ART (3)

As imagens de Vanessa Michels e Rodrigo Alves para a revista I.

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TIME

Viviane Orth para a revista The President.

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BANDERAS

Entrevista com Antonio Banderas, e foto, publicadas na GQ Brasil #4.

Antonio Banderas é um gato. Quero dizer, independente do que as legiões de admiradores vêem nele, um gato no sentido felino. Quando anda o faz como se o fizesse na ponta dos pés, quando se mexe de um lado a outro é como flutuando pela sala e quando fala com as mulheres é com uma intensidade que só um gato, o animal, coloca ao ver um pássaro. A diferença com Banderas é que elas não se sentem ameaçadas.
O ator tem uma personalidade surpreendente, ultrapassa o carisma que seus personagens destilam nas telas e tem uma qualidade rara entre os de suas espécie: é capaz de dar risada dele mesmo e, a seguir, em um piscar de olhos falar seriamente de todos os assuntos que vão surgindo, sem esquivar nenhum deles. Banderas esta em um ponto de sua carreira em que pode prescindir da imagem de galã e viver um psicopata (mais um em sua carreira) com o que representa em “La Piel Que Habito”, o último filme de Almodóvar, ou se dedicar ao lançamento de seu perfumes, ou a dirigir seu próximo projeto. Parece que ele tudo pode e com ele tudo da certo.
Talvez o fato da conversação ter sido em uma dos idiomas originais comum aos dois, o espanhol, fez parecer, no fim da conversa, que nos conhecíamos desde sempre.
Até nisso Banderas tem talento.

JRD- Parece que você fez mais algumas fãs por aqui. Alguém do seu staff soltou a seguinte declaração: “Antônio tem aquele olhar que come com os olhos. Ele usa calças apertadas, como um cantor sertanejo, sapato sem meia e um crucifixo enorme no peito. E nele tudo cai bem. Além de ser educadíssimo e falar de mulher o tempo todo”. Isso é verdade?
AB - Das calças (apertadas) eu não sei. Agora, das mulheres: gosto desse assunto, não vou negar. Depois de cinquenta anos elas ainda são um mistério maravilhoso para mim, cheias de curvas a explorar.

JRD - Já que estamos começando a desvendar os segredos femininos, vou fazer uma confissão indelicada. Uma vez em São Paulo encontrei o Guillermo Cabrera Infante [escritor cubano] e descobri que ele e eu nutrimos verdadeira paixão pela Melanie Griffith, sua mulher. Perdoe-me (risos).
AB - Não preciso perdoá-lo, não tenho ciúme. Quando nos conhecemos eu estava casado e ela também. Sabe como foi?

JRD - Não.
AB - Desci de um carro no Oscar de 1989 e, na mesma hora, digo a Pedro [Almodóvar]: “Não me lembro do nome daquela atriz linda.” Ele: “É a Melanie Griffith. Ela está indicada esta noite [pelo filme Uma Secretária de Futuro, de Mike Nichols].

JRD - Sim, sim.
AB - Seis semanas depois, estávamos casados.

JRD - Chegou a ler o texto do Cabrera Infante que começa assim: “Como uma margarida de celulóide, se desfolha em uma tela”?
AB - Não.

JRD - Há um livro dele, chamado “Cine o Sardina”, que tem um capítulo inteiro dedicado a Melanie Griffith e começa exatamente com essa frase da margarida.
AB - Acho isso na internet?

JRD - Sim, é fácil. Pena que não tenho o computador aqui porque baixei. Mas você não sabia de tudo isso mesmo?
AB - Soube que ele tinha admiração por ela, mas não que era...

JRD - Pública?
AB - Isso. Fantástico. [Risos]

JRD - Fantástico é ser casado com uma mulher arrebatadora, levar a fama de amante latino e não ser perseguido por paparazzi?
AB - Ah, os paparazzi procuram escândalos e como não damos tantos, eles desistem. Temos só algumas questões pessoais que já resolvemos e que não saem nos jornais. O que acontece hoje é que acredito que estamos vivendo em uma época muito “orgásmica”.

JRD - “Orgásmica”?
AB - Sim. As pessoas buscam aquele fogo inicial nas relações. Quando acaba, elas correm atrás dessa sensação de novo e, assim, nunca conquistarão o que tenho agora com Melanie, uma cumplicidade de 17 anos. Para isso é necessário tempo, e tem um preço, são muitas crises.

JRD - A melhor vingança é viver bem. Você parece saber viver. Falta alguma coisa para ser feliz?
AB - Estou em um bom momento. Dá até culpa porque o mundo anda fodido.Também tenho um pouco de medo porque isso pode não soar bem para alguns e então começarão a me encher.

JRD - Quais são os luxos de Antonio Banderas?
AB - Os luxos? [espanto]. A solidão é um deles.

JRD - Solidão?
AB - Sim. Uma solidão compartilhada com minha família. É também descer as montanhas de Aspen de ski e nada mais. [ponga pausa] Ler, tocar piano, escrever, dividir minhas coisas com minha mulher.

JRD - Voltando a “elas”. Fale um pouco dos seus perfumes. Uma vez em Paris, um dos momento mais perturbadores que tive com uma mulher foi ao sentir o perfume dela, na hora que me deu um beijo de boas vindas no rosto, misturado ao cheiro do [cigarro] Gauloises que ela tinha fumado.
AB - Você gostou?

JRD - Foi inesquecível. Minha memória, nesse caso, é olfativa. Me fale como você faz os seus perfumes?
AB - Tenho uma equipe em Barcelona que trabalha comigo há anos. No começo dessa parceria eles me presentearam com uma pasta que tinha um monte de potinhos, alguns com os nomes ocultos. Um deles tinha o nome de “domingo pela manhã”. Fiquei me perguntando como era o perfume de uma manhã de domingo? Então comecei a entender que criar essas fragrâncias é uma arte.
Diablo, Diablo for Woman, Mediterrâneo, Spirit, Banderas por Woman, Antonio, BlueSeduction for Woman, BlueSeduction for Men: esses nomes vêm depois?
Minha equipe escolhe os nomes - eles têm departamentos inteiros que se dedicam a isso.

JRD - Os espanhóis têm fama do serem bons amantes...
AB - Isso é uma mentira.

JRD - Mas um Don Juan precisa ser perfumado, ou não?
AB - [Pausa e respiro] Não sei... O Don Juan de Torrente Ballester, provavelmente. Ele é um tipo intelectual, une algo de Fausto e de Don Juan juntos. Mas já o de Zorilla é beberrão. Esse cheira a hálito de Gauloises e vinho, é um pouco mais selvagem.

JRD - Como você lida com a vaidade?
AB - Reconhecendo-a. Há espaços para ela na vida.

JRD - E ela aumenta ou diminui com a idade?
AB - Diminui. Mas talvez seja da minha profissão. O ator é um ser muito estranho, o corpo é nosso instrumento de trabalho e ele se deteriora. O resumo de tudo isso é que os verdadeiros atores não sofrem, simplesmente se encaixam no que o tempo lhes oferece. E eu estou em uma fase muito interessante. Outro dia estava revendo “La Piel que Habito” e me dei conta de que estou envelhecendo. Gosto disso. Minha fama de amante latino vai acabar – o que me deu um certo prazer.

JRD - Voltar a filmar com Almodóvar ajudou nesta sua mudança de percepção?
AB - Sim, profissionalmente. Porque a minha tendência ao encarar um personagem como este, que é um psicopata, era a de mergulhar fundo. E Pedro me disse: “Não! Não se vê o monstro. Economize”. O resultado é magnífico. É um eu que nunca vi na tela: controlado, sutil, sem alarde.

JRD - Porém bastante assustador. Vi o trailler e ainda bem que estamos aqui com a janela aberta. Não ficaria trancado com você em um quarto.
AB - Funciona assim, não? Quando prendem um serial killer, entrevistam os vizinhos e os comentários sempre se repetem: “ele era uma excelente pessoa, ia à missa todos os domingos, ajudava velhinhas a atravessar a rua”. Só que tinha 17 pessoas em pedacinhos no congelador.

JRD - Tem algum longa de toda sua trajetória que foi mais difícil de fazer, ou mais especial?
AB - Tenho um carinho especial por Ata-me [de 1990], pelo que significou. Era meu quinto trabalho com Almodóvar, que considero um gênio. Difícil mesmo foi filmar a Lei do Desejo [1987], ali enfrentei um problema moral meu.

JRD - Imagino [ele tem sequências de sexo com o ator Eusébio Poncela].
AB - Isso depois me levou a uma situação bastante interessante. Meu personagem assassinava o outro e ninguém nunca se questionou se aquilo estava certo ou errado. O que chamava atenção é que eu beijava um homem. Matar era normal, o público aceita um crime na tela com naturalidade. No entanto, beijar uma pessoa do mesmo sexo não pode. Mesmo sendo um “amante latino”, creio que sou o ator da minha geração que mais vezes interpretou gays, no cinema e no teatro.

JRD - E sua experiência como ator o levou a dirigir Loucos do Alabama (1999) e O Caminho dos Ingleses (2006). Bem, eu imagino que você está deitado e pensa algo como: “Acho que amanhã vou dirigir um filme, ou vou dublar o Gato de Botas do Shrek, ou... Como você lida com todas essas tarefas, além de sua porção fotógrafo, seus perfumes. É o seu agente que liga: “Olha, temos uma oportunidade”. Ou você fala: “Procure algo assim que eu gostaria de fazer.”
AB - Depende. Com a direção não. Por exemplo, estou rodando algo e vendo como as cenas são dirigidas. Quando você começa a questionar o trabalho do seu diretor - isso já aconteceu comigo várias vezes – tem de fazer sozinho. Então chegou as minhas mãos uma novela de Mark Childress (o roteirista de Loucos do Alabama) totalmente enlouquecida e decidi assumir.

JRD - Você se divertiu mais dirigindo ou...
AB - Muito, muito, muito.

JRD - Orson Welles dizia que dirigir é como ganhar um trem elétrico de presente.
AB - É como ser Deus, você recria o universo. A fotografia também têm algo assim, pois em ambos os casos se conta uma nova história.

JRD - E de fatos reais, você gosta? Se tivesse agora 18 anos teria ido à Plaza Del Sol, na Espanha, participar dos protestos?
AB - Sim, se não tivesse um trabalho.

JRD - O que você pensa sobre a situação do seu país. Quer falar disso?
AB - Sim. Bem, entendo e apoio a não-violência dos protestos. É importante pensar, porém, que a revolução não é um fim em si mesma, ela tem de passar das ruas para as propostas e aí é onde mora o perigo. Não há um caminho a seguir porque estamos nos dando conta que o governo não governa. O país é controlado pelo capital, pela mídia, pelas grandes corporações - os que não foram eleitos. Hoje ninguém pode ganhar uma eleição sem o apoio da mídia ou sem o financiamento das grandes empresas. Acredito que este ciclo vicioso chegou a tal extremo que o sistema que vivemos nos últimos 15 ou 20 anos e que parecia perfeito - Você chegava em um banco e dizia que queria uma casa e eles respondiam: “Aqui está o dinheiro. E vamos dar um valor a mais para pagar os móveis.” - era uma mentira. Escuto a opinião dos economistas e dá vontade de chorar. Soma-se a isso problemas de meio-ambiente, escassez de água. Estamos numa fria. Esta situação só vai mudar através de um conflito armado, como muitos que aconteceram no século 20. E agora o que fazemos, ainda mais sabendo que podemos nos destruir e que a guerra já não é mais uma solução? Por isso acredito que a palavra que melhor define esta era é “confusão”.

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Tres capas de revistas que vão para as bancas e duas customizadas. As que vão para as bancas tem mais chamadas na capa.

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GORILAS

Trxto de Daniel Benevides publicado na revista Personalité número 14.

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J.R.Duran e os gorilas de Ruanda.

Quando fala com seu simpático sotaque catalão, J.R. Duran perde o foco continuamente. O entusiasmo jovial e memória prodigiosa não parecem deixar que se fixe numa só lembrança. As datas e situações se mistura, umas puxando as outras, formando uma curiosa teia de referências. Fala principalmente da África, que o fascina desde menino. Conheceu boa parte do continente: Quênia, Namíbia, Uganda, Eritréia, Tanzânia, Somália, a lista é enorme. Sempre a trabalho – condição que considera necessária para deixar o olhar mais aguçado – e sempre inspirado por um ou mais livros. Tem uma coleção de cerca de 300 livros com relatos de viagens. “ Viajar é essencialmente um ato de imaginação. Mas é preciso também informação, que filtra o que há de interessante. E uma noção do passado, para poder enxergar os fantasmas. Você tem de enxergar os fantasmas!” Foi assim com Gorrillas in the Mist, da antropóloga Dian Fossey, que o deixou instigado a conhecer os gorilas – das – montanhas de Ruanda, ameaçados em extinção. Em 2003 quando leu que o país voltava a abrir as portas, depois do genocídio de 1 milhão de pessoas (descrito em Gostaríamos de Informá – lo que Amanhã Seremos Mortos com Nossas Famílias, de Philip Gorevitch), pegou o mínimo necessário e voou para o centro da África. “É um país muito pequeno, com apenas duas estradas, uma que cruza o norte a sul e outra de leste a oeste”.
Para chegar a 3 metros dos famosos primatas, Duran teve de ser escoltado pelo exército, por conta de caçadores ilegais, o que não esfriou sua curiosidade - ao contrário. O fotógrafo e aventureiro foi à capital, Kigali, e ao lago Kivu, cenários da guerra entre tutsis e hutu. Kivu fica na fronteira com o Congo, país em que também esteve, atraído pela leitura do clássico O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, e pelos relatos do explorador Henry Stanley(1841 – 1904), que encontrou, em 1871, o então desaparecido David Livingstone, que havia se embrenhado na África em busca da nascente do rio Nilo.
O próprio Duran, estimulado por escritos dos mais diversos, como as biografias do explorador Richard Burton, as aventuras de Corto Maltese e mesmo as anotações de Che Guevara sobre a guerrilha no Congo, publicou Cadernos Etíopes (Cosac Naify), com fotos e textos sobre tribos da Etiópia. Na apresentação, ele, que também lançou dois romances “noir existencialistas”, Lisboa (W11) e Santos (Francis), escreve: ”É bom se perder com a certeza de que é possível voltar para casa”.



BRANCO (2)

Rafinha Bastos para a revista RG.

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CONEXÕES

Projeto da Ford, parte de uma mega campanha chamada Ford Connect. A minha função em estes quatro filmes é ajudar a quatro consumidores na procura do clique perfeito. De carona no carro ideal a idéia foi cobrir os quatro pontos cardeais da cidade de São Paulo. Aulas rápidas de fotografia para quatro personagens que reagem de maneira diferente aos imprevistos visuais.

Com Juliana: o que é bonito tem de ser caro?

Com Miro: a beleza pode ser inteligente?

Com Panessa: o arrojado pode ser clássico?

Com Carmen: a praticidade pode cortar o vento e ajudar a deslizar pelo mundo mas, acima de tudo, o bom fotógrafo se agacha para descobrir o melhor ângulo.





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