MIT

Na edição da revista MIT, que celebra dez anos de vida, estão lembradas as 10 grandes reportagens que marcaram sua trajetoria. Uma delas, com o título de "Você tem medo de quê?", foi publicada em setembro de 2002.

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Raros são os profissionais ambidestros, que manejam com o mesmo talento assuntos e materiais tão distintos quanto luz e verbo. O catalão J.R. Duran é um desses privilegiados. Reconhecido como “o fotógrafo das estrelas”, ele é também autor de dois romances policiais, Lisboa e Santos, ambos publicados pela editora Francis. Mas é possível dizer ainda que o fotógrafo- escritor tem um terceiro talento, o gosto por aquele frio no estômago próprio das montanhas – russas (que Duran por acaso detesta). Foi assim que, em julho de 2002, ele abandonou o conforto de seu estúdio fotográfico para se embrenhar no coração da África, mais precisamente nas Montanhas da Lua, um santuário de gorilas em extinção entre Ruanda e a República Democrática do Congo – e também palco de lutas sangrentas entre duas tribos rivais, os hutus e os tutsis. Na sua empreitada, Duran contou com a simpática companhia de soldados do RPF (Rwandan Patriotic Front), todos armados com fuzis automáticos AK-47 e munição suficiente para fazer morrer de inveja Pancho Villa.
Acontece que a expedição que era para ser um simples (sic) encontro com gorilas pelas selvas de Ruanda termina por se transformar numa ousada tentativa de cruzar de improviso a fronteira da República Democrática do Congo para registrar a cidade de Goma, cortada ao meio pela lava de um vulcão. Muitos postos policiais, negociações, blefes – e gorilas – de – pois, o resultado foi um irretocável relato em primeira pessoa recheado de fotos, surpresa e tensão. Feito uma montanha – russa.

“ Como quem não quer nada, perguntei a Laurent como conseguiu o visto de entrada no Congo. A resposta é a que temia “Não tem visto, dei um jeito”. M...! estou no fim do mundo, mas oficialmente não estou aqui, não existo e alguém que não existe não pode desaparecer, mesmo porque já desapareceu. Simples, tão simples que quero dar o fora agora mesmo. Meia volta, volver. Conto mentalmente os postos policiais que faltam até a fronteira . São seis. A partir do quarto, tudo começa a se mexer em câmera lenta. Borboletas no estômago, dor de cabeça, boca seca. Espero que seja apenas medo, não quero entrar em pânico.”



NGHT

Fabiana Semprebom para a revsta W.

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PALAVRAS AO VENTO #3

A entrevista com Vik Muniz, publicada na GQ número três.

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O paulistano Vik Muniz, 49 anos, é um gênio. Suas obras estão nas melhores paredes dos quatro cantos do mundo e, ainda por cima, ele se dá ao luxo de fazer a abertura de uma novela por uma simples razão: “O meu trabalho apareceu pelo menos um minuto, seis dias por semana para 60 milhões de espectadores”. Dono de um raciocínio simples e direto, o artista parece ter a máxima do escritor Antoine de Saint-Exupéry “O essencial é invisível para os olhos” impressa em sua retina.
E Vik Muniz faz questão de enxergar o que ninguém vê. Recentemente foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da Unesco por seu trabalho de arte com os catadores do Jardim Gramacho, na baixada Fluminense, mostrado no filme Lixo Extraordinário – indicado ao Oscar de Melhor Documentário. Radicado há mais de duas décadas nos Estados Unidos, ele imprime visões inusitadas para clássicos como a Mona Lisa, reproduzida em geleia e manteiga de amendoim, e divas do cinema – como Sophia Loren e Liz Taylor –salpicadas de diamante.
Mas suas pretensões vão além do sucesso pessoal. Vik luta por uma semana de arte no Rio e faz projetos por encomenda com renda revertida para uma ONG. Suas obras, que representam um trânsito perfeito entre a pop art e o engajamento político, mudaram seu mundo e agora ele se empenha em melhorar o dos outros chamando a atenção para causas sociais. “Como artista, fico sempre inventando novas formas de poder”, admite

J.R.DURAN Em que momento você se olhou no espelho e falou: “Eu sou um ilusionista”? Ou você não se considera um?
VIK MUNIZ Mestre da ilusão, para mim, é Steven Spielberg.

Defina Vik Muniz em uma frase.
Nem sei mais. Você ouve tanto sobre você que começa a citar a si mesmo em terceira pessoa. É como Jorge Luis Borges, Pelé. Pelé, por exemplo, não é mais Edson Arantes do Nascimento, ele é o Rei do futebol. Acho isso bem interessante; criar um personagem
para a vida real.

Como assim?
Porque, na verdade, você só deixa de pensar em si mesmo, ultrapassa os limites da própria pele, quando tem um filho. Aí, sim, se espalha e descobre que é muito melhor estar para fora do que para dentro do seu corpo. E com o processo criativo acontece algo bastante semelhante: primeiro existe uma necessidade de identidade muito grande. A partir do momento em que você começa a realizar certas coisas, vê que, para um trabalho ser relevante, não só ele tem de ser interessante, como precisa ser difundido – vai ter sempre um chinês que faz melhor, tem sempre um mais rico que você. No começo da minha carreira, eu pensava: “Você me dá uma parede e um prego e eu, sozinho, ponho um quadro lá”. A verdade é que tenho o mesmo sentimento pelo artista e pelo catador de lixo – pessoas que vivem à margem. O artista não tem função, está ligado com riqueza, decoração. Por isso, ele deve assumir uma posição central. O exemplo que eu dou sempre é o de gente que tem poder e aqueles que criam a ideia do poder. O rei. Por que ele é rei? Porque falou para todo mundo que era. E quem inventou essa história? Foi um xamã, um feiticeiro. Sempre tem um Merlin por trás de uma lenda.

Quem seria o seu xamã?
Eu sou o meu xamã. Fico sempre inventando novas formas de poder.

Diamantes, café, nuvens, chocolate, papéis, pasta de amendoim, espaguete, pregos e lixo reciclado. Qual é o poder de transformar esses materiais em uma obra de arte?
Do arame, você tenta fazer uma paisagem e não consegue. Então, resolve usar linha, que também não funciona; aí testa o açúcar. Pensando em pintura chega ao chocolate. Uma hora, parte para o diamante e, inevitavelmente, acaba no lixo. Se você chegar ao lixo, que é algo que ninguém quer ver, faz uma outra história. E desse meu momento lixo veio um convite insólito, sabia? Bem na época em que eu estava trabalhando com os catadores do Jardim Gramacho.

A abertura da novela apareceu durante as filmagens do...
Quando o filme [Lixo Extraordinário] começou a passar em festivais, a Denise Sarraceni, diretora de núcleo da rede Globo, me ligou: “Temos uma novela com um núcleo que fala de reciclagem e a gente queria saber se você faria a abertura”. Imediatamente eu perguntei o nome. Ela: “Passione”. E eu: “Estou dentro.” Almodóvar assim. E criei essa com os garotos da ONG Spetaculu. Tudo o que faço por encomenda passo para uma ONG. Na época, as pessoas começaram a falar que eu estava me vendendo. Não ganhei nada, muito pelo contrário, gastei dinheiro.

Essa é a maneira como separa arte e produto? Com uma ONG no meio?
Existe sempre uma ONG no meio quando estou envolvido em algum projeto que tenha uma conotação mais comercial. E eu ainda escutei de um crítico: “Se você não está levando uma grana, o que ganha com isso?” Respondi: “Vem cá, faz as contas: o trabalho vai aparecer por pelo menos um minuto para 60 milhões de pessoas por dia durante dez meses. Não tem Google, não tem YouTube, não tem nada que chegue perto dessa exposição”.

Então, a palavra é uma só: “exposição”?
Exatamente. Seria um hipócrita em não aceitar. Hoje pego um táxi e o motorista conhece meu trabalho. Todo mundo viu, do Oiapoque ao Chuí.

Você é uma pessoa de muito sucesso, mas nunca li uma crítica sobre sua obra. Em algum momento teve alguma que o deixou especialmente enfurecido?
Tenho tido a sorte de ser muito elogiado por pessoas que admiro e muito criticado por quem repudio. Tive uma crítica negativa do Diogo Mainardi. Eu ficaria muito preocupado se ele gostasse. Ia pegar mal à beça, entendeu? Se ele, que é um Pedro de Lara da crítica nacional, fala mal, tudo bem. Se tivesse gostado, estaria em apuros. É meio assim, ninguém quer ser criticado por pessoas que respeita. Mas o que me incomoda mesmo são pedidos de entrevistas em que o jornalista passa o dia inteiro comigo e depois escreve um texto em que me deixa fazendo papel de palhaço. Vou ser superfranco: quando era jovem, nunca ninguém me falou que poderia vir a ser um artista internacional e que viveria de artes plásticas. Sou filho de um garçom com uma telefonista, nunca tive uma obra de arte em casa. Tenho obrigação de ser um bom exemplo para as pessoas que estão na mesma situação que vivi. Se eu consegui, você consegue. E aí o sujeito me descreve como um bobo da corte? Aquilo me deixou p. da vida.

Vendo sua atuação na arte e também em projetos sociais – você foi recentemente nomeado Embaixador da Boa Vontade da Unesco – penso em Gustave Courbet, um grande pintor realista que se envolveu em política e teve de sair fugido de Paris. Tenho a sensação de que você é um Courbet da fotografia. Vejo isso em contextos diferentes do seu trabalho...
O que faço vem de uma ideia até antiga do [artista alemão] Joseph Beuys. Ele falava que o artista tem dois tipos de iniciativa. Uma é atuar, ser parte motora da engrenagem social, agente de mudanças. A outra é residual, são objetos criados para serem absorvidos pela sociedade e acabarem como documento histórico. Para mim, Beuys e [Andy] Warhol, que expunha o poder do cotidiano, são dois polos importantes do fim do século 20.

Aliás, as paredes da sua sala são totalmente vazias, mas tem um Warhol com a peruca do Laerte no banheiro.
[Risos] Tenho algumas polaroides dele também. Mas, continuando, eu diria que a minha obra se torna pequena em relação ao que estou pensando. Mas eu não faço arte política. Se você começa a fazer isso imaginando as consequências políticas que aquilo vai trazer, você já está poluindo sua criatividade na base.

Essas duas frentes de atuação não despertam em você um Dr. Jeckyll e um Mr. Hyde, de O Médico e o Monstro?
De jeito nenhum! Tudo isso pode ser integrado. Você pode imaginar o artista de uma forma retrógada – ele ali no quartinho fazendo coisinhas. Eu acho que tem gente que adora vê-lo como Van Gogh, o marginal que corta uma orelha e nunca vendeu uma pintura. Eu imagino o artista como um elemento que tem muita mobilidade dentro de uma sociedade. Ele se relaciona com o mendigo e com o milionário que compra seu trabalho. Se as obras de arte não custassem caro, as pessoas não iam cuidar delas da maneira que cuidam. Elas não iam passar isso para os filhos, para os netos, isso não ia acabar em museu. Por isso, é preciso avançar o conceito do que é obra de arte e colocá-lo em uma esfera maior, compatível com o mundo da tecnologia e da mídia.

Por falar em mídia, logo depois do Oscar, você fez uma declaração dizendo que seu filme era sobre “como transformar lixo em dinheiro”.
Aquilo foi uma piada.

E o vencedor do Oscar, Trabalho Interno, ensinava como transformar dinheiro em lixo.
Foi um comentário jocoso, isso aí...

Você queria causar, ser o Lars Von Trier do Oscar (no Festival de Cannes, o cineasta dinamarquês afirmou, em tom de brincadeira, entender Hitler)?
Deus me livre. Eu odeio Lars Von Trier. Estou adorando toda essa história dele [ele foi considerado persona non grata do Festival francês]. Detesto aquela linguagem mexida dele. O cara quer fazer uma coisa mexida e depois cria um manifesto. Não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ele lançou um dogma...

Para justificar o que ele fez...
Não gosto de nenhum filme dele.

Imaginava que você poderia ser indicado ao Oscar?
Que nada. Via o Oscar em preto e branco com a minha mãe, quando eu era menino, e achava graça porque era tão absurdo. O que é legal da experiência é que parece que você entrou dentro da televisão. Aquelas pessoas são tão irreais ali como nos filmes.

Quando você está lá, você passa a ser como eles, não?
Você vira um personagem, porque é um grande espetáculo.

E você foi a uma das festas pós-premiação.
Fomos, eu e Malu [Barreto, namorada de Vik]. Todo mundo era famoso, menos a gente. Tinha pouca coisa para comer e os garçons pediam que a gente bebesse porque todo mundo só ficava na água. O único no “uiscão” era o Robert Downey Jr., metendo bronca. É engraçada a ideia da festa. O melhor é que fui ao banheiro e, do meu lado, estava Robin Williams.

Você olhou para o lado? [Risos]
Fiquei quietinho, na minha [risos].



RETRATOS

Três retratos feitos para a revista piauí.

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