A Cia. Marítima reune na campanha publicitária do próximo verão todos os ícones do que poderia ser uma bela estada no paraíso baiano de Trancoso. Sabrina Gasperini, Ingrid Vilas-Boas, Daniele Nabor, Bruna Magani e Daniela Sarahyba reforçam o conceito, imaginado por Benny Rosset e executado por Fabiana Kherlakian da Officecomm.

As páginas adjetivadas da revista Vogue Homem.






Exuberante. Fenomenal. Estes são os adjetivos sobre Daniela Sarahyba estampados na capa da última revista Vogue Homem. A matéria, de doze páginas, vem acampanhada de outros adjetivos.




Me interessa, cada vez mais, a possibilidade de escrever textos que acompanhem as minhas imagens. Considerando que a palavra fotografía significa escrever com a luz (foto/luz, grafía/escrita), as duas coisas, imagem e texto, tem um efeito complementar que, no meu caso, se origina de um mesmo ponto inicial: a observação e o registro do mundo ao meu redor da forma que eu percebo. A revista Veja publicou com o título “Entre Tribos Selvagens”, na edição #1972, matéria de seis páginas com este texto acompanhado destas fotos (e outras mais).
“Depois de vinte dias navegando pelo Rio Omo, os sentidos começam a se adaptar. Especialmente o olfato. Não existem os perfumes, os cheiros e a poluição da civilização, que deixam o nariz atordoado. Aqui é o sertão do vale do Rio Omo, na Etiópia, a 800 quilômetros de Adis-Abeba. As duas margens do rio são altas, mas pelo cheiro dá para saber o que acontece acima do barranco. O odor da madeira queimada significa que alguém está acampando, o de excremento de gado é sinal de que estão tocando o rebanho em direção ao rio. Todas essas informações são trazidas a distância pela brisa morna. Desta vez, o cheiro de gado chega bem antes do ruído das reses e da visão dos guerreiros nyagatons, na contraluz, imóveis debaixo do sol da tarde, no alto da margem. O calor é de quase 40 graus, e os guerreiros contemplam, em silêncio, o pequeno barco em que viajamos.
O comportamento-padrão dos nyagatons é intimidatório, seja pela atitude, pela maneira de falar ou pelo armamento que carregam (desse lado do rio todos usam o G3, um fuzil de assalto alemão, com maior poder de fogo do que o AK-47, mais comum na região), e eles estão em guerra, expulsando outras tribos. No momento estão de olho na tribo dos mursis, que, para escapar às emboscadas constantes, se retiraram para as montanhas. A atitude agressiva muda quando percebem que nosso guia é também um nyagatom. As apresentações são feitas, e tudo fica combinado quando voltarmos amanhã encontraremos uma multidão de guerreiros que deixarão as armas de lado para dançar com as mulheres da tribo. Alegres, festejarão a presença de estrangeiros.
O acesso por terra ao vale do Rio Omo é precário. O melhor caminho é pelo rio, mas só quando está cheio, logo após a estação das chuvas, que termina em setembro. Um único empreendedor, o holandês Hallewjin Schurman, montou acampamentos na região e leva para lá pequenos grupos de turistas em barcos motorizados. É uma viagem fascinante a um mundo perdido. Entre o acampamento e os nyagatons navegamos quatro horas contra a correnteza do Omo, que cheio de curvas, desliza entre matas de figueiras e tamarindos, cerrados e desertos. Sempre em alta velocidade, e em ziguezague, evitamos os pedaços de madeira que o rio arrasta e os hipopótamos que, sem avisar, emergem à nossa frente. Crocodilos de todos os tamanhos, alguns leões e um par de leopardos nos contemplaram indiferentes. Encontrar os nyagatons é um momento mágico emoldurado por uma paisagem bela e selvagem.
A Etiópia é o único país do continente africano que nunca foi colônia européia. Na década de 70, o último imperador, Haile Selassie, foi deposto por um violento golpe de Estado de orientação marxista, e a normalidade só voltou em 1995. Com suas verdes montanhas de picos impressionantes, seus vales cultivados e rios caudalosos, a Etiópia é uma espécie de caixa-d´água da África Oriental. O Nilo azul, por exemplo, nasce nas montanhas etíopes. Apesar disso, o país é lembrado sobretudo pela fome tristemente famosa e pela guerra com a Eritréia, que só terminou cinco anos atrás. O vale do Rio Omo, na fronteira com o Sudão e o Quênia, é uma área de mais de 4000 quilômetros quadrados com intensa vida tribal e muito pouco visitada.
O rio, que nasce ao sudoeste de Adis-Abeba, capital, da Etiópia, percorre quase 1000 quilômetros, mas não chega ao mar. É o principal afluente do Lago Turkana, no Quênia. O Omo divide a vida no vale: ao leste, as tribos dos karos, dos hamares e dos mursis. Do outro lado, os nyagatons e os quegos. Todos vivem da criação de gado. Mesmo os dassanechs, mais ao sul, na entrada do Lago Turkana, apesar de cultivar o sorgo (o cereal é armazenado em pequenas bolas feitas com galhos secos no alto de torres precariamente construídas para evitar a umidade), também são criadores de gado.
O aumento da população e dos rebanhos tornou letal a disputa por território. A única maneira de expandir o próprio domínio é com a ajuda dos fuzis AK-47 que cada habitante do vale carrega displicentemente no ombro. Uma bala custa 25 centavos de real. Os hamares vivem nas montanhas e praticam uma economia de subsistência agropastoril. Organizam-se segundo um elaborado sistema de agrupamento social por idade. Passar de um grupo a outro envolve complicados rituais. A maturidade, dizem misteriosamente os mais velhos, só acontece quando o coração chega aos olhos. Os mursis são reconhecíveis pelos desenhos que cobrem seu corpo e pelo pedaço circular de madeira que as mulheres usam no lábio inferior. A origem do adereço está nos tempos em que os mursis eram perseguidos para ser vendidos como escravos. Foi a maneira encontrada para tornar as mulheres menos atrativas. Hoje é um sinal de beleza. Os karos são pouco mais de 1500 e abandonaram alguns anos atrás a vida nômade. Vivem essencialmente em três aldeias – Labuck, Duss e Korcho – e praticam um rígido controle de natalidade. Crianças nascidas fora do casamento são deixadas para morrer debaixo de um arbusto com a boca cheia de areia.
Os quegos são os menos numerosos. Eram escravos dos karos, mas recentemente foram liberados pelos nyagatons, a tribo mais numerosa e feroz. A palavra nyagatom significa “comedores de elefantes” , e eles se esforçam para demonstrar que são realmente destemidos. Caçam crocodilos em pé sobre uma canoa, armados apenas de um arpão, ou passam temporadas servindo como mercenários para os conflitos do vizinho Sudão (a fronteira está a menos de 100 quilômetros dali). A circuncisão masculina e a infibulação feminina, as punições por chicotadas, tudo continua sendo feito da mesma maneira através de gerações. As crianças aprendem desde cedo que não existe a palavra “ladrão”. Roubar é permitido, mas quem é apanhado acaba chicoteado.
A prática da escarificação e da pintura corporal atinge patamares sofisticadíssimos. Para eles, a escarificação é um atestado de bravura. Um guerreiro não pode ostentar nenhuma cicatriz até que tenha matado um inimigo. Para uma mulher , as cicatrizes são uma maneira de ficar atrativas para os homens. As escarificações são feitas com facas, pedras ou pregos. Depois a ferida é coberta com cinzas. Isso provoca uma pequena infecção, que, mais tarde, vai deixar a marca com relevo na superfície da pele. Com suas tradições preservadas o vale do Rio Omo é um museu de história natural ao vivo e em três dimensões.”




A TopMagazine é um projeto que Claudio Mello importou de sua Curitiba natal para São Paulo. Claudio coroou na posição de editor da revista ao jornalista Wagner Carelli, o esgrimista (florete) da palavra. No último número da Top, Wagner publicou o seguinte texto como corolário a uma material sobre as fotos do livro “SevillaJRDuran”:
“A idéia era fazer algo que religasse fisicamente à Espanha o nome e o trabalho de J.R. Duran, o mais brasileiro de todos os fotógrafos espanhóis e o mais universal dos fotógrafos brasileiros – ou, apenas, o melhor fotógrafo. E Enrique Ruiz de Lera, conselheiro de turismo da embaixada da Espanha no Brasil, o convidou para “produzir algo com total e absoluta liberdade criativa em território espanhol”, ou seja, o que quisesse. Duran escolheu fotografar a mítica Feria de Sevilla, em abril deste ano, e passou lá dez dias. “ A Feira de Sevilha contém toda a Espanha dos meus sonhos mínimos”, diz Duran, para quem a cultura exuberante da cidade de passado árabe, cristão, judaico, intelectual, religioso, camponês e marinheiro resume a mitologia de suas primeiras memórias afetivas em relação à terra em que nasceu. Ele escolheu o branco e preto como linguagem e as pessoas como tema: “ Só as pessoas e seu espírito me interessam”, diz. O resultado, como se vê nas páginas anteriores, é de um poder quase goyesco no retratar as pessoas comuns e correntes de uma Espanha antiga e profunda, e conferir-lhes um caráter paradoxal de singela grandeza. “Sou um viajante de almas”, diz Duran – e absolutamente o mesmo se poderia dizer de Goya. Como Goya, ainda, Duran é um grande escritor: suas imagens narram enredos inteiros e complexos, em que as personagens se reconhecem perfeitamente como obra de seu autor – e este se reconhece em suas personagens. “Em toda boa foto há partículas visíveis largadas pelo fotógrafo e pelo fotografado”, diz Duran. Como escritor que é – e, para além de Goya, escritor de fato, autor de dois excepcionais romances, Lisboa e o ainda inédito Santos - , Duran tem a capacidade quase mágica de usar a máquina fotográfica como se fosse um editor de textos, “escrevendo” ficções com o material mais resistente da realidade – aquilo que se vê. “Vivo em um universo imaginário, só vejo o que não está lá, não existe”, diz. O real não é uma questão de olhar. Quem dirá que seu toureiro, como os de Hemingway, não é real, aquele exatamente que veremos adentrar a arena sob o sol e os aplausos? E, no entanto, quanto de realidade há no seu meio sorriso de surpresa, no porte e nos adereços de semideus flagrado no ato cotidiano de cruzar uma rua, no fundo desfocado que resume um afã e um movimento que é alheio ao personagem e, ao mesmo tempo, se movimenta e se congrega por ele e para ele? Esse só se encontra no olhar de Duran, o olhar da Fênix: “Um fotógrafo renova o olhar a cada despertar: ele não pode acordar com o olhar cansado”. O encontro entre Duran e Sevilha resultou neste ensaio exclusivo para TOP e ampliou-se no livro Sevilla JR Duran, prefaciado por um ensaio notável do crítico de fotografia e pesquisador Rubens Fernandes Jr., curador do livro e da exposição de mesmo nome que o Centro Cultural do Instituto Cervantes, em São Paulo, leva de 4 de agosto a 5 de setembro .”










O paraiso deve ser em algum lugar perto da California. Gianne Albertoni, com styling de Carla Raimondi, personificou, para a revista Estilo de outubro, o que seria o perfeito ideal de mulher para este paraiso.





