô, o senhor não está no jogo?” Falei: “Que jogo?” Ele soltou: “Saudades do Seu Vicente”. Me indignei: “Você é sócio do clube?” Ele: “Não”. “Então vá tomar no seu cu!”

Podemos dizer que você é bem malcriado no trato...
Não sou malcriado. Quando falo palavrão, não é pejorativo.

Ah, lembrei de outra história. Logo depois da última Copa, em que você participou chefiando a delegação, o Dunga foi demitido da seleção e o Mano Menezes assumiu. Você leu isso nos jornais ou sabia de antemão?
O Dunga fez um bom trabalho, ele é um bom treinador. Nos três anos antes da Copa ninguém ganhou como ele. Infelizmente, neste país, se você perder a Copa do Mundo, vem aquela carga toda. Nunca indiquei o Mano para o Ricardo Teixeira. Quem pôs o Mano na seleção foi o trabalho dele.

Acho que o Dunga caiu porque usou um casaco do Alexandre Herchcovitch.
O Dunga caiu porque não levou a Copa.

Como vai ser o seu papel de diretor de seleções da CBF?
Serei responsável por logística, administração, amistosos, comissão técnica, olheiros. Nas seleções, quem vai dar a última palavra sou eu. Tenho autonomia para tomar decisões e consertar as coisas.

Por exemplo?
Uma das questões que nem sei como vou resolver: a seleção está distante do torcedor e o torcedor está muito distante da seleção. Daqui a dois anos e meio tem uma Copa aqui e parece que nada está acontecendo.

Agora que saiu do Corinthians, se imaginaria dirigindo outro time?
Impossível.

Qual é o melhor time do mundo fora o Corinthians?
O Corinthians.

O melhor e o pior cara que viu jogar?
O melhor que vi já entendendo de futebol é o Ronaldo. Mas o maior craque que passou pelo Corinthians foi, com certeza, o Rivelino. E o pior foi um tal de Etan. Depois ele fez muitos gols no Velez.

Quem será o craque da Copa?
O Neymar, ele será um dos maiores jogadores de todos os tempos do Brasil.

Deixaria sua filha namorar jogador?
Luto para que minha filha nunca tenha um relacionamento com nenhum jogador de futebol.

Você acorda à noite pensando no time, no pôquer ou nas mulheres?
Sonho com o Corinthians.

Você deixa o clube no azul?
Com mais receita do que despesa.

Existe vida fora daqui?
Nos últimos cinco anos, dediquei 95% do meu tempo ao clube.

Conseguiu namorar?
Fiquei sete meses sem sexo por causa do Corinthians. Não tinha cabeça. Outras prioridades, uma loucura. Na primeira semana, entrei numa quarta-feira de manhã e saí do clube no domingo à noite. Você imagina os problemas que enfrentei: Polícia Federal, Polícia Civil, Ministério Público, denúncia anônima.

Agora que já se passaram os sete meses, você namora escondido? Porque hoje tem celulares fotografando tudo...
Cheguei a ter Orkut e tive problemas com fotos. Como gosto muito do Carnaval da Bahia, tirei umas e coloquei na internet. No dia seguinte que ganhei a eleição, a capa dos jornais em São Paulo era: “O novo presidente do Corinthians é baladeiro, mulherengo, fuma e bebe muito”. Deletei o Orkut. Hoje não tenho Twitter, não tenho Facebook, não tenho nada. E a maior injustiça que cometeram comigo foi no Uruguai, durante a Libertadores. Assistia ao jogo com o meu filho. Chovia muito e estava lá de capa de chuva, fumando bastante – para variar. Puseram em um blog que era maconha. Meu filho do meu lado, dois desembargadores do outro. Isso machucou demais, vim de uma família que não é pública.

Do jeito como você é focado no trabalho, abdicando da sua vida pessoal, do sexo, um dia vou vê-lo como presidente da Fifa?
Não tenho essa pretensão. Talvez nem condições para isso.

E da CBF?
Conto com essa possibilidade, mas tem gente na minha frente.
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SUMMER TIME

Lais Ribeiro para a revista Vogue.

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AIR

Marcelia Freesz para a revista Vogue de janeiro.

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SEREIAS

Lais Ribeiro, Tayane Leão e Marcelia Freesz para a capa da revista Vogue de janeiro.

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TEMPO

A capa da revista Veja, edição nacional, do dia 6 de janeiro de 1988. Vinte e quatro anos atrás.

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