Foi a diretora executiva Patrizia Ramalho quem teve a idéia de misturar imagens realizadas em locação com outras feitas em fundo neutro. Assim o editorial de moda chamada "L'age D'or" (título dado ás custas do diretor de cinema aragonés Luis Buñuel pelo diretor de redação, e anarquista graças a Deus, Fernando Paiva), que foi publicada na revista Daslu, ganhou um surpreendente impacto ao misturar as fotos feitas nas ruas de Los Angeles, com uma luz tipicamente californiana, com as restantes realizadas em estúdio.



Para Fernando Scherer, o Xuxa, não foi novidade ficar de cuecas frente a um público maior do que o normal (na maioria feminino, devo dizer) no estúdio, para fotografar os novos lançamentos das cuecas Mash. Acostumado a desfilar de sunga perante multidões, em suas competições olímpicas, tirou de letra a tarefa de incorporar os layouts criados pela agência Borghierh.
A noite em Los Angeles é movimentada. Principalmente na parte conhecida como "strip", um pedaço de uma milha e meia, entre Hollywood e Beverly Hills, na Sunset Boulevard. É lá onde ficam os melhores clubes (o Viper Room, por exemplo), restaurantes, boutiques e hotéis favoritos de atores e atrizes. Essse trecho, o "strip", foi o cenário para uma matéria de moda noturna, da luxuosa revista Daslu, para mostrar como que as gravatas (acessório masculino tradicional) podem invadir o guarda-roupa feminino quando usadas criativamente.





Na carta ao leitora da revista Trip #130, a de fevereiro, Paulo Lima escreve: "…viajando no sentido oposto, de lá para cá, esbarramos em Evgenya Moskalenko, russa de 19 anos capa de arrancar Raskolnikov da depressão. Estudante de economia, deu um tempo na faculdade e trocou Ekaterinburg, cidade industrial fincada nos montes Urais, pelas praias de Itacaré. Veio atrás do namorado, brasileiro, e acabou ficando na Bahia, que conhecia das traduções de Jorge Amado. De quebra experimentou uma certa leveza nas relações que talvez só seja possível perto do mar, debaixo do sol forte…"


Descobri, faz muito tempo, esta casa em Los Angeles desenhada por Pierre Koing. Foi por causa da imagem feita em 1960 pelo célebre fotógrafo de arquitetura Julius Shulman que, aliás, é a capa de um dos seus livros.
Tentei, desde o momento de minha descoberta, usar a casa como locação para algum trabalho mas sempre, por diversos motivos, minhas tentativas foram sem sucesso. Finalmente, no começo deste ano, e para minha alegria, ela foi escolhida como cenário para um dos luxuosos editorias da exclusiva revista Daslu. A casa continua exatamente igual. Os mesmos proprietários que encomendaram o projeto a Koeing mais de quarenta anos atrás continuam morando lá. Apenas alguns móveis mudaram de lugar.





Para comemorar os dez anos de carreira de Gisele Bündchen a revista Vogue publicou seis capas. Uma para cada letra do nome dela e, também, para cada um dos fotógrafos que foram escolhidos para fazer a revista.
Este texto, escrito por Juan Esteves, foi publicado no dia primeiro de fevereiro no site www.fotosite.com.br
A Freeze de J.R. Duran
Freeze, para quem ainda não viu, ou não ouviu falar, é a revista criada e dirigida pelo fotógrafo catalão JR.Duran, e que chega agora em sua nona edição, trazendo 64 páginas com imagens e textos exclusivos, distribuída para um mailing igualmente exclusivo. Duran, além da direção da revista, assina a direção de arte e a edição de fotografia, sendo o autor da maioria das imagens, entre elas - é claro - muitas mulheres, vestidas e despidas, que frequentam a publicação em meio a fotos de oníricas paisagens do mundo todo, juntamente com textos, desenhos e Ilustrações de grandes criadores, como os artistas plásticos Ivald Granato e Francisco Brennand, e o arquiteto Marcio Kogan.
Parece ser um sonho de muitos fotógrafos: se livrar de editores e diretores de arte desorientados, repórteres inseguros, produtoras ansiosas, e todo o séquito que acompanha grande parte das publicações normais. Mas, não foi isso que moveu o fotógrafo nessa direção, até porquê, o relacionamento com as revistas para qual trabalha é muito bom. Em uma mesma semana, Duran, já chegou a publicar a capa de cinco grandes publicações brasileiras. Na verdade, a Freeze é o resultado da permanente ansiedade criativa do fotógrafo. Junta-se isso com uma permuta que tinha com a gráfica Litokromia, e aí se chega as exatas 444 páginas já publicadas, que trouxeram imagens memoráveis, de modelos, atrizes e cantoras, como Ana Cláudia Michels, Ana Beatriz Barros, Luana Piovani, Luciana Gimenez, Kelly Key, em grandes posters - sem exagero - afinal a revista tem 30X43cm, imaculadamente impressa em papel Reciclato, que confere um tom exclusivo as imagens e ilustrações.
Freeze, já diferente no grande formato, ainda faz uso do sistema japonês - a ordem é de trás para frente - e nas capas já desfilaram Ana Hickmann, Daniele Leonel, Fernanda Lima (que cobrou de Duran a sua aparição na edição nº 5) e neste número, Isabeli Fontana (vestida de coelhinha). No conteúdo, textos do próprio Duran, Ronaldo Bressane, Rigel Dantas, Sergio Ribas, Mario Sergio Conti, Fernanda Young, Fernando Paiva, ou Clarah Averbuck, que se desapegam de qualquer formalismo, tornando imagem e texto complementos levíssimos. Parte da receita, que a torna diferente e dinâmica, está na combinação dos colaboradores, feita por Duran. Quem faz o texto desconhece a imagem e vice -versa, o que distancia saudavelmente da opção do texto-legenda, que na maioria das vezes são chatos, por serem muitos literais. O fotógrafo propõe o tema e os autores "viajam" na história. Bem mais divertido que a maioria das chamadas revistas tipo custom, ou "customizadas", para usar um neologismo recente.
Outro ingrediente para o sucesso é ela não ser comercial, embora existam propostas para tranformá-la em uma revista com periodicidade regular. Mas, para o fotógrafo, isso não seria a mesma coisa. A irregularidade nas publicações a torna mais interessante, e a ausência de um compromisso, mais saborosa a cada número. Tudo flui pelos impulsos do seu criador, aparentemente inesgotáveis: como ele mesmo diz "Da quantidade vem a qualidade," usando um aforismo sugerido por Nizan Guanaes. Muita prática, e pouca teoria, completa o fotógrafo.
Os ganchos podem ser vários, e o ecletismo enorme: de uma matéria do The New York Times, surgiu Brennand, e seus desenhos. Das imagens do American Museum of Natural History, o leitor pode ir para Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e, depois de encarar as costas peludas do músico e apresentador de TV João Gordo e pode-se de deparar com o colírio de Ana Hickmann semi-nua em páginas duplas. O melhor de tudo: não entra no papo furado do digital-ou-cor-ou-pb que emburrece a fotografia brasileira. Passa longe dos globais de plantão e fica distante do preconceito contra a geléia geral. É declaradamente - em editorial - uma revista politicamente incorreta, ou melhor, abusada e desaforada, como a própria vida, longe do bom mocismo.
Vinte e dois integrantes da Africa foram clicados para uma matéria da revista da agência ("A Alma da Africa"), em um fim de tarde, no estúdio. Todos eles em volta de uma mesa inspirada em uma das telas de Caravaggio (uma das minhas últimas obsessões).


Fotografar Gisele Bundchen é como pilotar uma Ferrari. E se, ainda, a equipe conta com o styling de Giovanni Frasson e Felipe Veloso nos boxes, a maquiagem e o cabelo de Daniel Hernandez e a direção de criação de Giovanni Bianco, o resto é só acelerar e correr para o abraço. As oito fotos (dezoito páginas), para a revista Vogue, foram feitas no Bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, em uma tarde em que estávamos todos com o vento nas velas. Nessa tarde, também, meu celular foi clonado. Só fiquei sabendo disso um mês depois.








A Credicard e a DPZ escolheram Daniela Mercury como a representante oficial do Carnaval no Brasil. Durante três meses ela vai estar em todos os pontos de venda do país junto com o melhor da vida.


