Por questão de tempo e horário o local para fazer o retrato do Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tinha de ser no Palácio da Liberdade. Acompanhado de seu gentil assesor de imprensa visitei todas as salas disponíveis. Acabei escolhendo, para surpresa geral do "staff" do Palácio, uma sala em um estilo oriental, aparentemente esquecida por todos, mas que me pareceu misteriosa o suficiente para deixar uma porta aberta à imaginação na hora do leitor ver a foto. Duas semanas depois, mera coincidência, o governador viajou para a China.

O espectacular filme "Boogie Nights" foi escrito e dirigido por Paul Tomas Anderson, em 1997, e estrelado por Mark Walberg, Burt Reynolds, Juliane Moore, William H. Macy e Heather Graham. Conta a trajetória de um aspirante a ator que, descoberto por um diretor de filmes pornôs, se deixa envolver pelas relações duvidosas e o estilo de vida do meio na Los Angeles dos anos setenta. Giovanni Frasson, o editor de moda da revista Vogue, e eu temos o mesmo fascínio pelo filme de Anderson (que mais tarde, em 2000, dirigiria o exuberante "Magnólia"). A matéria "Por trás das câmeras" publicada na revista Homem Vogue #2 é uma prova disto.




Ana Beatriz Barros, ainda, na revista Elle.




Da janela do apartamento #1421 do Hotel Arts Barcelona, um dos prédios mas altos da cidade, dá para ver (o efeito contra luz da foto contradiz o texto) o porto, a estátua de Colón, as Ramblas, o Tibidabo, a Sagrada Familia de Gaudí e o infame Castelo de Montjuich. Foi neste hotel que em um fim de tarde cruzei, no elevador, com um dos meus heróis. David Halberstam, lendário repórter do The New York Times, Prêmio Pullitzer de 1964 por suas reportagens sobre a guerra do Vietnã. Aceitou, surpreso de ser reconhecido por um catalão que morava no Brasil, o convite para uma bebida no bar do hotel. O resultado foi um desastre. Nervoso, na frente do meu ídolo, fiquei o tempo todo enfiando amendoins salgados goela abaixo sem conseguir, em nenhum momento, articular a conversa.

Alguns objetos são como uma maldição e nunca desaparecem da vida de um fotógrafo. O cubo é um deles. Geralmente é feito para servir de apoio para alguma foto específica e depois fica jogado pelos cantos do estúdio. Ás vezes aparece em uma ou outra imagem como recurso de última hora. De tanto esbarrar com eles decidí encarar a maldição e utilizar todos os cubos, espalhados pelo estúdio, em uma série de fotos para o Shopping Iguatemi para serem publicadas na revista Vogue. O segredo foi empilha-los, competindo com a altura de Anna Hickmann, em situações milagrosamente desequilibradas.




Esta era a expressão usada entre os cineastas europeus dos anos setenta para definir um recurso de iluminação americano que possibilitava fazer cenas noturnas durante o día. O diretor frances François Truffaut, inclusive, fez um filme com o mesmo título contando a rotina da produção de um longa metragem. Foi este truque que usei, com a ajuda de um bilhão de Polaroids, para fotografar Ana Beatriz Barros durante uma materia de moda para a revista Elle, á beira do lago da Pampulha, em Belo Horizonte.




Sempre achei que festas em apartamentos de hotel, como as que Frank Sinatra, Sammy Davis Jr. e Dean Martin davam em Las Vegas, tinham um certo sabor cinematográfico. O espaçoso apartamento #189 do Hotel Ritz-Carlton de Maui e sua ampla varanda, (conseguido através de um gentil "up grade"), foi um cenário ideal para uma merecida festa, depois de vários dias de trabalho no Hawai. Uma legítima homenagem ao "rat pack". Os convidados só saíram do apartamento, ao nascer do sol, depois de acabar com o estoque de "rhum punch" do hotel.

"Spirit of Ecstasy". É assim que se chama a mais famosa mascote automobilística do mundo. É a imagem de uma mulher, com um longo vestido esvoaçando ao ar, que os carros Rolls-Royce ostentam sobre a tampa do radiador.

A idéia de como fotografar a atriz Tila Texeira, com uma produção absolutamente esvoaçante para a revista Estilo deste mês, veio do movimento na roupa estátua. No estúdio o efeito foi conseguido com a ajuda de um super ventilador e das longas pernas de Tila.


A primeira coisa que me chamou a atenção, quando cheguei em Santa Luzia, Minas Gerais, foram as sombras que se projetavam recortadas dos galhos das árvores, sem folhas, sobre a calçada de pedras e as paredes brancas do lugar. O efeito parecia ter saído diretamente do filme "Viva Zapata" (1952), de Elia Kazan. O que era para ser um editorial de moda inspirado em uma festa de rodeio com a modelo Ana Beatriz Barros, produzido por Paula Lang e Jussara Romão para a revista Elle a ser fotografado em cores, se transformou em uma série de imagens em branco e preto, inspiradas no trabalho de Manuel Alvarez Bravo. O Chevrolet ‘52 (mesmo ano do filme, por acaso), produzido especialmente para a ocasião, ajudou para que o ensaio ficasse com um ar atemporal.





Uma boa equipe é indispensável, todo o mundo sabe, para o sucesso de qualquer trabalho. No caso específico deste anúncio da da Dentsu para a Sony, quatro personagens foram decisivos para que o resultado das duas fotos alcançasse as espectativas da agência e do cliente: a produtora de casting Solange Ribeiro, as produtoras de figurino Cinthya Kiste e Betina Bernauer e a produtra de objetos Gueguela Baccari.

Los Angeles e Miami me servem de inspiração, com certeza influenciado pelos anos em que morei nos USA, toda vez que tenho de fazer um editorial de jóias. A maneira com que as mulheres americanas misturam o luxo e a vida cotidiana sempre me fascinou. Quando tive de fazer uma série de fotos para a revista Elle não tive dúvidas: coloquei a modelo Patrícia Silveira (com um perfil LA total) dentro de uma casa luxuosa, carregada de jóias e simplesmente se dedicando ás coisas banais, e ás vezes incofessáveis, da vida de uma mulher.





Em uma tarde ensolarada de inverno ganhei uma câmera panorâmica russa
chamada "Horizon". 180 graus de visão. Saí andando e fotografando, sem
parar, pela Quinta Avenida de Nova York.



A revista Elle deste mês chega ás bancas em edição dupla. Uma é a normal e a outra, especial, é dedicada á moda de Minas Gerais. Nas duas capas a modelo é a mesma: a top Ana Beatriz Barros, mineira de Itabira e deslumbrante (ou ao contrário), em dois momentos diferentes. Um deles é no estúdio, em São Paulo, com luz suave e fundo branco. O outro é ao ar livre com uma luz, de chutar o balde e escurecer o céu, resultado de muitas polaroids e muitos ajustes.

Para poder executar o layout da campanha de verão para a Zapping, criado pela agência Borghierh, foi necesário um planejamento minucioso. Todo o trabalho, com "styling" de Thais Losso e Felipe Velloso, deveria ser feito em uma só diária. A lista de fotos para fazer era: uma de um modelo masculino deitado na grama (com opções), uma de um modelo feminino deitada na grama (com opções, também), duas fotos em still life e… sessenta modelos pulando em uma cama elástica que se convertiram, por obra e arte de horas e horas de computador, em milhares de gotas de chuva.


