SIDARTA

Para a matéria “Expresso Indiano”, publicada na revista Daslu #23, a cenografia de Ucho Carvalho transformou a casa de verão de Sig Bergamin, em Trancoso, em um perfeito refúgio para um casal ( um escritor, uma fotógrafa) de viajantes aventureiros e glamurosos, á beira do rio Ganges na India.

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FRENCH CONNECTION

Wanessa Camargo lançou um novo CD. Este trabalho representa, também, uma mudança radical na carreira dela. Participei, fotograficamente, deste momento a pedido de Ale de Souza, seu maquiador, cabelereiro e amigo. O resultado, inspirado na iconografía da música francesa dos anos setenta, está na capa e no folder que acompanham o CD.

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HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

O filme “Summer of 42” (1971) dirigido por Robert Mulligan contava, poeticamente, a história de um jovem que, durante umas férias de verão, se apaixona por uma mulher, mais adulta, que está á espera da volta de seu marido, que luta em algum front da Segunda Guerra Mundial. Para a matéria publicada na revista Daslu #23, com o título de “Antes do anoitecer”, a luz do filme (não a relação), que nunca se apagou de minha memória, esteve sempre presente em minha mente enquanto fotografava a bela Marcelle Bittar e o intenso Gabriel Mattar, em um lânguido fim de tarde baiano, em uma praia de Trancoso.

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SEVILLA (7)

A revista Trip #136 publica, com o título de “Sevillla desnuda”, este texto do lendário e respeitado Cassiano Elek Machado:

“ Esquece (isso não vai ser fácil) as mulheres nuas de J.R.Duran. OK. Esquece sô por uns momentos, porque o mestre das raparigas desnudas coloca agora na praça outra faceta de seu talento fotográfico. Em “SevillaJRDuran”, título da mostra que abriu agora e vai até o dia 3 de setembro no Instituto Cervantes (Av. Paulista, 2439, tel. 11 3897-9609) e do livro que lança pela Editora Burti, o fotógrafo catalão, colunista deste magazine, exibe imagens que colheu em uma semana festiva de abril, na cidade no sul da Espanha. Toureiros, ciganos, músicos e anônimos aparecem, suspensos no tempo, em retratos em branco e preto. Bonito, muito bonito. Quase dá para esquecer das mulheres nuas de J.R.Duran. “

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WRONG WAY

A criatividade comprovada não siginifica o sucesso garantido. Faz alguns meses um time composto, entre outros, por Ricardo Van Steen, Flávia Lafer e J.R.Duran achou, depois de extensa reunião, que para fazer uma matéria de moda com jóias, destinada a ser publicada em uma revista customizada, seria divertido e original se elas fossem mostradas por crianças. Como se tivessem sido flagrantes de uma travessura infantil que, quase, saiu fora de controle. Alguém, lá em cima no board da revista, achou que a coisa tinha saído fora de controle mesmo: a matéria nunca foi publicada.

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HARD DAY’S NIGTH (2)

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HARD DAY’S NIGTH (1)

Vida de artista não é facil mas Gabriela Duarte é uma mulher determinada. No dia em que teve de fazer as fotos para a capa e o perfil principal da revista Estilo, de agosto, acordou ás cinco horas da manhã. Pegou a ponte aérea para o Rio de Janeiro. Gravou algumas cenas da novela na parte da manhã ainda e voltou para São Paulo durante o almoço. A tarde inteira esteve sendo maquiada, penteada, produzida e fotografada no estúdio e no fim do dia partiu, com toda a equipe da revista, para fazer as fotos do perfil em locação. Em uma casa em Alphavilhe. Tudo acabou pouco depois de meia noite. Em nenhum momento ela reclamou.

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SEVILLA (6)

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Mario Mendes é, desde o começo de sua carreira no inicio dos anos setenta na revista Interview, um dos mais antenados e bem informados jornalistas brasileiros a respeito de tudo o que acontece no “jet-set” internacional. Para a revista Homem Daslu #13 Mario escreveu, sob o título “Ritmo de festa”, o seguinte texto :

“ J.R. Duran é conhecido principalmente por seu trabalho fotográfico que envolve mulheres belíssimas (vestidas ou despidas), editoriais de moda, imagens publicitárias, registros de viagem e outros momentos de prazer. Seu novo livro, Sevilla, traz a sua visão da Feira de Abril, festa realizada no sul da Espanha, com forte caráter da cultura flamenca. “Cada vez mais tenho a tentação e a necessidade de documentar o mundo de perto”, diz o fotógrafo catalão radicado no Brasil desde os anos 70. “E com todos os seus riscos, deixando de lado o conforto do ar-condicionado do estúdio e a mágica elegância das páginas editoriais das revistas.”
Assim, Duran aceitou um convite do Consulado Espanhol em São Paulo para documentar a Feira que acontece em Sevilha logo depois da Semana Santa. Além de mergulhar em suas memórias de infância, quando ouvia histórias dos mais velhos sobre a festa, ele optou por trabalhar em preto-e-branco. Foi uma maneira de remeter o clima de suas fotos para os anos 40 e 50, período no qual a Feira se estabeleceu como símbolo da identidade cultural da região.
Sevilla de J.R. Duran tem o caráter de espetáculo, em imagens fortes de atitude e movimento. O livro ilustra bem o desejo do fotógrafo no momento. “Quero perseguir os velhos sonhos e sair mundo afora para capturar as imagens que, de alguma forma, ficaram presas em minha retina”. Junto com o livro vem uma exposição que está em cartaz até 5 de setembro no Instituto Cervantes, na av. Paulista, 2439, São Paulo “.



SEVILLA (5)

A edição do jornal O Estado de São Paulo, do dia cinco de agosto, publicou esta matéria com o título: “A Sevilha inovadora de J.R.Duran”. Ela foi escrita por Adriana Del Ré e apareceu no Carderno2.

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“Em um ensaio a partir da famosa Feira de Abril, fotógrafo apresenta um perfil surpreendente da cidade espanhola.
No ano passado, o renomado fotógrafo J.R.Duran foi convidado pelo Centro Oficial de Turismo Espanhol a fazer o ensaio fotográfico de uma manifestação cultural espanhola qualquer. Ficaria a seu gosto e critério. Um prato cheio para ele espanhol radicado no Brasil que saiu de seu país ainda mocinho, aos 18 anos.
O projeto que lhe foi proposto acabaria sendo um mergulho em suas raízes. Mesmo que Duran, antes de receber tal convite, só conhecesse a fama de La Feria de Abril (A Feira de Abril), em Sevilha, mas nunca a tivesse acompanhado de perto. Mesmo assim – e certamente por isso – o fotógrafo optou por registrar a celebração sevilhana. Apesar de ser uma festa tradicionalíssima, centenária, Duran orgulha-se do ar inovador que deu ao material. “Revisitei um evento que as pessoas estão cansadas de ver e consegui fazer isso de uma forma que surpreendesse” comenta ele.
Da câmera do fotógrafo famoso pelos cliques de moda e de lindas mulheres nasceu um belo ensaio, contado em 52 imagens em preto-e-branco, na exposição Sevilla de J.R. Duran, que poderá ser visitada a partir de hoje, pelo público em geral, no Instituto Cervantes de São Paulo. Na ocasião, será lançado também o livro com o ensaio. Mais do que flagrantes, Duran lançou e fixou seu olhar, com ajuda de sua fiel companheira, uma Pentax 6X7, sobre personagens que fazem parte do festejo, entre policiais e toureiros, muito bem apanhados, e ciganas, com suas vistosas vestimentas e acessórios. Duran compôs uma sucessão de retratos. E em P&B, justamente para que a essência da festa não fosse ofuscada pela coloração forte das roupas e dos detalhes. “Não queria que fosse um cartão postal”, explica. “Me considero um retratista, que procura captar a alma das pessoas”
J.R. Duran destaca ainda a ambiguidade da feira, uma mistura do moderno com o tradicional, característica essa que também usou a seu favor. Como as pessoas que frequentam a festa mantêm os mesmos tipos de trajes geração após geração, o ensaio de Duran tornou-se atemporal. Pode ter sido clicado no início do século passado, ou agora, no século 21. “Fiz dois tipos de registros: um deles parece feito para as páginas da revista Vogue, porque todos estão superproduzidos; outro, em que as cenas foram retratadas com mais calma, com hora marcada.”
O fotógrafo, que realizou uma pesquisa antes de embarcar para a Espanha e acompanhar, com a câmera em punho, os seis dias de celebração, conta o significado especial que a Feira de Abril tem para a região. “Ela nasceu há cerca de 150 anos, surgiu mais comercial, aonde se ia para vender e comprar touros”, conta. Era um motivo para as pessoas se encontrarem e, consequentemente, quererem se vestir bem. “Cada vez mais, eles foram se vestindo melhor, se arrumando. Hoje, não se vendem mais touros no evento, mas continua sendo um espaço para negócios.” Negócios ao estilo dos novos tempos.
Além do caráter tradicional, a Feira de Abril funciona como pólo de encontro para castas sociais diferentes, em que todos dançam, ouvem música, se exibem e se divertem. Celebridades convivem com aristocratas, que convivem com gente do povo e por aí vai. Mas todos são tão caprichosamente alinhados, que para os olhos estrangeiros todos parecem pertencer a um patamar social equivalente.
Claro que é estabelecida uma escala de preferência de dias. As celebridades gostam dar as caras no começo da semana, para garantir que suas fotos sejam estampadas na revista Hola no fim de semana. Os aristocratas, por sua vez, preferem se distanciar desse tipo de holofotes, enquanto o povo aproveita os dias de folga e engrossa o número de público no sábado e domingo. Perante os olhos leigos, Duran queria que não houvesse diferenciações. Que a democratização da festa se estendesse para o seu ensaio. “Fiz questão que as fotos não tivessem identificação. Só eu sei quem é quem.”



SEVILLA (4)

Luiz Chagas publicou na revista IstoÉ #1868, do dia três de agosto com o título de "Sonho Andaluz", o seguinte texto.

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" J.R.Duran abre mostra e lança livro com as imagens em preto-e-branco que fez na exuberante semana de festas de abril, em Sevilha, no sul da Espanha.
Nascido na Catalunha, região norte da Espanha, o fotógrafo J.R.Duran traz dentro de si o fascínio pela confluência de culturas registrada em seu país, amálgama forjado por cristãos, árabes, judeus e ciganos. Assim, o convite da Embaixada da Espanha para que realizasse um trabalho fotográfico em Sevilha, na Andaluzia, região sul, além de significar um desafio profissional, proporcionou-lhe o reencontro com suas raízes. As fotos resultaram em uma exposição que será aberta quinta-feira 4, no Instituto Cervantes, em São Paulo, e deverá percorrer o Brasil e a Espanha. Na ocasião será lançado o livro Sevilha JR Duran (Editora Gráficos Burti, 125págs, R$120), o quinto do fotógrafo, trazendo 80 fotos tiradas na Feira de Abril deste ano, festa tradicional da cidade realizada logo após a Semana Santa.
A única exigência feita por Duran foi fotografar em preto-e-branco, para evitar a explosão de cores que fatalmente produziria um efeito de cartão-postal. Pois a festa, que dura seis dias, de terça-feira a domingo, com touradas diárias, tem como principal atrativo a indumentária de seus participantes. Reunidas em “casetas”, confortáveis barracas, as famílias se vestem com exagerado esmero e visitam-se, não raro a cavalo ou em luxuosas charretes, umas às outras, saboreando queijos e o jerez, bebida nacional. Nos primeiros três dias, o evento realizado em grande terreno preparado especialmente para esse fim, atrai VIPs, celebridades e milionários. A ausência quase completa de turistas – Duran chegou a ser entrevistado por um jornal local, interessado no “estrangeiro” – só reforça a atmosfera. Para os menos avisados parecem cenas registradas no anos 1940 ou 1950.
Originalmente, a feira servia para o comércio de animais e gradualmente transformou-se em uma fogueira de vaidades, em carnaval sem sexo, nas palavras de Duran, onde grandes negócios continuam sendo discutidos. Mas esbanja sensualidade através dos vestidos colados nas mulheres e a elegância dos “señoritos” – gíria equivalente a mauricinho. Astros da televisão e do cinema espanhol misturam-se com empresários e proprietários de terra, a maioria vestida como nostálgicos “bandoleros”, sob olhar de aristocratas e seus “cocheros”, os condutores das charretes, todos de verdade. A presença de superstars das arenas, toureiros que atendem por nomes exóticos como El Cid e El Fundi ou lendários “rejoneadores” – matadores que toureiam a cavalo -, como Angel Peralta, só aumenta a mística. Como lembra Duran, hoje em dia a tourada é proscrita pelos politicamente corretos, sendo realizada nos finais de semana. Os espetáculos geralmente duram até duas horas e meia e trazem seis se forem desconhecidos, um único se for uma estrela como El Cid. Pois as seis touradas da feira têm a lotação esgotada com antecedência, mesmo com o ingresso custando 40 euros.
O fotógrafo, consagrado através das requintadas produções para a moda, sempre focadas em mulheres exuberantes, vai ainda mais longe. Depois de intercalar fotos jornalísticas de suas visitas a Angola e ao Quênia em seu livro de 2003, Duran achou que estava diante de mais uma reportagem. Para sua surpresa, a relidade sevilhana que retratou, e na qual, se aprofundou através de conversas, acabou se revelando mais produzida do que a encomenda. Não é à toa que Sevilha é o berço do flamenco, da tauromaquia, e de Carmen, celebrizada na ópera de Bizet. Uma terra cantada pelo poeta João Cabral de Melo Neto. Lágrimas e sangue. Drama em estado puro ".



SEVILLA (3)

A revista Estilo de agosto publicou com o título de “Sangue Latino” um portfolio do livro “SevillaJRDuran” junto com um texto de Monica Galiewitch estabelecendo um paralelo entre os trajes tradicionais andaluzes e sua influência na moda atual.

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" Sangue Latino. As tendencias do verão mostram mais uma vez a força que a cultura hispânica imprime na moda. Os babados, os poás gigantes, as estampas de cashmere e os acessórios exuberantes típicos das vestes espanholas saem das ruas, sobem nas passarelas e revelam a moda como ela é. O fotógrafo J.R.Duran soube como ninguêm misturar sonho e realidade e captar a enrgia pulsante desa tendência. O resultado você confere nas próximas páginas, no livro “SevillaJRDuran” e na exposição que acontece neste mês no Centro Cultural do Instituto Cervantes, em São Paulo ".



SEVILLA (2)

A edição da revista Época #376, do primeiro de agosto, publicou com o título de “Espírito Andaluz” a seguinte matéria escrita por Tânia Nogueira.

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"J.R. Duran mostra uma Espanha suspensa no tempo, em livro e exposição sobre Sevilha
Reconhecidamente na vanguarda de campos como gastronomia, moda e design, a Espanha parece ter tirado o melhor proveito da integração do mercado europeu e da globalização. Tornou-se um centro cosmopolita, aberto a todo tipo de inovações. No entanto, ou talvez por isso mesmo, os espanhóis não abriram mão de um nadinha de suas tradições. Com seus toureiros, ciganas, tocadores e bailarinas de flamenco, o país muitas vezes parece suspenso no tempo.
As imagens captadas pelo fotógrafo catalão radicado em São Paulo J.R.Duran durante a Feira de Abril, de Sevilha, registraram justamente esse estado de atemporalidade. As fotos, que estarão expostas a partir de 4 de agosto no Instituto Cervantes, na Avenida Paulista, e depois devem viajar o Brasil, foram também reunidas em um belo livro a ser lançado na mesma data.
“Recebi um convite do consulado espanhol para fotografar uma manifestação cultural em qualquer parte da Espanha”, conta J.R.Duran. “Escolhi Sevilha em busca de um passado que não tive, mas que povoa minha mente”. O artista lembra que as roupas, as músicas e as danças típicas são diferentes em Barcelona onde nasceu, mas que a feira andaluz é famosa em toda a Espanha.
Duran diz que a ópera Carmen conduziu sua lente por uma semana em busca dos personagens sevilhanos pelas ruas da cidade e pela área onde acontece a feira propriamente dita. Como na obra de Bizet, ciganas, toureiros, condutores de coches, militares, aristocratas e diversos tipos populares, além de touros e cavalos andaluzes, desfilaram diante de sua câmera deixando a impressão de uma Andaluzia forte e festeira. “É incrível como eles sabem viver”, comenta Duran. “ Eu me senti o Hemingway da fotografia no meio daquele povo em festa de manhã até a noite.”



SEVILLA (1)

Será amanhã, ás 20 horas e para convidados, o lançamento do livro e a abertura da exposição “SevillaJRDuran”, no Espaço Cultural do Instituto Cervantes de São Paulo. O Instituto fica na Avenida Paulista, 2.439. O projeto tem o apoio do Instituto Cervantes de São Paulo e da Conselheria de Turismo da Embaixada da Espanha. O livro, da Editora Burti, é patrocinado pela Vivo e a direção de arte é de Ciro Girard. A exposição fica no Espaço Cultural até o dia quatro de agosto.

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Rubens Fernandes Junior é o curador da exposição e do livro. O texto a seguir faz parte de “SevillaJRDuran”.

"O fotógrafo J.R. Duran aceitou um convite-desafio vindo da Conselheria de Turismo do Consulado Espanhol em São Paulo, e se propôs registrar, com total liberdade, uma manifestação cultural espanhola. Ele escolheu a cidade de Sevilla, sul da Espanha, e uma de suas mais tradicionais festas, La Feria de Abril, de origem popular e com forte presença da cultura flamenca. A feira acontece durante uma semana, logo após outra festa, de tradição religiosa – A Semana Santa – e nela podemos reconhecer parte expressiva de uma manifestação cultural que se preserva até os dias de hoje, apesar de todas as imposições do mundo globalizado.
A fotografia tem a mágica possibilidade de nos transportar para diferentes tempos e diferentes espaços, de nos conectar com outras realidades e outras culturas, de tecer as mais fantásticas narrativas ficcionais, de nos religar a eventos de extraordinária singularidade. No caso da fotografia ensaística-documental, fica mais evidenciada a busca de uma “verdade”, seja ela qual for, em nome de um compromisso com a história, apesar de toda a conotação gerada pelo livre jogo da imaginação.
Ao mesmo tempo, esta fotografia que registra o mundo visível tal qual ele se apresenta, também possibilita articular signos de natureza diversa. Se de um lado torna visível, conscientemente, um aspecto do acontecimento documentado, do outro, provoca o aparecimento de uma memória que evitará que o fato registrado caia no esquecimento. Consciência, documento, memória e esquecimento: como articular essas diferentes variáveis e produzir imagens que sejam o registro objetivo do evento?
Duran, como na grande maioria de seus trabalhos documentais – incluindo as experiências africanas em Angola, Rwanda e Kenya –, revela uma atração pela liberdade prazerosa de produzir suas imagens. Para minimizar a presença dos índices da contemporaneidade, quase totalmente eliminado pelo enquadramento, ele escolheu o registro em preto e branco que destaca tanto o aspecto naturalista da fotografia documental, como incorpora um inequívoco tom de veracidade. Na realidade, Duran mergulhou na sua memória de menino, para buscar resgatar histórias que, quando contadas pelos mais velhos, tinham um certo poder hipnótico, mas que nunca tiveram a possibilidade de serem vivenciadas em profundidade.
La Feria de Abril, é uma tradicional feira cultural da cidade de Sevilla, berço do espíritu andaluz, centro da tauromaquia e do flamenco, e vértice de uma confluência histórica que durante séculos reuniu cristãos, árabes, judeus e, mais tarde, os ciganos. Conhecedor dessa milenar cultura, Duran recortou suas imagens, em sua maioria em plano fechado, buscando um enquadramento justo, sob medida, produzindo um forte contraste entre o preto e branco, buscando criar um clima nas suas fotografias que nos remete aos anos 40 e 50, período em que essa festa se consagrou definitivamente, e revelou, paradoxalmente, a identidade sócio-cultural da região.
Nos poucos dias da festa, Duran produziu um ensaio com um ar humanista, tornando-se íntimo dos personagens, demonstrando desenvoltura e caracterizando a presença da câmera fotográfica como essencial para estabelecer sua relação com as pessoas. A pose, outro elemento fundamental para a construção da imagem fotográfica, ampara fortemente este trabalho. Parece-nos que os retratados, vistos na atemporalidade provocada pela festa, conseguem introjetar a importância do tempo histórico e permitem um registro sócio-antropológico de muita intensidade.
Como disse Duran numa das conversas que tivemos para a edição destas imagens, “cada vez mais tenho a tentação e a necessidade de documentar o mundo de perto, com seus riscoa; deixando um pouco de lado o conforto do ar condicionado do estúdio e a mágica elegância das páginas editoriais das revistas. Quero perseguir os velhos sonhos e sair mundo afora para capturar as imagens que, de alguma forma, ficaram presas em minha retina”.
Dentre essa perspectiva, suas fotografias viabilizam um deslocamento no tempo e no espaço, e seus personagens – homens, toureiros, mulheres e crianças – todos estão vestidos em seus trajes típicos, evidenciam ainda mais esta mudança perceptual promovida por esta fotografia, pois parece que estamos em outro tempo. E estamos mesmo, pois o traje de cigana das mulheres, somados aos adereços – chales, pulseiras, braceletes, flores –, o traje “corto” ou engravatados dos homens, cobertos com seus chapéus, as carruagens decoradas, os toureiros, vestidos de “luzes”, paramentados para o combate, enfim, tudo tem a finalidade de realçar ainda mais a beleza do povo e contextualizar a identidade cultural andaluz.
Manejando uma câmera 6X7 com habilidade e desenvoltura, ele nos propicia um olhar para trás, como se fosse um fotógrafo viajante que descobriu La Feria de Abril há mais de sessenta anos. Duran em êxtase diante do que viu, retrata seus personagens que como ele mesmo diz, “conseguiram me transportar para um passado que nunca vivi, mas que surgiu, magicamente, frente à minha câmera”. Como em Paulinho da Viola, “meu tempo é hoje. Eu não vivo no passado, o passado é que vive em mim”.
Outro espanhol, o conhecido cineasta Luis Buñuel autor do filme surrealista “O Cão Andaluz”, em seu emocionante livro Meu Último Suspiro, escreveu que “uma vida sem memória não seria uma vida, assim como uma inteligência sem possibilidade de exprimir-se não seria uma inteligência. Nossa memória é nossa coerência, nossa razão, nossa ação, nosso sentimento. Sem ela, não somos nada”. Particularmente, gosto muito dessa idéia e podemos sentir neste trabalho de Duran uma espécie de registro que busca compreender melhor o Outro e dar importância à memória dentro da sua própria história. Uma aventura solitária de quem vê, pela primeira vez, a repetição de um ritual ancestral e que fotografa com a intenção de consagrar uma experiência sensível de rara complexidade.
O trabalho de edição das imagens tornou-se fácil, pois as aproximações entre as formas, as texturas, os volumes, os contrastes tonais, associados ao movimento dos corpos no espaço e à arquitetura, foram se convertendo em diálogos não previstos inicialmente. Isso mostra que apesar da fotografia ser um conjunto de regras pré-estabelecidas, é possível articular uma edição pontuada pela força da imagem, esquecendo a diacronia dos tempos e espaços. É fascinante perceber como centenas de imagens produzidas um tanto quanto casualmente, ao longo de uma semana de trabalho, conseguem, após uma seleção prévia, ser arranjadas de forma a transmitir uma estranha impressão, ou seja, um conjunto com coerência fotográfica e editorial.
O cineasta iraniano Abbas Kiarostami escrevendo sobre seu trabalhocom imagens registrou: “seja documentário ou ficção, o todo é sempre uma grande mentira que contamos. Nossa arte consiste em contá-la de modo que acreditem nela. Se uma parte é documentário e outra parte é reconstituição, isso diz respeito ao método de trabalho, não ao público. O mais importante é alinhar uma série de mentiras de modo a alcançar uma verdade maior. Mentiras irreais, mas de algum modo verdadeiras. É isso que importa (...) Tudo é inteiramente uma mentira, nada é real, mas o todo sugere a verdade...”. É exatamente essa idéia que transforma as fotografias de Duran na Feria de Abril, realizada anualmente em Sevilla, num documento ímpar, pois para ele, esse trabalho viabilizou tanto a possibilidade de vivenciar uma experiência real, com suas significações múltiplas – imaginária, poética ou simbólica – como navegar no turbilhão dos sonhos com os devaneios românticos e afetivos, que registrados na fotografia torna-se uma verdade possível".




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