
Ás vezes imagens de origem puramente editorial acabam sendo protagonistas de layouts e campanhas publicitárias. Este é o caso das peças publicitárias avisando que o outono-inverno tinha chegado ao Shopping Iguatemi. As fotos, produzidas originalmete para a revista do shopping, por Giovanni Frasson foram re-editadas pela Borghierh/Lowe para ilustrar o material publicitário do Iguatemi.

Nem sempre as coisas acontecem como deveriam. Na pós-produção da capa, a lavanderia barbarizou o vestido Christian Dior que a modelo tinha vestido na foto. O prejuízo, em reais, utrapassou em várias vezes os três dígitos.

A casa perfeita não existe apenas nos sonhos de um diretor de criação de uma agência de publicidade. Existe, também, no olhar de um fotógrafo com bom equipamento digital.

O mesmo princípio da "hora certa no lugar certo", quanto ao nascer do sol, foi aplicado para o seu oposto idêntico que é o pôr-do-sol (mas em dias diferentes e com a ajuda do Climatempo) para realizar a imagem idealizada por Giuliano Cesar, diretor de arte da DPZ. Desta vez em um campo de arroz, e com um filhote de labrador adestrado por Gilberto Miranda, o homem que consegue com que os animais o obedeçam, quase, como um ser humano.


Apesar de toda a tecnologia digital disponível para se obter uma boa foto, na hora em que o sol nasce, não tem outro jeito senão o de estar no local certo na hora certa. Para a foto da campanha do Itaucard, criada pela DPZ, a única solução foi acordar ás 02:45 da manhã (modelos, produção, operadores digitais, assistentes, produtor de locação, motoristas e etcs.) para pegar a estrada e poder estar na locação escolhida (em quantas praias paulistanas o sol aparece atrás da montanha e do mar ao mesmo tempo?) no momento exato do acontecimento solar que se repete (quando as nuvens estão ausentes) por milhões de anos e não cansa de surpreender pela beleza.

Quando escreví este artículo (alguns meses atrás por causa do fechamento antecipado e essas coisas todas de prazos e gráficas) para a revista Audi, perfumado com algumas gotas de sarcasmo e inspirado no nó gordiano em que os ceus do Brasil tinham se tornado, não podia imaginar que continuaria atual no mes de março de dois mil e sete. E que, internacionalmente, o espaço aéreo de nosso país seria colocado no mesmo nivel de segurança ao do continente africano.
"A arte de voar.
Voar é com os pássaros mas para quem não têm asas sempre existe o avião. Por enquanto ainda é o método mais curto para você unir dois pontos distantes do globo terrestre. Isso, é claro, se você não tiver morado no Brasil, em dezembro de 2006, e tiver optado de ir de uma cidade a outra (os tais dos dois pontos) nas asas de qualquer PanAm nacional do século XXI. Mas isso é uma outra história. Enfim, o que eu quero dizer é que em todo o mundo as normas da aviação obedecem uma série de regras que são seguidas pelos profissionais envolvidos na área.
Mas, como tudo na vida, nem sempre as coisas acontecem como previstas. Na África, por exemplo. Lá tudo pode acontecer a qualquer momento. Diz a lenda que a única certeza que você pode ter é a de não ter certeza da hora em que seu avião vai sair ou chegar ao seu destino. Voar pelos céus da Africa pode ser uma caixinha de surpresas mas, devo confessar que, para mim, até agora foram sempre agradáveis.
A surpresa, por exemplo, de descobrir que o avião da Air Kenya que estava parado na pista do Wilson Airport, em Nairobi, não era uma peça de museu. Quer dizer, poderia até ter sido mas era, também, o avião que ia me levar até o território dos Massai na fronteira com a Tanzânia. O vôo foi feito sem nenhum sobressalto e, ainda por cima, baixo um céu azul intenso. Foi neste vôo, que um amigo meu que morava em Angola me contou que os etíopes eram respeitados como exímios pilotos e mecânicos de aviação no continente.
Pude verificar isso, anos mais tarde, quando o avião da Ethiopia Airlines desceu no povoado de Jinka. Apesar de poder ver que algumas partes dos manche, estava sentado na segunda fileira, tinham sido coladas com silver tape, os pilotos vestiam uniforme de piloto: terno escuro, camisa branca impecável, gravata escura e quepi de comandante. O avião saiu na hora certa de Addis Abeba e chegou na hora esperada. O vôo foi impecável e a única surpresa foi na chegada. O que eu achei de longe que poderia ser um campo de futebol para peladas (a grama estava comida em alguns lugares, o piso estava meio inclinado) era, na verdade, a pista de aterrizagem. Ficava bem no centro do lugar, rodeada por arame farpado, com uma rua e casas em volta. Pensando bem estava chegando a uma versão bem menos (muito menos) sofisticada do que Congonhas (ruas em volta, prédios, etc). A chegada do avião era, percebi depois, um acontecimento local que reunia multidões para contemplar o fenômeno. Os curiosos eram contidos com uma certa energia por policiais que carregacam as inevitáveis AK-47 penduradas nas costas.
Mas o momento mais inesquecível foi o de ter conhecido a familia Schurman. Eles moram na Namíbia e são os únicos autorizados a voar sobre a Costa dos Esqueletos. É um parque nacional, um deserto com uma área de aproximadamente quatrocentos kilometros quadrados, com dunas gigantescas que chegam até o mar. Uma corrente marinha sobe desde o Polo Sul e quando as águas frias se encontram com a areia quente das dunas provocam uma cerração constante e densa que só desaparece durante algumas horas do meio-dia. Antigamente, quando os métodos de navegação eram mais precários, os navios mercantes que se perdiam no lugar acabavam encalhando na costa. A primeira impressão dos marinheiros, náufragos, era de que estavam a salvo. Mas depois de alguns dias percebiam que se tinham se livrado de um naufragio no mar estavam, por outro lado, perdidos em um deserto. O nome do lugar, Costa dos Esqueletos, explica tudo. Os irmãos Schurman (são três) são, então, os únicos que tem a habilidade de voar no lugar. Eles entram, e saem, da cerração (pesadelo de qualquer piloto, pode perguntar) como se nada, além do mais eles comseguem voar a baixa altura e aterrizar na praia próximo aos restos de qualquer navio encalhado (sem esqueletos á vista, claro). Voar pode ser com os pássaros, mas resolver os problemas do dia a dia é com os homens."

