"Eyes Wide Shut" é o título de um filme que Nicole Kidman e Tom Cruise, quando ainda eram casados, fizeram para o diretor de cinema Stanley Kubrick. O filme, baseado na novela "Traumovelle" de Arthur Schnitzler e que a crítica rotulou como uma "alegoría psicológica". É destes dois trabalhos que veio a inspiração e a referência visual para o ensaio "Baile de Gala" que está publicado na nova edição da revista "I" (I de Iguatemi). Para entrar no set de fotografia a palavra chave
era, também, "Fidelio".




Apesar da inúmera quantidade de revistas de moda que existem (o mundo,
agora, parece que se divide em "fashion" e "não fashion"), poucas delas
se articulam visualmente de maneira que consigam desdobrar em suas páginas uma edição de imagens que não agrida os olhos dos leitores. O efeito que Alexey Brodovitch chamava de "respeito ao globo ocular". A revista da loja "Le Lis", da loja Le Lis Blanc, mostra em esta matéria fotografada com Ana Claúdia Michels (editada por Flávia Pomianowiski e Davi Ramos) que a simplicidade é sempre um ingrediente a ser considerado indispensável nesta escola de direção de arte do lendário editor e artista.





O hotel "La Sireneusse" em Positano, é considerado pela revista "Travel & Leisure" como um dos melhores do mundo. Uma suÍte, os corredores e a terraza do hotel, serviram como locação, em uma emergência provocada por um dia chuvoso, para fotografar uma das matérias publicadas na última revista Daslu dedicada exclusivamente à Ítalia. A discreta calma do lugar em nenhum momento foi perturbada.



Uma tourada é um assunto que, normalmente, não recebe muita simpatia como tema de conversa. Mas, como está escrito na matéria publicada da última edição da revista Audi Magazine, Hemingway tinha razão.
"Uma tarde de touros
Eu só quero dizer uma coisa: Hemingway tinha razão. Uma tourada é um espetáculo único. Em uma plaza de toros o mundo real fica esquecido do lado de fora, contido pelas paredes de tijolos que formam altos muros de influência árabe. Mais de 20 mil pessoas, aqui dentro, compartem da mesma opinião e se espremem em volta da arena circular, de cor amarela, que contrasta com os tons fortes do vermelho pincelado em todos os cantos – nas faixas, na madeira que separa o público do espetáculo. Vermelho e amarelo. As mesmas cores (coincidência?) dramáticas da bandeira espanhola.
Daqui a pouco vai começar um espetáculo que se encena por estas terras, com as mesmas regras, desde o final do século 18. Os ponteiros do relógio informam que são pouco mais de 6 horas da tarde. No verão espanhol isso quer dizer, apenas, que o calor diminuiu um pouco sua verocidade. Sob um céu azul intenso metade da Plaza de Toros Monumental de las Ventas, em Madri, brilha sob um sol de fogo, enquanto a outra metade respira na sombra. O que poderia ser um acidente geográfico marca a diferença no preço dos assentos. Na sombra, é claro, eles são mais caros (os melhores lugares são na porta 9,10 e 1, quanto mais perto da barreira, melhor). O público, ao contrário de um estádio de futebol, por exemplo, ou de um show de rock, vai se acomodando com calma, nos estreitos assentos de pedra (os joelhos de quem está sentado na fila de trás invariavelmente estarão encostados em suas costas). O motorista de táxi e o marquês, o rufião e o playboy, os turistas e os locais. Todos equalizados, com os traseiros encostados uns aos outros, nas arquibancadas. Para uma tarde como esta o público se veste com elegância, com um estilo próprio que não parece saído de nenhuma revista de moda. Um estilo que vem de saber andar pelo mundo; os homens com terno, com ou sem gravata, as mulheres com jóias, bolsas grandes e olhos pintados. Algumas delas lindíssimas (a maior concentração de mulheres bonitas que já vi em madri, posso dizer do fundo do meu coração, foi em uma tarde de touros). Fotográfos, celebridades, jornalistas e muitos óculos de sol. De todas as formas e tamanhos. Câmeras de televisão por todos os lados (a tourada é transmitida ao vivo, com os melhores lances em câmera lenta). Um charuto na mão, um cigarro. Se fala empostando a voz um pouco acima do normal, com gestos que ajudam a explicar os acontecimentos. Um pigarro de vez em quando. Um palavrão também. Até uísque em copos longos com muito gelo é servido. Até o fim do espetáculo ninguém vai ficar bêbado.
É, apenas, uma tarde de sexta-feira, mas para estas vinte e poucas mil pessoas é uma tarde especial. O presidente (existe um presidente para cada tarde de touros, que toma as decisões e fica na Tribuna Presidencial; pode ser um príncipe, alguma autoridade civil ou, quem sabe, até mesmo “el Rey”) dá o sinal com lenço branco. A banda, do oposto, sopra os trompetes, as pessoas se acomodam, as portas se abrem e no ritmo de um passo doble entram em cena os personagens do que pode ser uma consagração. Ou uma tragédia. Durante as próximas horas três toureiros enfrentarão três touros cada um, seguindo o mesmo ritual, as mesmas regras que são obedecidas por todos desde os tempos em que os árabes reinavam em Granada. É por elas que serão julgados. É em busca da glória que homens com nomes que só um toureiro pode ter, como Pablo Hermoso de Mendonza, Andy Cartagena, Morante de la Puebla (ou com apelidos como “El Cid”, “El Arqueño”, “El Fandi”), enfrentarão o animal vestidos como sempre os personagens dessa façanha o fizeram, com o traje de luces. Feito para brilhar na tarde de verão, de cores puras (vermelho, roxo, laranja, verde), bordado em ouro e apertado no corpo para que nenhum pedaço do tecido se enrosque no chifre do touro.
A luta, acreditem, será de igual para igual. O toureiro, até, poderá ser vaiado e o touro aplaudido e, em casos especiais, indultado por sua bravura. Todos os detalhes serão observados atentamente pelo público, que conhece as regras como ninguém. Atrás de mim, o dono de um dos joelhos que cutuca minhas costas vai explicando para a jovem turista ao seu lado as sutilezas que para mim escapam: o tamanho da cabeça do touro, o pescoço dele, a maneira de galopar um cavalo, os passes com nome peculiares ( verônica, avental, chicuelinas) que um toureiro deve elaborar. Aponta, até, os exageros (um dos toureiros, em certo momento, se ajoelhou perante o touro, o público achou que era uma tentativa exagerada de querer mostrar coragem e não teve dúvidas, o vaiou). Tudo soma pontos, ou subtrai, no julgamento final, que se for excelente fará com que o toureiro, depois de uma vuelta al ruedo sob os aplausos da multidão que delira enquanto acena lenços brancos (e sob uma chuva de presentes que são jogados ao toureiro: flores, lenços e até – juro que vi – uma galinha lançada das arquibancadas), faça a saída, no fim da tourada, sobre os ombros dos aficionados que o levarão através da porta principal até a rua, lá for a.
E ali então, mais uma vez, o passado vai se encontrar com a realidade. Com um mundo que, indiferente ao que acontece dentro da plaza, corre atrás do ônibus perdido na volta para casa no fim do dia. Sem se importar que, aqui dentro, um pedaço do tempo ficou encapsulado para sempre".


Capri é um daqueles lugares do mundo em que os visitantes desacompanhados, mesmo os mais tímidos, nunca vão embarcar de volta para casa sozinhos. Na matéria de moda, e capa, da última Homem Daslu (#18) o modelo Felipe Brandão saltita pelas páginas revista e ruas da ilha à procura da sua cara metade.





Alguns temas, para um fotógrafo, estão mais cheios de armadilhas que outros. Vestidos de noiva, por exemplo. A visão de um longo branco, cheio de bordados e babados, remete à imagem de uma noiva sorrindo à porta da uma igreja em um dia de sol. Para as fotos do editorial da revista Vogue Noivas decidi retratar uma noiva que estivesse, aparentemente, de mau humor. Tudo acontece em um fundo totalmente branco com uma luz que absorve a quantidade enorme de vestidos que ela tem para escolher e que são, eles mesmos, a origem deste momento de indecisão.




A edição de aniversário de 11 anos da revista Viagem e Turismo publica, entre várias matérias, que celebram a ocasião, este texto:
O Universo em Equilíbrio
O corpo mergulha na água da piscina, à temperatura ideal. E na hora em que volta à superfície o que os olhos enxergam é quase uma miragem. De novo um espelho, a água se funde bem em frente ao seu nariz com o mar, que se perde ao longe no horizonte azul do céu.
Essa visão absolutamente real, acontece logo cedo, todas as manhãs. Muito antes de o bar do hotel abrir as portas e margueritas perfeitas passarem a circular. Os hóspedes estão começando a descer de suas habitações para o café-da-manhã delicadamente servido sobre toalhas estampadas com motivos locais. O lugar é iluminado pelos raios dourados de um sol que se mostra mais dócil e gentil do que de costume.
Essa piscina mágica, quase uma alucinação, é um sonho que se torna realidad e no Las Ventanas al Paraiso, um dos resorts mais exclusivos do planeta. O Las Ventanas está situado em um pedaço de terra chamado Cabo Real (entre Cabo San Lucas e San José del Cabo), na Península da Baixa Califórnia, no México. Nas varandas das suítes podem-se contemplar o mar de Cortés, à esquerda, o Oceano Pacífico, à direita e, se você conseguir desviar os olhos da paisagem que se abre a sua frente e olhar para trás, o deserto ao fundo – mil milhas de areia e cascalho, isolando o hóspede de qualquer aborrecimento.
Quem primeiro descobriu essa pequena filial do paraíso da Terra foram os astros mais inquietos de Hollywood que, depois da Segunda Guerra Mundial, despencavam até lá para praticar pesca de merlim – e ao mesmo tempo desfrutar de uma certa privacidade que a cidade de Los Angeles (a duas horas de avião) nem sempre lhes garantia. Além do mais, está estatisticamente comprovado que o número de dias de sol por ano em Los Carlos chega a 350. Faça as contas. Com o tempo, a garantia de sol e tranquilidade o ano inteiro atraiu para a região os campos de golfe exclusivos, os jogadores e, na sequência, os investimentos hoteleiros de primeiríssima classe.
Podemos dizer que Las Ventanas é o assento 1A da categoria. Razões não faltam. O resort é zen muito antes de a palavra entrar na moda. Las Ventanas não tem recepção nem lobby. As portas de entrada, no alto de uma meseta, estão constantemente abertas à visão dramaticamente bela de algumas casas muito brancas, recortadas pela contraluz do sol na água brilhante do mar de Cortés. As Construções têm no máximo três andares e se espalham pela encosta até a praia, interligadas por passeios e piscinas. Ao longo do caminho, o sol que recorta duramente as pedras se alterna com momentos de sombra que dão um certo descanso aos olhos.
Cada uma das casas de Las Ventanas tem uma configuração diferente. A construção se adapta a topografia e as cores locais. Ali, nada é padronizado, exceto o bom gosto, uma das marcas registradas da cadeia Rosewood. Todas as suas 71 suítes tem jacuzzi na varanda e um sol que, ao fim do dia, se esconde atrás do mar bem na sua frente. Voce também pode subir, a qualquer hora, à exclusiva azotéa, onde o contraste entre as paredes brancas e o céu azul é um convite irresistível a tirar a roupa para se esticar ao sol (ou a sombra) em privacidade absoluta. Azotéa, em castelhano, é o terraço da casa, uma tradição e uma constante na arquitetura mexicana. Uma das imagens mais famosas do fotógrafo Edward Weston é “Tina en la Azotéa”, em que se vê a lendária Tina Modotti deitada, ao natural, em um terraço como esse. Aliás, a palavra privacidade nunca pôde ser aplicada com tanta propriedade a um lugar. O serviço de quarto (admitindo que voce não saia dele, a essa altura algo absolutamente compreensível) circula por corredores subterrâneos, como uma Linha Maginot da discrição e dos bons modos.
Depois de mergulhar cedo, tomar o café-da-manhã e contemplar o infinito: fazer o quê? Nada. Las Ventanas é o lugar para não se fazer nada. Você pode, até, fazer algumas tentivas de ler O Código da Vinci ou qualquer outro tijolo parecido, com mais de 500 páginas. Mas será inútil. Porque, depois da terceira linha, as pálpebras se fecharão e o corpo ficará leve. O sol, o mar, a brisa, tudo fará com que a vida pareça mais bela e que você queira fazer nada. Nada no spa, numa massagem para dois a luz do luar. Ou na banheira da suíte, perfumada com a essência escolhida do menu aromaterápico, entre garrafinhas de xampu, sais de banho etc. Tudo acomodado em belos recipientes de vidro. Ou nada à beira da piscina, à espera de alguém que lhe traga um pano – de linho – molhado e frio na medida certa para secar as gotas de suor da sua testa sem provocar arrepios.
Depois de um tempo ao ritmo do Las Ventanas al Paraiso, você vai perceber que “fazer nada” faz com que o tempo desacelere. E o universo pareça deixar de girar, como se tivesse chegado a um ponto de equilíbrio perfeito em que uma marguerita, simples marguerita, será o bastante para que o lugar faça justiça ao nome. Porque depois do primeiro gole na marguerita perfeita, você vai encontrar, ao lado da sua espreguiçadeira, um spray de água Evian. Porque, quando você voltar de mais um mergulho na piscina, ainda se fundindo com o mar, algum atendente terá limpado seus óculos de sol. Porque o Las Ventanas al Paraiso existe para mimar o hóspede.



Uma das coisas que mais me fascina, em "cocktails" e festas, é a capacidade que algumas (poucas) mulheres tem de fumar e beber ao mesmo tempo sem perder a elegância. Para o editorial "Ciclo do Ouro", da última edição da revista Daslu fotografado em uma noite de outono em Ravello, decidi prestar uma homenagem a todas elas, personificadas na figura da modelo Fabiane Nunes



Capri tem sido, desde sempre, um lugar que atrai edonistas e artistas do mundo inteiro. Desde que Tibério, o mais “bon vivant” imperador romano, decidiu que a ilha seria um perfeito refúgio para se divertir do jeito que não conseguia em Roma, um extenso número de visitantes famosos fazem fila, todos os anos, para embarcar no ferry, desde Napoles, para a terra prometida. Sejam eles conhecidos como Jacqueline Kennedy, Graham Greene, Trotsky e Giorgio Armani, ou famosos pelo que aprontaram no lugar, com o Barão Krupp ou o Conde Fersen. Mas isto já é uma outra historia.






As novas edições (feminina e masculina) da revista Daslu tem como tema o verão italiano. Mais específicamente o verão dourado de Capri. Seja de dia, seja de noite.



