JOTA ERRE DURAN

Guiuliano Cedroni escreve, para a revista Private Brokers #28, a respeito de duas ou três coisas que só ele sabe sobre J.R.Duran.

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Jota Erre Duran. Com duas iniciais e sobrenome.

A assinatura de J.R.Duran se tornou conhecida primeiro nos créditos de suas fotos e depois em muitos ofícios. O catlão mais ziriguidum do Brasil mostra seus lados B, C, D, E...

Duran não é novo. Aos 58 anos, é de se esperar o branco nos cabelos e as marcas no rosto. Tampouco é um senhor insistindo no ridículo de parecer jovem. Carrega com dignidade cada mudança de país, cada idioma absorvido, cada prêmio na prateleira, cada trabalho encomendado. O chefe de família não esconde a lagrima ao falar da filha adolescente. Cercado por grifes clássicas como Hasselblad, Land Hover e Moleskine. o catalão busca cada vez mais o auxílio do Ray-Ban modelo Woody Allen para ler – e faz isso muito antes de o modelo virar moda. ''As pessoas se deslumbram com o novo.''

Duran não é velho. É charmoso e sedutor e sabe disso. Faz uso do cavanhaque esporádico, que lhe imprime um ar moderno, no bom sentido da palavra. Esta longe de ser um velho de alma, fechado para as novidades. ''Não necessariamente a novidade é o novo'', disserta calmamente, com uma taça de sua escolha, na Vila Madalena, em São Paulo. Está sereno e focado, experiente e cheio de energia. Não tem pressa, mas não tem tempo a perder.

Duran não é brasileiro. Nasceu na Espanha de Franco e ali viveu até os 18 anos de idade. ''Barcelona era um lugar triste, vazio. sem arejamento cultural. A única coisa bacana eram as suecas que vinham no verão, ávidas pelos ibéricos…'', lembra Jota. Erre. Duran (ele não declina os nomes escondidos sobe as iniciais: ''Surpestição''), um dos filhos de um industrial e de uma dona de casa. A família veio pra São Paulo em 1970, quando a empresa do pai foi vendida. ''O Brasil era uma terra mítica para nós europeus. Eu imaginava viver de canga andando pelo mato, e ao chegar aqui vi que não era bem assim.'' Aqui, o jovem catalão deparou com as brasileiras em carne e osso. Intimidado, até tomou pau na escola. Ninguém poderia imaginar que aquele garoto acanhado se transformaria no autor de alguns dos melhores registros da mulher brasileira. Ou, mais do que isso. da sua sensualidade, em memoráveis ensaios para revistas masculinas, como Playboy.

Duran não é um intelectual. No entanto, guarda artigos de jornal em pastas como um velho professor da USP. E lê. Sempre que pode, na língua original. Inglês, francês, espanhol, catalão. Livros, revistas, jornais. E não abre mão da versão papel: ''Ler o jornal com uma xícara de café é um dos meus rituais. Como vou fazer isso no iPad? E se eu derrubar um pouco?''. O leitor declara que muito do que imprime hoje em sua fotografia são referências escritas. Mas ele não é óbvio. Cita autores norte-americanos pouco conhecidos, o francês Stendhal e o argentino Bioy Casares.''Nesse momento estou lendo sobre a queda de Constantinopla e a briga por Malta. Descobri que em Malta existem dois puta Caravaggios e isso me faz querer me mandar pra lá…''

Duran não é um turista. É um viajante. Já visitou dezenas de países, muitos deles diversas vezes. ''Nem ideia de quantos… Nem ideia.'' A ida a Eritreia, por exemplo, nasceu da leitura da biografia de Hugo Pratt, que tinha passado por aquelas bandas. ''Comentei com Mario Sergio [Conti, editor da revista Piauí] , e ele disse que, se eu fosse, ele publicava. Fui.'' Outra viagem para a África virou o livro Cadernos Etíopes (Cosac Naif, 2008); já a passagem pelo sul da Espanha gerou Sevilla (Burti, 2005)… E assim ele pratica o não turismo produtivo. ''Essas são minhas férias. Não consigo ficar deitado num hotel em Campos do Jordão'', provoca esse cidadão instigado, que lançou dois outros livros atípicos para um fotógrafo, cujos títulos são nomes de cidades.

Duran não é um escritor. Mas ostenta em sua biblioteca, e na de muitos outros leitores, dois romances de sua autoria. Lisboa e Santos (Francis, 2002 e 2006, respectivamente) podem ser definidos como boa leitura noir. Como todos os seus textos, ele escreve em primeira pessoa. Os protagonistas são homens misteriosos, charmosos viajantes que planam sobre a vida. Café, cigarro, trepadas em quartos de hotel com mulheres desconhecidas, aeroportos, táxis. '' Primeira pessoa não significa que seja eu'', defende-se. Além dos romances, o fotógrafo assina centenas de crônicas, matérias e pensaras em forma de linguagem escrita. ''Meu primeiro texto me fez parar de escrever. Eu tinha 12 anos e a professora pediu uma redação com tema livre. Escrevi sobre a chuva. Ela disse que eu havia copiado aquilo, e, ao invés de ficar lisonjeado, fiquei puto!'', conta às gargalhadas. Graças à sensibilidade de didática da professora, não escreveria por muito tempo. Até que nos anos 1980 publicou sua primeira matéria, na revista Playboy, a convite do jornalista Mario de Andrade, lendário editor da revista à época. ''Esse cara me ensinou muita coisa. Ele falava coisas impressionantes… Me ferrei muito com ele, mais aprendi mais ainda.'' A matéria foi finalista do prêmio Abril. o que o encorajou a seguir escrevendo Hoje, Duran assina uma coluna semanal no jornal Brasil Econômico e um mensal na revista Trip, entre outras. Além, é claro de textos para seu website e frases para o universo on-line.

Duran não é uma web victim. Mas vive conectado. Uma vez por mês, atualiza pessoalmente seu website e mescla o seu portfolio com um blog. O homem não checa o smartphone a cada minuto. Quando está conversando, fotografando ou simplesmente pensando numa resposta, usa do mesmo poder foco que utiliza para suas imagens. Não está no Facebook nem no Orkut, mas é simpatizante do passarinho azul. ''Adoro o Twitter.'' No momento da entrevista, Duran contabiliza 28.914 seguidores no microblog. A sentença ''O passado é azul e superexposto'' foi tirada dali. Quem fotografou com película e já entrou num darkroom sabe o poder imagético que a frase sintetiza.

Duran não é um editor. Mas aprendeu a editar logo cedo. Faz parte do ofício de todo fotógrafo mostrar o seu editor, ou diretor de criação, cliente etc., somente as imagens de que você mais gosta. Em resumo, editar é isso: escolher sintetizar, melhorar. '''A vida é editar', já dizia Pedro Martinelli'', diz Duran citando o colega. Ainda assim, são poucos fotógrafos que sabem editar o próprio trabalho,quando mais o trabalho dos outros. Freeze sua primeira publicação, o colocou pela primeira vez na cadeira de ''diretor e editor de fotografia''. O projeto editorial consistia num portfolio de luxo de fotos suas – com raras exceções –, com alguns poucos textos que acompanhavam os ensaios… basicamente ensaios de mulheres e viagens. A empreitada durou de 2000 a 2005 e encheu os olhos de muita gente. Mês passado. no entanto, Duran se lançou novamente como diretor. Dessa vez da Revista Nacional, um compêndio de textos longos assinados por grifes do jornalismo brasileiro. Tudo ilustrado por ensaios em preto e branco e organizado numa direção de arte clássica e atemporal. Ali o design gráfico é de J. R., a edição dos textos é de Duran e as fotos são de J.R.Duran. Sem exceção. ''Estou editando meus editores… Um prazer.'' O resultado dessa feliz troca de cadeiras se materializou em 143 páginas e apenas 2 mil exemplares numerados. Sua ideia é lançar uma edição por ano durante dez anos, e, o mais surpreendente: ''Não haverá versão on-line. Somos do papel!'', celebra o autor, que, somando livros de fotografia e de texto, já contabiliza oito títulos com sua assinatura Todos de papel. A parruda Revi.Nacional, com seu quilo e meio de Novatech 170 gramas fonte Didot e imagens cuidadosamente impressas, causou frisson no mercado. Muitos se perguntaram como editoras grandes e renomadas, vivendo o Brasil da euforia Copa/Olimpíada, não possuem um titulo a altura da revista desse fotógrafo solitário. ''Meu trabalho é autoral. sempre. Meu olhar é autoral.

Duran não é um piloto. Mas de tempos pra cá deu pra fixar os olhos em outras máquinas que não Cannons, Nikons e Leicas. Em vez disso, foi se meter com Mitsubishis e Robinsons e, quando viu, estava pilotando automóveis de rally e helicópteros. Há anos ele se aventurava por terra e ar comandando essas maravilhas tão potentes como perigosas. Gosta de adrenalina misturada com poeira e da visão panorâmica que uma aeronave proporciona. ''As decisões a serem tomadas numa corrida ou num vôo oxigenam minha profissão'', explica ele. Já terminou em oitavo lugar na classificação geral do Rally dos Sertões, em 2004 e contabiliza mais de 150 horas de manche.

Duran é um fotógrafo. Desde 1972. quando iniciou a carreira fazendo assistência para mestres de arte da luz, o jovem se enxergou fotógrafo. Mas não só fotógrafo. ''É meu core business, o resto aconteceu.'' Se na moda e nos retratos Duran reflete sombras de Helmut Newton, Cartier Bresson e Irving Pen em suas viagens ele absorve a bagagem de Antonioni e Salgado, Bertolucci e Albert Watson, Chambi e Weber. Mas suas referências vão muito além do cinema e da fotografia. Pintores como Sargent e Sorolla, quadrinistas do calibre de Hugo Pratt, escritores como Richard Burton… todos estão impressos em seu trabalho, seja em foto, livro, edição ou desenho - sim, sua próxima cartada vai ser um livro de desenhos de quartos de hotéis que ele fez nos últimos 20 anos. Mais uma prova de que para Duran nano importa o como, e sim o quê, '' Meu conceito hoje é trabalhar com a verossimilhança, como a autenticidade. Quero recriar uma situação, um gesto, uma roupa que faça com que as pessoas lembrem de uma passagem da vida delas'', explica. ''Busco isso na publicidade, nos ensaios de nudez, na moda e também em meus textos…'' Talvez o termo fotografar, no ano de 2010, seja justamente isso -–registrar os acontecimentos a sua volta independente da ferramenta. Pode se uma câmera digital ou um teclado de computador ou o grafite sobre uma página branca, o purismo e a autocensura teremos um profissional inquieto e atento. E curioso, sempre curioso. Um… fotógrafo.



BOSSA NOVA

Duas páginas sobre a Rev.Nacional, na revista Vogue.

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É coisa nossa

O mais brasileiro dos fotógrafos espanhóis, J.R.Duran lança uma revista anual que se pretende o espelho do pais que adotou. Aqui ele expões suas motivações.

É um projeto ambicioso. E arriscado. Uma vez por ano, em dez anos, juntar em uma revista os assuntos, lugares e nomes que despertam o interesse e, de certa maneira, formam um espelho do Brasil nesta década que começa. Refletidas nesse espelho, gente como Luana Piovani, Isabeli Fontana, Cássia Ávila e Raica Oliveira, passando por Gilberto Gil, João Carlos Martins, Fernando Henrique Cardoso e Edson Galhardi, quem vem a ser o interessante sósia brasileiro de Elvis Presley. Também arquitetura (representada pela Ponte Estaiada, em São Paulo), paixões nacionais (o futebol, claro) e uma matéria sobre o próprio conceito da revista – Reinaldo Moraes tenta descobrir o que é, afinal de contas, a tal Preferência Nacional.

Não é uma revista descartável, nem clichê, muito menos uma revista de fotos. A Rev. Nacional é, isso sim, uma revista de temas para ver, ler e guardar. É, sem falsa modéstia, a revista dos meus sonhos. São pouquíssimas fotos de arquivo – talvez sete ou oito, que eu amava e desejava republicar. O restante são imagens inéditas de pessoas e paisagens que me atraem ou que cruzaram meu caminho durante o ano em que me debrucei sobre o projeto.

Quando comecei a revista – na verdade, sou sua mãe e seu pai, o Espírito Santo vem a ser a gáfica Burti, parceira de muito tempo que viabilizou o sonho –, sabia que queria conteúdo, consistência. Queria mergulhar em pautas que veículo nenhum me daria. Tudo isso acompanhado por textos de peso escritos por colaboradores idem – jornalistas e escritores que escolhi a dedo e a quem dei a possibilidade de definir sobre o que gostariam de redigir. Aliás, textos e fotos têm a mesma importância: uma coisa explica a outra. E os textos não falam da foto específica, mas elaboram uma pensata sobre o tema em questão, multiplicam a percepção do assunto. Sem pretensões antropológicas, sem “cabecismos”. É apenas eu matando minha curiosidade.

O insight para a revista me ocorreu depois da publicação do meu último livro, Cadernos Etíopes, em 2008. Fiquei um ano inteiro viajando pelo país africano. Cliquei cinco tribos diferentes – karo, mursi, hamer, nyangatom e dhasanech – e escrevi um diário sobre suas peculiaridades. Findo o projeito, pensei: “Por que não um tema nacional? Como moro no Brasil e nunca fui atrás de algo tipicamente brasileiro?”. Decidi que queria fotografar índios. Mas não qualquer índio. Queria índios num estado puro – ou o mais puro que conseguisse encontrar. Cheguei aos Zo’é, um dos últimos povos Tupi a travarem contato com a “civilização”, no fim dos anos 80 faz dez anos apenas. Fiquei cinco dias com eles no noroeste do Pará e consegui um material riquíssimo, que terminou virando capa da edição. Foi um início empolgante. Desse pontapé para a revista pronta em mãos, foi um ano intenso de preparação. Alterei o conteúdo, enxuguei as redundâncias, esperei ansiosamente pelo texto dos colaboradores – não posso ficar cobrando um Leão Serva ou Nirlando Beirão. Em tempos tão imeadistas, a periodicidade anual pode parecer exagero. Mas é um trabalho complexo, preciso desse tempo para deixar a revista tinindo. Tanto que já comecei a trabalhar no segundo número. Até ano que vem.



TERREMOTO

Fernanda Motta e Fernanda Tavares, juntas no melhor estilo Carlo Molino, para Loungerie.

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CARTAS A MIM MESMO

Tenho enviado cartas para mim mesmo desde já faz algum tempo. Neste texto, publicado na revista Audi #79, tento explicar o porque desta mania.

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Passado selado.

O filósofo e utópico renascentista Francis Bacon fez uma lista das que seriam, desde seu ponto de vista, as três descobertas mecânicas que tinham “changed the whole face and state of things troughout the world” (1). Seriam elas: a bússola magnética, a pólvora e o papel. De acordo com ele nenhuma estrela, nação ou seita conseguiu – conseguiria – exercer influência igual na vida das pessoas.
Dificilmente uso uma bússola apesar de que, confesso, levo sempre uma no fundo da minha mochila, acho que algum dia ainda vai me tirar de alguma enrascada. A segunda descoberta – a pólvora – não me é de grande utilidade direta, penso que serve mais aos exércitos. Já com a terceira descoberta é diferente. Fundamental para mim também. Porque não saio de casa sem um papel, e um caneta. Tenho a memória dispersa e idéias, e lembranças de coisas para fazer, me aparecem nas horas mais estranhas. Uma anotação rápida – contanto que depois seja legível – resolve o problema.

Bacon não o mencionou em seu tratado, mas os três inventos que ele achou fundamentais são chineses. E é com paciência oriental que venho guardando durante os últimos tempos – na verdade anos – uma série de cartas especiais. São cartas que escrevo para mim mesmo desde cada um dos hotéis em que tenho me hospedando, seja a trabalho ou de férias.

O conhecimento das rentrancias e saliênças da fotografia me servem para várias coisas profissionalmente mas, principalmente a nível pessoal, as utilizo como artimanha para congelar o tempo que ás vezes parece passar rápido demais. Uma maneira de fixar na memória os detalhes que semanas, anos depois vão se tornar imperceptíveis. Pode ser a imagem de um lugar confortável, de um objeto que nunca terei, um sorriso, o prato preparado de um almoço, a sombra que uma árvore projeta na parede. Cenas cotidianas que se repetem, aparentemente iguais – e não se engane, não o são – e que serão sempre as primeiras a desaparecer, enterradas na quantidade de informações arquivadas no labirinto da memória.
Alguém me disse que escrevia para não morrer. Ao escrever as cartas não chego a tanto. A razão pela que as escrevo é menos dramática, mais prática e simples. Escrevo, assim como fotografo, para guardar o tempo. Conto nelas como é meu estado de espírito naquele momento e isto se torna o registro de um momento, impresso em um papel, que anos depois, funcionará como uma janela aberta capaz de iluminar um pedaço do passado.

Para isto sigo algumas regras, que com o tempo fui estabelecendo. Um procedimento mais ou menos comum. Uma delas é a de que as cartas só podem ser escritas em papel timbrado. Ou seja, se o hotel não tiver um logotipo e endereço impresso em papel e envelope, nada feito. Outra é a de que elas tem de ser escritas com caneta na cor preta. Confesso que durante algum tempo as escrevi em tinta verde, como fiquei sabendo e que Pablo Neruda o fazia. Mas como o conteúdo das cartas é mais existencial do que poético, decidi, então, voltar ao preto sobre o branco.

Outra das regras é a de, sempre que o tempo permitir, ir ate o posto do correio mais próximo, fazer a fila, e pedir para escolher um selo. Grande e bonito. Em alguns lugares é fácil. Em Hong Kong, por exemplo, um dos postos fica a poucos metros do Hotel Intercontinental. Em outros é mais complicado, mas é parte do ritual. Em Los Angeles tive de pedir para o taxi, a caminho do aeroporto, para que parasse um segundo na frente de um posto de correios que surgiu no meio da corrida. Felizmente a carta estava á mão. De qualquer maneira é uma experiência curiosa. Os trabalhadores nos correios, estão acostumados a ter clientes que se preocupam apenas com a urgência das encomendas e ficam radiantes e iluminados ao descobrir que alguém pede para eles o selo mais interessante que estiver em circulação no dia. As reações são sempre divertidas. Em Asmará, a capital da Eritreia, a mulher saiu de trás do guichê e me convidou a tomar um café enquanto me contava das dificuldades do país. Em Macau, então, o rapaz deixou uma fila esperando atrás de mim e me levou numa salinha para me mostrar o porquê os correios da ilha são famosos por produzir selos belos e elaborados. Ás vezes é no concierge do hotel em quem confio para colocar as cartas no correio (2). Em alguns lugares isto é comum. Em outros nem tanto. Em Iquique, no Chile, a moça ficou surpresa. Ninguém antes tinha feito uma solicitação como aquela.

Uma outra das regras é colocar alguma coisa dentro do envelope, junto com o papel. O recibo de um restaurante, o ticket de um filme que assisti ou o ingresso a algum museu que dificilmente volverei a visitar. Durante alguns anos, antes da fotografia se tornar totalmente digital, polaroids (alguém lembra o que era isto?) serviam como uma espécie de reforço visual para estas cápsulas de memória (3). Mas uma coisa as cartas tem, rigorosamente, em comum. Nunca, até agora, elas foram abertas.

Enquanto o passado escorre entre os dedos e os neurônios do cérebro uma parte dele esta preso, para sempre, entre duas folhas de papel.
_____
(1) Em “Novum Organum” (1620).
(2) Durante estes anos todos apenas três cartas não chegaram. Foram as escritas na Índia e entregues na mão de três concierges de hotéis luxuosos – da mesma cadeia – ostentando belos turbantes. Não adiantou muito.



VERTIGO

A atriz Tammy Calafiori para a revista Estilo.

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UM CARRO EM QUATRO ESTAÇÕES

As quatro estações – verão, outono, inverno e primaveira – em volta do novo carro Ford Fiesta.

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E para provar que o importante é o que o olho do fotógrafo ve e nem tudo é o que parece, uma imagem do set em que tuo foi feito. O tratamento digital, neste caso, foi do Fujoka Photodesing.

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SALTO ALTO

O ator e apresentador Rodrigo Faro para a revista TPM. É difícil encontrar quem se preste a participar de jogos fotográficos além do imaginável. Rodrigo mostra que é um deles.

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VERSÁTIL

As outras fotos de Tammy Calafiori para a Criativa.

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