DUNAS

A capa com Candice Swanepoel para a revista Vogue.

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MIDNIGHT BLUES

Danielle Leonel, Ricardo Facchini, Ricardo Simão e Anderson Dornelles para a moda da revista The President.

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SUSPIRO

A entrevista e as fotos de Sthefany Brito para a revista GQ.

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Existem várias Sthefany Brito que vão se desdobrando e aparecendo em frente à câmera. As sensações que se tem ao ver o comportamento dela, no vazio do fundo infinito, são contraditórias. Em alguns momentos ela pode ser sexy e poderosa e, no instante seguinte, frágil e desarmada. Seus olhos podem ser distantes, frios e observadores, mas também doces e acolhedores. É como se ela jogasse sobre o observador uma possibilidade imensa de maneiras de ser. Como boa geminiana que é, estas Sthefanys, estas personagens, aparecem e desaparecem sem prévio aviso. O que fica é a miragem e o mistério. O perfume de uma mulher que vai construindo o futuro tentando esquecer o passado. Especialmente, o fim do casamento com o jogador Alexandre Pato, que é contemplado e acompanhado atentamente por milhares de leitores por meio dos sites de celebridades que saltitam pela internet. Aparentemente indiferente a tudo, Sthefany está focada no personagem que vai interpretar na próxima novela global das seis. Ela sabe que este papel vai ser decisivo para sua carreira. Carreira esta que, neste momento, ela decidiu que estará, como nunca, acima de tudo e de todos. Na entrevista a seguir Sthefany Brito tenta explicar quem ela é.

J.R. Duran - Conta pra mim, quem é Sthefany Brito?
Sthefany Brito - Eu sou uma pessoa muito tranquila, mas muito inquieta. Estou sempre me questionando, meio angustiada. Não por insegurança, mas por sempre querer me descobrir. Graças a Deus, eu descobri cedo o que eu queria fazer da vida e até hoje faço o que eu gosto de fazer. E estou aí para o que der e vier, mais forte do que nunca.

JRD - Qual foi o momento em que você falou: “Quero ser atriz, quero um holofote apontado para mim”?
SB - Na verdade, minha mãe me colocou pra fazer teatro, porque eu era muito tímida no colégio, não tinha muitos amigos e eu colava muito no meu irmão, que era despojado e mais popular do que eu.

JRD - Você se lembra de uma cena em Páginas da Vida, na qual você se pega com um cara na cama, com os pais dele lá fora ele quer sair correndo, mas você pula em cima dele?
SB - Lembro, eu estava lá, fui eu quem fiz [risos].

JRD - Parecia que você estava se divertindo bastante.
SB - Acho que tem a ver muito com o momento da vida que a gente está passando. Nessa novela, eu não estava namorando, ele não estava namorando. Então não tinha tanta preocupação. Se fosse um beijo de verdade, tudo bem. E eles pediam para a gente: "Pega mais, faz mais de verdade, tira a blusa". Era uma novela das oito que podia ter um pouco mais de apelo sexual.

JRD - No cinema – e também no teatro - os atores se expõem mais, tem nudez e cenas muito mais ousadas que na televisão. Como você enxerga a exposição inerente à sua profissão?
SB - O cinema tem mais liberdade pra esse tipo de cena. A televisão é novela, né, você fica muito presa em relação ao horário, o tipo de espectador, a classificação. Às vezes tem uma cena que pede nudez, por exemplo, e você não pode porque fica limitada àquilo. No cinema, não. O cinema tá ali, o filme já está feito, a classificação é 18 anos e pronto. Na televisão não, eles vão se adaptando conforme o horário. E uma novela é uma obra aberta, sempre se adaptando ao que está funcionando ou não. Acho que no cinema uma coisa muito pequenininha vira algo enorme na tela. Um olhar, um toque na tela fica gigante, ganha um significado que na televisão não tem. Acho o cinema mágico, incrível, e acho televisão difícil de fazer.

JRD - Tem algum ator com quem você sonha em contracenar?
SB - Tem. Gael Garcia Bernal. Pra mim ele é incrível.

JRD - O que você quer dizer com "incrível"?
SB - Incrível de bom ator, de ter uns trabalhos incríveis, de conhecer mesmo. Sou muito fã dele, sempre fui. Ele não é aquele estereótipo de galã, mas se tivesse alguém que eu poderia fazer alguma coisa seria com ele.

JRD - e você encontrasse o Doutor Albieri, de O Clone, e pudesse fazer um clone seu, o que você mudaria?
SB - A gastrite fortíssima que eu tenho de uns quatro anos para cá. É uma gastrite horrível, qualquer ansiedade ou qualquer nervoso... A primeira cena da novela, por exemplo, me deu uma crise horrível!

JRD - Você faria tudo de novo na vida?
SB - Faria, com certeza.

JRD - Você tem um tipo físico parecido com a Carol Celico, mulher do Kaká.
SB - Já me confundiram com ela em Milão.

JRD - Mas existe esse look de esposa de jogador em Milão?
SB - Acho que não, foi a única vez que me confundiram com ela.

JRD - Você fez sua última novela em 2007. Foi quando começou a sua paixão pelo futebol?
SB - Eu nunca tive essa paixão [risos].

JRD - É verdade que você teve de chorar pra pedir o papel na novela do Jayme Monjardim?
SB - Tive de chorar no teste. As pessoas se confundiram. Eu estou chorando até agora na novela, são várias cenas emocionantes. Eu não teria conseguido chorar só para o diretor. Eu não sou tão boa atriz assim.

JRD - Quando eu mencionei futebol você disse que não tem muita relação.
SB - Você falou "sua paixão pelo futebol" e eu nunca fui apaixonada por futebol.

JRD - E como você acabou conhecendo um jogador, no caso o Pato?
SB - [risos] Pois é, até eu gostaria de entender.

JRD - Como se aproximam estes dois universos, o da televisão e o do futebol?
SB - São muito distantes, na minha cabeça sempre foi uma coisa surreal. Eu o conheci através do meu irmão, de quem ele era amigo na época e foi uma coisa natural. Uma coisa leva à outra e ninguém é de ferro. Aconteceu.

JRD - Da amizade ao casamento, demorou quanto tempo?
SB - Um ano e meio.

JRD - Você saiu da casa dos pais direto para o casamento e foi morar em Milão?
SB - É, foi a minha primeira experiência de ter de se virar mesmo, de ter que correr atrás das coisas e resolver.

JRD - Você fazia as compras de mercado? Cozinhava?
SB - Cozinhar era muito difícil, mas o mercado...

JRD - Qual é a parte ruim de morar em Milão?
SB - A coisa que eu mais sentia falta era da minha família. Não dava para viajar para vê-los o tempo todo.

JRD - Tenho um amigo que era apaixonado por uma modelo e viajou até o Japão só no fim de semana para vê-la.
SB - Mas isso é amor. Essas coisas a gente não explica, essas loucuras.

JRD - Não sei, eu nunca faria isso! [risos]
SB - Eu já fiz isso. Fui para Milão, fiquei um dia e voltei.

JRD - Você chegou a conhecer o Berlusconi?
SB - Não, ele não.

JRD - Mas você ia aos jogos?
SB - Lógico!

JRD - Como é assistir a um jogo para alguém que não gosta de futebol?
SB - Mas eu não estava assistindo a um jogo de futebol que eu não gostava. Eu estava indo prestigiar uma pessoa que era muito importante para mim na época. Hoje eu não paro para ver um jogo.

JRD - Agora que você voltou para o Brasil está morando sozinha?
SB - Eu voltei a morar com meus pais porque ficava muito sozinha e sempre fui muito ligada à família. Eu preciso do cachorro latindo, da minha mãe, do meu irmão. Minha casa sempre foi muito agitada.

JRd - Você acha que casou cedo?
SB - Não acho. E não me arrependo de nada do que fiz. Talvez hoje eu me arrependesse se não tivesse feito e não soubesse se teria dado certo ou não. Da minha parte, sempre foi muito sincero e ninguém casa para se separar. A gente casa pra construir família, um futuro. Você se imagina com aquela pessoa para sempre. De repente, tudo foi conduzido assim pela idade dos dois.

JRD - Em que momento você achou que aquilo não era pra sempre?
SB - Quando não me imaginei mais naquela situação e não me via mais ali. Quando eu falava: “Um filho aqui não vai dar certo, uma família aqui não vai dar certo”. Eu não imaginava mais um futuro, entendeu?

JRD - Quem pediu a separação?
SB - Acho que foi uma coisa de comum acordo.

JRD - Antes do casamento de princesa, você teve namoros sérios?
SB - Eu tive namorado da época do colégio, com 14 anos, e depois tive namoro à distancia.

JRD - Namoro à distância? O que é isso? Telecurso de segundo grau?
SB - Skype, né?

JRD - Mas namorar pelo Skype!?
SB - Ah, de vez em quando se encontra.

JRD - Então..., você casou virgem?
SB - [risos] Aí vai da cabeça de cada um, dois namoros antes...

JRD - Sim, mas um à distância...
SB - Mas alguma hora a gente se encontrava, né?

JRD - Você se arrepende em algum momento de ter largado a carreira pelo casamento?
SB - Com a cabeça que eu tenho hoje jamais largaria o meu trabalho por amor nenhum do mundo. Acho que a gente tem que se amar para poder amar alguém.

JRD - Quem era aquela pessoa que desceu no aeroporto do Galeão de peruca?
SB - Que bom que você perguntou, porque eu nunca falei sobre isso. Todo mundo achou que eu vim escondida. Impossível eu me disfarçar daquele jeito. Se eu fosse fazer isso, eu ia fazer algo bem feito.

JRD - Por isso a pergunta. Eu não falei disfarce.
SB - Tenho um tio que é diretor de teatro em São Paulo e ele estava indo para o Rio com um texto e levou uma peruca. Eu falei: “Me deixa colocar”. Todo mundo da minha família achou que eu estava louca, mas eu falei que não estava me escondendo, eu não tinha matado ninguém [risos]. Quando cheguei ao aeroporto, era praticamente uma coletiva de imprensa. Levei um susto.

JRD - Como você lida com uma separação acompanhada pela imprensa e o público, com as notícias todas, verdadeiras ou falsas?
SB - Duran, sinceramente, eu já sofri muito, chorei muito lendo notícias que não eram verdadeiras. Mas hoje, não. Eu dou risada. Hoje eu fico sabendo pelo Twitter porque ficam me mandando: "Já viu isso? Olha o link daquilo". Às vezes, eu vejo; às vezes, não. Mas eu ficava indignada: "Como as pessoas inventam essas coisas sobre mim?” Eram mentiras tão deslavadas, tão grandes, mas tão verdadeiras pra todo mundo que as pessoas acreditam naquilo. E vendem aquilo e o povo compra e fala sobre aquilo. Vivi tanta coisa ali naquelas notícias, imagina se fosse tudo verdade. Umas poderiam ser verdades; outras, óbvio, eram mentiras. Hoje consigo ler uma notícia e falar: “Gente, coitada da pessoa que escreve um negócio desses. Deve estar precisando de uma notícia”. O que era grande ficou muito pequeno.

JRD - E como você escreveria esta notícia?
SB - Eu escreveria a verdade: eram duas pessoas super jovens que se casaram e se separaram como milhões de outros casais. Uma menina que por amor largou a carreira, casou, e foi tentar viver um sonho a dois que não aconteceu, não deu certo, como mil coisas na vida da gente que não dão certo e fim.

JRD - Você pratica algum esporte? Onde você descarrega suas energias?
SB - Eu vou pra minha aula de muay thai. Chuto, chuto, chuto e volto pra casa ótima.

JRD - O muay thai é aquela luta em que você fica dando pontapé no bonequinho?
SB - É, também. O boneco se chama pirulito. Soca, soca, soca, chuta, chuta, chuta, descarrega.

JRD - Você coloca a foto de alguém foto no bonequinho, certo?
SB - Não, porque não preciso por foto, está tudo aqui dentro [risos]. Mas lá eu descarrego bastante.

JRD - Você acha que saiu como vilã na história da sua separação?
SB - Acho que não existe vítima e não existe vilão nessa história. Ele errou, eu errei em algum momento, enfim. Mas não acho que saí de vilã. Acho que saíram muitas notícias erradas que acabaram criando uma imagem de vilã. Mas pra quem eu devo satisfações e com quem eu tinha que resolver esse problema, que são as pessoas que realmente importam, tá mais do que resolvido. Se saí de vilã, se não saí de vilã, se eu fui errada, se eu isso ou eu aquilo, é o julgamento de cada um.



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RESPECT

Fotos de moda masculina para a revista GQ.

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FRONTEIRAS

Texto publicado na revista MIT.

O que eu quero é cruzar fronteiras.
A estrada de terra cheia de costelas de vaca - que a tornam inesquecível para os ossos do corpo - cruza o terreno ondulado salpicado de pedras no caminho entre San Pedro de Atacama, no Chile, e o acampamento escondido numa ladeira dos Andes bolivianos em que deveremos dormir (1). Em um certo ponto ela é interrompida por uma chancela. É a fronteira entre os dois países (2).
Perto da barreira frágil e solitária existem três soldados do exercito boliviano - protegidos do vento gelado que corta o rostos com a navalha do inverno - dentro de uma casinha com muros de tijolo. Em volta dela três carros estão parados no que se imagina pode ser um estacionamento, marcado por algumas pedras pintadas com cal branco, enquanto dois ônibus com os motores ligados estão enfileirados, como dois bichos da seda brancos, na beira da estrada. Indiferente a tudo isto um jegue tenta extrair um dos poucos tufos amarelos de mato que insiste em ficar grudado no chão.
Nove vulcões enfeitados por inquietantes fumarolas, enfileirados nos picos da Cordilheira do Andes (3), são testemunha do tédio que toma conta dos passageiros que ficam arrastando os pés á espera de que os guardas da fronteira decidam carimbar os passaportes. Ninguém revisa nada, nenhum porta malas de carro é aberto. A atenção de todos, mesmo os que disfarçam melhor, gravita em torno do homenzinho de farda verde manchada, sentado atrás da mesa de madeira, e o momento em que vai decidir cumprir com sua função. Parece que o soldado estica ao máximo o fugaz poder que têm; deixar ir e vir os viajantes de um lugar a outro. Saboreia, cada segundo do movimento que seus braços fazem ao transportar o carimbo da almofadinha de tinta até as páginas do passaporte. Cruzar a fronteira a pé tem um sabor diferente do que ir de um pais a outro através da comodidade dos aeroportos.
Por via aérea a viagem se torna uma coisa asséptica e incolor. Basta entrar em uma fila, passar na arcada do raio-x, entrar em outra fila para que a policia confira que você é você mesmo. Algumas horas dentro do avião, poltrona mais ou menos confortável, outra fila para policia e a fatídica espera pelas malas aparecerem - invariavelmente - de cabeça para baixo no carrossel das bagagens. Sem cheiro, sem emoção (4). Ao fazer a mesma coisa de carro o roteiro muda de figurino. Tudo é fisicamente mais perto. O empurrão de alguém que sem querer pisa no seu pé, o cano da arma pendurado no ombro do soldado, o cheiro de suor. A ausência de duty free, com os rostos bonitos estampados em anúncios de perfume, aumenta a solidão do momento e a distância do lugar.
Para sair da Bolívia – do outro lado dos Andes – e voltar a entrar no Chile, os mistérios da fronteira desolada são diferentes. A estrada, asfaltada (5), é uma das principais saídas dos bolivianos para o mar. No fim dela, entre dunas gigantescas e debruçado no Oceano Pacífico – e aberto para o mundo – se encontra o porto de Iquique. Como os interesses econômicos que circulam por lá são mais poderosos, o controle também se torna mais intenso. A fronteira passa prâticamente por entre as casas do povoado de Pisiga, do lado da Bolívia. Como todas as cidades fronteiriças a sensação que lá se tem é de que muita mais coisa acontece do que a atenção do viajante distraído pode captar, mesmo se esforçando em ver o que não consegue enxergar.
Para sair do país, de Pisiga, aparece novamente uma chancela espetada no chão. Esta é controlada por policiais que, irritados aparecem – e desaparecem – solicitando papeis e carimbos. O vento sopra e levanta a poeira do esquecimento enquanto que algumas velhas, sentadas no meio da rua, trocam dinheiro. Quando o humor do soldado libera a passagem do carro do viajante deve-se passar por alguns metros de no man’s land, que acabam sendo terrenos vazios ao fundo da cidade, ate se deparar com uma espécie de estação rodoviária. Aqui é diferente, os carros são revisados por policiais chilenos á paisana que se esforçam em deixar aparente a determinação de não deixar nenhum vulto, nenhum pacote, sem ser vasculhado. Um par de cães treinados os ajudam em momentos mais dramâticos.
As duas fronteiras só existem nas convenções da lei e na imaginação dos homens. Teoricamente você poderia andar um par de quilômetros para um lado, ou para o outro, e simplesmente cruzar a linha imaginária que só existe quando impressa em um pedaço de papel (é exatamente isso que os contrabandistas de carros, roubados no Chile, fazem até se esconder em Llica, na Bolívia).
São as fronteiras imaginarias, e não as reais, as que comandam a mente e fazem com que o corpo obedeça ás convenções diplomáticas. Porque sem uma mapa impresso o mundo seria um só, e o horizonte deixa de existir. Ele não teria mais fim.
*
(1) O acampamento, seis conteiners adaptados com camas e chuveiro com água quente, se chama Cañada.
(2) O lugar se chama Portezuelo del Cajon. Fica a 4.480m de altitude e as cordenadas, no GPS, são 22º 53’ S – 67º 48’ O
(3) Pela ordem de aparição no escenário acachapante da Cordilhera dos Andes, de esquerda á direita, são eles; Colorado, Putana, Sairecabour, Licancabour, Juriques, Toco, Pili, Aguas Calientes e Lascar.
(4) Aparentemente quanto mais ao sul do Equador parece que a quantidade de aparelhos de raio-x aumenta. Em Lima, capital do Peru, para se fazer uma conexão é necessário passar por tres deles.
(5) A estrada é a 601 que, depois no Chile, segue com o nome de A55.


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MUNDO ANIMAL

A coluna, do més de setembro, para a revista Trip.

Não conheço Daniel Kuntze, nem quero conhecer. Só sei que ele deixou registrado que é um animal ao escrever seu nome em letras garrafais num muro da capital de Malta

Daniel Kuntze é um animal. Talvez ele não saiba, mas provou isso ao deixar escrito, precisamente em 22 de abril de 2011, seu nome na superfície de um muro em Valletta, capital de Malta. Valletta é uma daquelas cidades que têm um pedaço de história escrito em cada esquina. O forte São Telmo resistiu, em 1565, por vários meses à investida dos turcos durante o grande Sítio de Malta – momento épico em que alguns cavaleiros da Ordem de Saint John ajudados por outros tantos malteses enfrentaram 30 mil homens das tropas turcas armadas até os dentes.

Foram os malteses também que anos mais tarde não aguentaram a pilhagem das tropas francesas que Napoleão tinha deixado na ilha em seu caminho ao Egito. Se revoltaram, jogaram o governador pela janela – literalmente – e com a ajuda dos ingleses fizeram da ilha uma fortaleza inexpugnável. Durante a Segunda Guerra Mundial, desde os túneis escavados em seus bastiões, o general Eisenhower, tendo sob seu comando Patton e Montgomery, planejou e comandou a invasão das tropas aliadas na Sicília. Antes disso os malteses suportaram três anos seguidos de bombardeios diários pelas forças alemãs.

Valletta hoje em dia é um lugar adormecido entre os raios de sol escaldantes e o azul do mar Mediterrâneo. Os fantasmas de seu passado se cruzam na rua com os turistas que olham em volta sem vê-los. Os rastros são fáceis de ser identificados. Em uma parede pode-se ler a placa “Napoleão dormiu aqui”, em outra se pode contemplar uma das telas que Caravaggio pintou em sua desastrada passagem pela cidade (1). Em outro lugar, a placa indica onde jazem os restos de Jean Parisot de la Valette, o grão-mestre da Ordem dos Cavaleiros de Malta que comandou a resistência contra os turcos.

Em uma das muralhas da ilha, se levanta um monumento aos que tombaram durante a Segunda Guerra Mundial. No topo de uma escadaria um sino enorme está pendurado em uma torre. A construção guarda a estátua de uma figura deitada e que tem na sua base uma placa de bronze onde está escrito, com toda a pompa e circunstância do império britânico, “At the going down of the Sun and in the morning we will remember them” (2). É lá, ao lado da placa, sobre o muro que cerca o monumento (3), que alguém chamado Daniel Kuntze deixou seu nome e a data de sua façanha, escrito em letras de forma. Não tem como não ver. Quando você olha para o forte de Santo Ângelo, do outro lado da Grand Harbour, a assinatura de Kuntze no parapeito do monumento, riscado com força e determinação, é o que mais chama a atenção.

Não conheço Daniel Kuntze, nem quero conhecer. Só sei que ele deixou atestado, em letras garrafais, que ele é um animal. Seu nome, iluminado pelo sol maltês do meio-dia e gravado na dureza do concreto, é o atestado de sua própria estupidez.

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1) The Beheading of Saint John Baptiste, a única tela de Caravaggio assinada por ele, está em exibição hoje no mesmo lugar onde foi pendurada originalmente: o oratório da catedral de Saint John em Valletta.
2) Ao pôr do sol e ao amanhecer lembraremos deles.
3) É o Siege Bell Memorial.



MISS

Priscila Machado, Miss Brasil 2011, nas páginas da revista RG.

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PARTY TIME

Materia de moda publicada na revista Vogue Brasil de setembro.

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